Posted by: A Ovelha Perdida | Dezembro 20, 2007

A minha língua

“Da minha língua vê-se o mar.”
(Virgílio Ferreira)

Não é de anjos ou de demónios
nem de pássaros ou outros
animais
a minha língua é húmida
sabe a mar

sabe a canela e gengibre
a mandioca e arroz
a minha língua é quente como o Sul
e salgada como as preces
do desespero

sabe a vinho torna-viagem
e a frutas tropicais
a vento e marés
a escorbuto e a pão duro

a minha língua é amarga como a morte
e doce como o mel

a minha língua é fria como a noite
e amanhece com a aventura

a minha língua é velha como a Lua
e fresca como a madrugada

a minha língua é imensa
como este mundo de Deus.


Palmela, Dezembro de 2007

Brissos Lino

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