Posted by: A Ovelha Perdida | Novembro 9, 2007

O acidente

O caso do terrível acidente na A23 deu origem a uma quase histeria mediática. Os jornais televisivos da tarde, no dia seguinte, gastaram talvez mais de uma hora a falar sobre o acidente, como se não tivesse acontecido nada de relevante, nas últimas horas, para o nosso futuro colectivo, em Portugal ou neste mundo. Por exemplo, a discussão parlamentar do Orçamento de Estado, a luz verde à co-incineração em Souselas, o presumível terrorista magrebino detido no Porto, o novo recorde do Euro, ou a situação complicada que se vive em países como o Paquistão.
Claro que entendo que as televisões devem cobrir devidamente um acontecimento trágico como este, onde há a lamentar 15 mortos e muitos feridos. Mas chegou a cansar dado o exagero e a desproporção. A melhor resposta a esta histeria foi mesmo a do professor da universidade sénior de Castelo Branco, quando foi entrevistado sobre os seus alunos falecidos no acidente, e que declarou, em plena sala de aula, que a vida continua, sem deixar de fazer o elogio dos falecidos.
Esta adição dos média às desgraças (porque vende bem, já se sabe!) só é comparável ao disparate de querer encontrar culpados à pressa e a todo o custo, ainda antes de se fazer a devida investigação. Mesmo sendo, ao que parece, uma via rodoviária sem pontos negros, um autocarro com boa manutenção e um motorista experiente, há de se encontrar forma de dizer (ou pelo menos de sugerir) que a culpa do acidente é “deles”. Do governo, da Câmara Municipal, ou do galo de Barcelos. É sempre…
Anteontem, o DN afirmava que os ocupantes do veículo alegadamente causador do acidente teriam abandonaram o local, sem prestar socorro às vítimas do autocarro acidentado, e nem por telefone pediram ajuda, referenciando o acidente. Isto é, teriam agido de forma criminosa. Mas o mesmo jornal veio assegurar ontem que, afinal, os ocupantes do referido carro não fugiram, tendo até sido dos primeiros a pedir ajuda.
Ou seja, quem mais precisa de ajuda é o DN que nem sequer pediu desculpa aos leitores por os ter induzido em erro, vindo publicar no dia seguinte uma versão oposta à do dia anterior, e sem se justificar. Afinal, parece que aquele diário optou pelo facilitismo do costume, tipo tablóide, produzindo informação sem consulta às fontes. Atitude indigna dos seus pergaminhos.
Entretanto, a Universidade Sénior de Setúbal (UNISETI) solidarizou-se com a sua congénere de Castelo Branco, tendo enviado um fax de condolências e observado um minuto de silêncio na sessão solene comemorativa do Dia da Universidade, realizada na passada terça-feira.

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