
A Várzea de Setúbal tem um valor ambiental muitíssimo superior ao que teria se acaso não constituísse a última hipótese de retenção de águas pluviais antes da zona baixa da cidade.
Devo esclarecer que não me considero ecologista nem ambientalista, mas apenas um cidadão preocupado com a sua cidade e a qualidade de vida que ela pode oferecer. Mais, detesto extremismos de qualquer espécie, e por conseguinte, também os radicalismos ambientalistas, os quais, regra geral, estragam mais do que ajudam.
A preocupação de alguns cidadãos radica no facto de que há meses que se anuncia a venda de um terreno de cerca de 9200 metros quadrados, em plena Várzea, através de um outdoor, o qual é caracterizado como tendo muitas “potencialidades”, eufemismo para significar que poderá servir para construção urbana, eventualmente em nome de “direitos adquiridos”.
Decidida que foi a construção no Bonfim, nos terrenos onde ainda está implantado o estádio do Vitória, torna-se difícil compreender com que espécie de soluções de engenharia será resolvida a impermeabilização daqueles terrenos, em conjugação com a criação de parques de estacionamento subterrâneo, de modo a servir a superfície comercial e as torres de apartamentos a implantar ali, e sobretudo o desvio (?) da ribeira do Livramento que desemboca no rio depois de percorrer uma grande extensão urbana em regime subterrâneo. Tudo isto tendo em atenção que a baixa de Setúbal está edificada em leito de cheia, e grande parte dela em terrenos conquistados ao rio há muitas décadas.
Segundo cálculos ainda provisórios da autarquia, os prejuízos provocados pelas inundações que ocorreram no dia 18 de Fevereiro no concelho de Setúbal deverão ultrapassar os dez milhões de euros. Só na baixa serão cerca de cinco milhões, e deverão representar o fechar de portas de diversos comerciantes.
Cimentado o Bonfim, resta apenas a Várzea como reserva estratégica de absorção das águas pluviais. Ora se ela continuar a ser palco de construção (como parece), e tendo consciência das alterações climáticas que ocorrem em todo o mundo, estaremos a condenar esta cidade talvez a uma grande cheia por ano. Isto é, pelo menos dez milhões de euros anuais de prejuízo, na melhor das hipóteses e sem contar com a inflação.
Podia ser pior…
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
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