Posted by: A Ovelha Perdida | Julho 22, 2007

Co-incineração

O debate sobre a questão da co-incineração a realizar pela cimenteira instalada no Outão tem sido constantemente desvirtuado por razões político-partidárias.
Antes de mais funcionou como arma de arremesso político contra o poder autárquico socialista, e com sucesso, razão porque, quer à esquerda quer à direita, ninguém mais quis desperdiçar a oportunidade de tentar ganhar votos à conta do problema. Neste momento, porém, a questão ultrapassa o nível local, para se estender a uma contestação ao primeiro-ministro, que foi o acérrimo defensor da ideia, desde sempre.
Pessoalmente, gostaria de ver a problemática debatida sem manipulação nem demagogia. Interessava-me imenso ver o tema debatido na sua essência, sem preconceitos nem ideias feitas. Sobretudo interessa-me encontrar respostas claras para as seguintes perguntas:
Como vai o país, afinal, desfazer-se dos resíduos industriais perigosos, que continuam a conspurcar o território nacional? Até agora, não encontrei respostas sérias, fundamentadas e exequíveis.
É a co-incineração um processo seguro, em termos de saúde pública, ou não? Não está claro. Há quem diga que não, mas a experiência de outros países europeus, as conclusões da Comissão Científica e os estudos da SECIL parecem indicar o contrário.
Esta actividade prejudica ou não o modelo de desenvolvimento económico previsto para Setúbal? A verdade é que se trata de uma pergunta impossível de responder, porque, infelizmente para nós, não há um modelo estabelecido.
O novo Estudo de Impacte Ambiental (EIA) sobre a co-incineração de resíduos industriais perigosos estará concluído em Setembro. O anterior era de 1998, e o tribunal considerou, para já, que estava ultrapassado. Se este EIA vier a concluir pelo não prejuízo da actividade para a saúde e o ambiente, ficam ainda as outras duas questões por responder.
O facto é que a empresa desenvolve presentemente um interessante projecto de recuperação paisagística e da biodiversidade, centrado também na fauna, dirigido por biólogos, em protocolo com a Universidade de Évora, a validar por uma entidade exterior, e em consonância com o PNA. Além de ter iniciado o processo de certificação de qualidade da cimenteira.
É claro que a reflexão fria e séria tem cada vez menos espaço entre nós, dada a contínua manipulação política do tema. E há temas que são incómodos. Em especial para quem se deixa incomodar.

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