
O governo parece estar agora empenhado em incentivar a natalidade no país, através de incentivos centrados no apoio às famílias, passando pelas empresas, criando assim condições para uma melhor conciliação entre a vida familiar e profissional.
O presidente da república já tinha dado o mote, e o assunto tem vindo a ser estudado, pelo menos desde aí.
A quebra dos nascimentos começa a ser dramática na Europa, em termos demográficos. Por cá nasceram em 2006 menos 4100 bebés do que no ano anterior, e o número médio de filhos por mulher em idade fértil caiu de 1,41 para 1,36. Também aí nos estamos a afastar da Europa (1,52 em 2005). Estamos entre os 7 países mais envelhecidos do mundo, e portanto quase em vias de extinção, uma vez que não conseguimos substituir as gerações.
Mas não temos filhos porquê? Segundo Pedro Lomba, no DN: «Fazemos tudo mais tarde. Saímos de casa tarde. Começamos a trabalhar tarde. E, naturalmente, habituamo-nos tarde à disciplina e ao crescimento que o trabalho exige. O trabalho apenas nos dá uma ilusão de estabilidade. Com salários baixos, carreiras rígidas, mérito mal recompensado e nenhuma cultura de mobilidade, o português pensa que a vida não é será diferente no próximo ano do que foi neste. E vai adiando. Os filhos ficam para o fim.»
Muito embora uma das razões básicas que explicam a quebra de natalidade pareça ser a condição de fragilidade financeira de grande parte das famílias portuguesas, a verdade é que não será a única.
A questão é que os casais jovens, ainda antes de pensar em ter filhos (e quem tem filhos tem cadilhos!) preferem garantir a autonomia financeira que permita pagar os prazeres e luxos consumistas. Enquanto isso vão vivendo à sombra dos pais, que os sustentam, que lhes pagam as contas, e que os apaparicam e protegem. Como diz ainda Pedro Lomba, neste país «conservamos ao máximo o nosso estatuto de infantilidade».
Se é tão bom como parece ser criança, porque razão as crianças terão que crescer e enfrentar um mundo de adultos? Mais vale ser criança o maior tempo possível. Só que a vida tem ciclos naturais, pelo que a seguir à infância e adolescência vem a idade adulta, e só depois a velhice. E deve ser muito aborrecido passar directamente da adolescência à velhice.
B. L.
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
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