
Um dos temas recorrentes em matéria de comunicação social é a isenção político-partidária (e não só) do jornalista, enquanto mediador da informação entre as fontes e o consumidor final. Esta questão coloca-se não só a nível da imprensa escrita mas também, da rádio, e sobretudo da televisão, uma vez que é mais fácil, porventura, criar uma impressão induzida no público quando se utilizam meios audiovisuais.
Ao contrário da prática anglo-saxónica, em Portugal não há tradição de um jornal assumir objectivamente um partido em disputas eleitorais. Veja-se o New York Times, que há semanas atrás avançou os nomes de John McCain e Hillary Clinton como seus preferidos na corrida à Casa Branca.
Por cá é mais vulgar a prática dos lobbies não assumidos e dos interesses económicos camuflados, que muitas vezes estão por detrás das campanhas de assassínio de carácter que por aí se vão vendo, por regra na maior impunidade.
Esta praxis está tão entranhada na nossa cultura, que até o sistema de Justiça parece não ser alheio a este tipo de manobras. Vejam-se as declarações categóricas do Bastonário da Ordem dos Advogados na RTP, a propósito do caso Casa Pia, donde se deduz claramente que a investigação foi dirigida de forma parcial e com objectivos político-partidários.
É pois tentador, para o jornalista, mediador da informação, deixar-se levar por interesses próprios ou de grupo, deixar-se corromper, ou ceder a pressões políticas, económicas, profissionais e outras, em prejuízo da isenção que deve caracterizar o seu importante papel.
Daí que o leitor deva ter cada vez mais sentido crítico e consumir avisadamente a informação quem lhe é veiculada pelos media. E isso passa também por uma maior assertividade, por exemplo na intervenção através das provedorias do leitor.
Por outro lado ainda persiste um fenómeno perverso, a condição de comentadores de alguns jornalistas. Se o jornalista é mediador da informação como pode ele fazer comentário político, e por vezes no órgão onde trabalha?
Mas este é um problema mais vasto. A maior parte do comentário político que se faz em Portugal, está inquinado pela falta de isenção. Vejam-se os casos de Marcelo Rebelo de Sousa, de Pacheco Pereira, de António Vitorino, dos participantes no programa “Quadratura do Círculo” e tantos outros. Uma coisa é ter uma mesa redonda (ou colunistas de jornal) com representantes partidários oficiais (que naturalmente veiculam as posições dos seus partidos), outra bem diferente é ter pessoas com carreira política que comentam como se fossem independentes. É vender gato por lebre.
Dos nomes citados temos dirigentes e ex-dirigentes do mais alto nível de estruturas partidárias, antigos ministros e deputados, pessoas que mantêm interesses políticos presentes e cujas ambições políticas para o futuro são por demais conhecidas. Será lícito esperar que sejam isentos?
Luís Filipe Menezes manifestou mau estar pela situação mas pelas razões erradas. O que mais se precisa é de comentadores independentes e não de porta-vozes dos directórios partidários. Porquê? Porque todos os dias os principais líderes partidários nos entram pela casa dentro, em horário nobre, mesmo quando não têm nada para dizer. O que é necessário é pessoas que reflictam o país, em consciência, sem condicionalismos político-partidários.
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
O "Ovelha Perdida" constitui uma reflexão sobre a vida nas suas diferentes dimensões.
A Arte, o Belo, as ciências e os saberes têm aqui tanto cabimento como o humor, o desporto, a crítica social, a política, ou a espiritualidade. Sobretudo muita poesia.
É um blog sobre a Vida, sem preconceitos, vista nas suas dimensões pessoais e comunitárias, através dos olhos de um cristão inconformado, que é o que sou.
Como dizia Diderot, "a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".









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