Posted by: A Ovelha Perdida | Janeiro 18, 2008

90 anos

A minha mãe completou, no passado dia doze, noventa anos de vida.
A mãe dela, minha avó materna, falecida com muito menos idade, vinha do tempo da monarquia, tendo atravessado grande parte do século passado. O pai, jovem camponês alentejano, morrera na guerra em França, como combatente do Corpo Expedicionário Português, mal ela tinha acabado de nascer, a partir do “Quartel do 11”.
Apesar de órfã de pai e da dura vida de trabalho que cumpriu sempre a conheci assim, simpática, afável, gentil com todos, não querendo incomodar ninguém. Vive comigo há alguns anos e presume-se que por aqui terminará os seus dias.
A esperança de vida em Portugal caminha para o século, especialmente nas mulheres, o que tem vindo a colocar imensas questões, desde a sustentabilidade da segurança social, tal como hoje a conhecemos, até à ocupação das pessoas terminada a vida activa, passando pela saúde e pelo amparo dos que vão ficando sozinhos. Em todos estes aspectos estamos mal. Não se trata de um problema especificamente português, mas nem por isso deixa de ser preocupante.
Quanto à saúde, são os mais idosos e de menos rendimentos que vão sentir na pele as dificuldades. Ninguém tem coragem ainda para assumir que a ideia de um serviço de saúde de âmbito nacional que seja gratuito está cada vez mais longe. De futuro quem quiser ter saúde tem que a pagar. Infelizmente é para aí que caminhamos.
No que toca ao combate à solidão a sociedade ainda não se conseguiu organizar de forma a dar respostas a esta crescente necessidade. Mas haveria medidas de simples solução que talvez ajudassem a resolver o problema. Por exemplo, idosos que aceitassem partilhar a habitação com um ou dois jovens estudantes, com evidentes benefícios para ambos, ou condições para que os elementos da família pudessem fazer um horário flexível que lhes permitisse dar apoio quase permanente a um idoso, com pouca autonomia, que tivessem em casa. A sociedade vai pagar bem caro esta prática de despejar os idosos nos lares.
Relativamente à ocupação dos que ainda dispõem de autonomia e qualidade de vida, há países em que as empresas têm vindo a recrutar, em regime de part-time, idosos experientes a fim de treinar os trabalhadores mais novos. E há a excelente resposta que as universidades séniores proporcionam.
Quando o governo e a sociedade se cansarem de tentar tapar o sol com a peneira e de puxar a manta de um lado para o outro, é por estes novos caminhos que terão de ir.

Respostas

Parabéns à mãe e parabéns ao filho.
90 anos? Realmente? Não parece!
Muita saúde e vamos caminhar para os 91 com toda a confiança!

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