Posted by: A Ovelha Perdida | Abril 29, 2008

O enterro dos mortos (excerto)

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agónicas raízes com a chuva da Primavera.
O Inverno agasalhava-nos, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O Verão surpreendeu-nos, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Parámos junto aos pórticos
E ao sol caminhámos pelas aléias do Hofgarten,
Tomámos café, e por uma hora conversámos.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
O meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizámos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o Inverno.

T. S. Eliot, A Terra Desolada, 1922 (Tradução: Ivan Junqueira).

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