Posted by: A Ovelha Perdida | Agosto 7, 2007

Já Bocage não sou!

Foto: Musa de Bocage (Setúbal).

A condição humana de Bocage e o confronto iminente com a morte, a eternidade e o desconhecido, resultaram neste conhecido soneto, onde o poeta parece lamentar toda uma vida dissoluta e encarar a possibilidade do que está para lá do último suspiro:

Já Bocage não sou!… À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento…
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!… Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui… A santidade
Manchei!… Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

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