Posted by: A Ovelha Perdida | Março 6, 2008

Que direi de ti, Lisboa

Que direi do homem das castanhas
a desfolhar páginas amarelas
dedos de sal e carvão
em vão

que direi do cauteleiro
vendedor de sonhos
por tostões
garganta de milhões

que direi da florista do bairro
que dá corpo à ilusão do amor
afectos e carinhos
sem espinhos

que direi do engraxador
cujas mãos parecem pés
e ganham o pão
na fronteira da civilização

que direi do homem dos jornais
profeta da desgraça
com o mundo na sacola
sem ir à escola

que direi de ti, Lisboa
porto de partida
onde os adoradores do sol
enchem de luz o seu frio
e a fauna humana
se distribui entre o rio
e as tascas de Alfama.

Palmela, Março de 2008

© Brissos Lino

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