
Os setubalenses andam preocupados com a insegurança, tema que está na ordem do dia das conversas de café, na comunicação social e nos debates políticos.
A crescente frequência e a violência dos assaltos provocam um mau estar social e já levaram a alguma confusão na última assembleia municipal.
Porém, há outra violência, dentro de portas (a chamada violência doméstica, mas que de doméstica tem pouco, pelo que se deveria chamar “selvagem”…), de que se fala menos, mas que deveria preocupar muito mais, pois está em franco crescimento. Os números dizem que a violência doméstica cresceu 20 por cento na região, o que é altamente preocupante, uma vez que a maior parte dos casos não são denunciados, e por isso não contam para as estatísticas.
Para tomarmos plena consciência da gravidade da situação convém desfazer alguns mitos comuns.
Pensa-se que a violência doméstica é marca das pessoas com baixa escolaridade. Pura ilusão. Trata-se de um fenómeno transversal, e verifica-se uma elevada percentagem de vítimas com o ensino superior.
Outro mito é o do desemprego. Pensa-se que a maior parte dos agressores são pessoas frustradas pela falta de trabalho. Não é verdade. A maioria tem o seu emprego.
Também há quem pense que os agressores são pessoas com antecedentes criminais. Nada mais errado. Só dois por cento deles apresentam tais características.
Não falamos, portanto, de marginais, desempregados, ou pessoas sem formação. E por isso o problema se afigura ainda mais grave, já que, à partida, os agressores têm perfeita noção da ilegitimidade dos maus tratos físicos e psicológicos que infligem às suas vítimas, e da respectiva censura social, mas persistem neste tipo de comportamentos, a coberto do medo e da dependência económica ou emocional da vítima em relação ao agressor. Até porque muitas vezes as vítimas são cépticas quanto ao bom funcionamento da justiça e à exposição pública subsequente, ou procuram enganar-se a si próprias através da falsa relação amor-ciúme, procurando desculpabilizar o agressor, já para não falar da aceitação cultural do fenómeno enraizada nas suas famílias.
Ninguém é dono de ninguém, e o respeito tem que ser sempre recíproco entre os membros de uma família.
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
O "Ovelha Perdida" constitui uma reflexão sobre a vida nas suas diferentes dimensões.
A Arte, o Belo, as ciências e os saberes têm aqui tanto cabimento como o humor, o desporto, a crítica social, a política, ou a espiritualidade. Sobretudo muita poesia.
É um blog sobre a Vida, sem preconceitos, vista nas suas dimensões pessoais e comunitárias, através dos olhos de um cristão inconformado, que é o que sou.
Como dizia Diderot, "a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".









