A igreja católica e o dízimo

Uma das razões mais badaladas para perseguir a IURD em Portugal, há uns anos atrás, a pretexto da gorada compra do Coliseu do Porto, foi a questão do dízimo. Uma notícia da Lusa dá-nos conta de que a igreja católica-romana introduziu agora a prática do dízimo em Moçambique, sob rigoroso controle escrito (os fiéis têm que se identificar). Curiosamente ainda ninguém comentou o facto. Aliás, não é caso virgem, visto que a prática do dízimo fez e faz parte da cultura católica em certas partes do mundo, com essa ou outra designação.

Mas como é? Dois pesos e duas medidas? O dízimo na IURD era mau (mesmo sem controle de quem o dava) e na igreja católica já é bom (apesar do controle dos fiéis)? Devo esclarecer desde já que a IURD (cujos locais de culto agora são denominados “Centro de Apoio Espiritual”) não me merece simpatia, suscitando-me, pelo contrário, profunda desconfiança e forte censura pelos métodos utilizados. Mas não é isso que está em causa. O que está em causa é a mentalidade inquisitorial, de que Portugal ainda não se conseguiu libertar, e que considera mau, estranho ou indesejável tudo que é diferente. A base do mecanismo mental da xenofobia e do racismo, por exemplo, passa também por aqui.

Apesar da tolerância de que sempre demos provas, como povo, ao longo da nossa história nacional, a verdade é que também admitimos que as elites ou o poder discriminassem portugueses, em particular com base na sua fé, o que ainda hoje acontece. Um cidadão afirma-se hoje em público como católico por uma questão de “normalidade”. Se for político ainda melhor, mesmo que não tenha quaisquer convicções ou praxis católica. Se for ateu, agnóstico, judeu, ortodoxo ou islâmico ainda vá, mas quem se afirme como protestante ou evangélico incorre em estranheza. E os próprios jornalistas, salvo honrosas excepções, ignoram a realidade cristã não-católica no país, facilmente caindo no facilitismo de misturar alhos com bugalhos.

É claro que a responsabilidade da situação recai também, e em grande medida, sobre os ombros dos próprios cristãos, que não sabem lidar com a comunicação social, continuando a viver no seu guetto, de certa forma, o síndroma do salazarismo, época durante a qual todos os não-católicos eram mais tolerados do que aceites.

O dízimo (como qualquer outra prática religiosa) pertence à responsabilidade individual da pessoa, nunca pode ser obrigatório, nem se pode controlar os fiéis que o cumprem ou não, caso contrário trata-se de um imposto religioso, o que, a meu ver (que não sou jurista) será ilegal e inconstitucional.

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8 pensamentos em “A igreja católica e o dízimo”

  1. Concordo com o artigo. No entanto acho que devo acrescentar que, em minha opinião, o facto de os “protestantes” também se apresentarem bastante “pulverizados” nas suas diversas igrejas não ajuda muito à clarificação.

  2. Essa é uma questão que a História do Cristianismo explica. O dilema é entre ter uma igreja com uma estrutura de pirâmide, rígida, tendencialmente monolítica, governada de cima para baixo e que impõe uma política determinada, ou ter uma pluralidade de comunidades locais que se auto-organizam em liberdade, e se relacionam em rede. Há vantagens e inconvenientes em ambas as concepções, como se percebe.
    E é bom não esquecer que na igreja católica também há muitas sensibilidades diferentes, ordens religiosas, institutos, etc, com visões bem diferentes.

  3. Aprecio perfeitamente a colocação do artigo acima, vejo que o dizimo por mais que seja biblico, tambem se norteia em ser uma parte pessoal da contribuiçao do ser humano para com a igreja, alias, nao existe nenhum conto biblico que deve-se entregar tudo que possuí a Igreja, de fato, deve-se sim, entregar todos seus pedidos ao pai, e nele permanecer as tuas obras.Atraves da Virgem Maria, mae de Deus, pudemos perceber que a luta pela vida de nossos filhos em mundo tao sombrio esta resguardado ao sentimento em Deus, e de aceitar o filho de nossa senhora como nosso salvador.

  4. Vocês estão perdidos quanto as respostas, precisariam estar mais próximo do que seja Cristologia e, ter mais intimidade com a reflexão e o silêncio como alidado, para ter um bom entendimento do que se lê..

  5. Amigo Paulo,

    Tenho dificuldade em entender o seu discurso, que é muito confuso, mas ainda assim, quando se comenta um post é suposto ir além de generalidades desconexas e dizer algo concreto, o que não é o caso.

  6. Oi, não sou católico e nem frequento a IURD, mais quero dar minha opinião, o dízimo tem sido objeto de muitas indagações pois as pessoas não lêem a bíblia e quando lêem não entendem. e daí aparecem varias opniões de pessoas avarentas que não creem na promessa de Deus escrita no livro de Malaquias cap.3 vs 10 a seguir. “fazei prova de mim diz o Senhor”. dízimo é questão de fé. tambem sou contra a obrigação pois a bíblia diz q “não é por força nem por violencia”.como eu já disse é questão de fé, se vc tem fé então devolva, agora se vc acha que ele vai render mais na sua mão então fique com ele. para finalizar quero dizer que a igreja católica não precisa mais de dízimos pois ela já ficou riquíssima quando criou a “santa inquisição” que punia as pessoas que não queriam ser católicas. dentres as punições usava-se confiscar os bens das pessoas. muitos fazendeiros crentes perderam suas terras e até mesmo suas vidas pois alem de roubar ainda matavam, mais Deus diz que esses mártires tem um lugar preparado no céu. e quanto o catolicismo romano?

  7. Eu pertenço a este corpo a esta igreja, IURD e posso afirmar que ninguém é obrigado a dar um tostão que seja! Fui muitos anos contra esta igreja por causo desta questão, mas depois de ter frequentado, ouvido e provado o poder de Deus, posso afirmar que só dá quem quer e quiser.
    O que separa o Homem de Deus é a Religião e seus costumes. Muitas pessoas confundem Religião com Deus, mas estão enganadas, pois Deus não tem absolutamente nada a ver com Religião. A religião foi criada por homens, por isso é que há confusões, guerras e maldizeres, porque as pessoas defendem a sua dita religião.
    A bíblia é a palavra de Deus e lá não fala se o homem seguir A,B, ou C será salvo, encontrará Deus, NÃO!!
    Mas sim disse Jesus:
    ” Eu sou o Caminho a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim”
    Vejam é simples, o Senhor Jesus é o único, caminho, a única verdade é a vida, Ele não diz que é Fátima, Maria, João, não, mil vezes não!!!
    Por exemplo a bíblia católica romana, nos 10 mandamentos em que Deus diz que “não farás imagens de santos na terra nem nos Céus, eles retiraram esse mandamento, Porquê??
    Porque são uma religião, nada mais e que ensinam mandamentos de homens de estudiosos e não a Palavra de Deus. Mas vamos respeitar!

  8. Todos nós somos livres. A questão do dizimo é um assunto delicado em todas as igrejas seja ela protestante ou católica. Assim sendo, eu deixo a minha opinião embasada no novo testamento 2-coríntios:.9; 6 E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.
    7 Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

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