
“Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência”.
(Aristóteles)
Vivemos tempos difíceis.
Não, não me refiro à persistente crise económica, ao elevado desemprego, ou ao aumento da criminalidade violenta. Estou a falar da generalizada crise de confiança que impera no país e não só.
Criou-se a ideia global de que os governantes (e os políticos em geral) são todos uns aldrabões, uns indivíduos egoístas e sem princípios. Mas o mais grave é que a mesma sensação prevalece também quanto a outras profissões que deveriam ser de referência, em termos éticos, como polícias e agentes das forças de segurança, magistrados, médicos, professores e até ministros religiosos.
Perdidas estas referências sociológicas as populações entram numa espécie de roda livre, tipo lei da selva, a não ser que disponham, em si mesmas, de sólidas âncoras pessoais, entretecidas por uma educação para os valores, ou referências fortes derivadas de uma praxis religiosa séria e comprometida.
Quanto às figuras políticas nem sequer vale a pena dar exemplos pela negativa. Basta dizer que, hoje em dia, os eleitores votam cada vez mais induzidos por uma percepção de seriedade pessoal do candidato do que por motivações ideológicas, o que significa a desconstrução da política (isto é, do debate e confronto das ideias), e um rebaixamento da intervenção cívica dos cidadãos, pelo acto do voto, ao patamar miserável do “mal menor”. E não havendo lugar à política, nos seus termos precisos, resta um significativo empobrecimento da cidadania.
Mas também todos já ouvimos e lemos, de forma recorrente, de polícias e elementos das forças de segurança corruptos, de juízes que julgam com parcialidade, de médicos desonestos e acusados de negligência, de professores sem compromisso, de padres pedófilos e ministros de outras igrejas encontrados em situações de escândalo.
Esta situação leva-nos então a um ponto de responsabilização pessoal, de modo a sermos obrigados a desenvolver e encontrar um sentido existencial, tanto na sua dimensão pessoal como comunitária, não nos outros, por modelagem, mas dentro de nós mesmos, para que as coisas nos façam sentido, e nos posicionemos, com um sentido, perante a vida e as coisas.
A responsabilização pessoal é sempre desconfortável, mas é a melhor via (única?) para o crescimento.
B. L.
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
O "Ovelha Perdida" constitui uma reflexão sobre a vida nas suas diferentes dimensões.
A Arte, o Belo, as ciências e os saberes têm aqui tanto cabimento como o humor, o desporto, a crítica social, a política, ou a espiritualidade. Sobretudo muita poesia.
É um blog sobre a Vida, sem preconceitos, vista nas suas dimensões pessoais e comunitárias, através dos olhos de um cristão inconformado, que é o que sou.
Como dizia Diderot, "a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".









