Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 6, 2008

Time: o Papa e a lista dos 100 mais influentes do mundo



“O Vaticano informou estar satisfeito com o facto de o papa Bento XVI ter ficado de fora da lista compilada pela revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo”

Foi assim que muitos jornais noticiaram nos últimos dias a bizarria. O Papa, situação altamente estranha, ficou de fora dos critérios da prestigiada Time, ao escolher as 100 pessoas mais influentes do mundo.
A situação torna-se tão estranha quanto estamos a poucas semanas da visita do Papa aos EUA. Mais estranha ainda por que o Dalai Lama consta dessa lista, um dos líderes espirituais dos cristãos ortodoxos, Bartolomeu, também, assim como Muqtada al-Sadr, líder extremista xiita no Iraque.
Logicamente, na retórica se encontra a melhor arma. “Fico satisfeito pelo fato de o papa não estar na lista, porque os critérios empregados nela não têm relação alguma com a autoridade moral e religiosa do papa”, dizem os mesmos jornais que disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Contudo, parece que, para o editor-chefe do jornal L’Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian, a exclusão do Papa da lista foi “uma decisão desconcertante”.
A memória é sempre de gestão complicada. Quem sucede a João Paulo II tem essa dificil tarefa… suceder a João Paulo II! O anterior Sumo Pontífice foi, mesmo, nomeado Homem do Ano da Time em 1994 por suas qualidades de estadista mundial.
Cada vez mais é notória a perda de lugar no mundo do catolicismo. Naturalmente, esta bizarria não corresponde à verdade, mas é uma campainha que toca ensurdecedoramente. Só não a ouve quem não quer.
Num ano em que tantas obras militantemente ateias vieram a público, num ano em que o Papa visitou os EUA e teve como uma das tarefas centrais sarar as feridas dos escândalos de pedofilia, a exclusão de Ratzinger desta lista é como que um Cartão Amarelo: o discurso não está no nosso tempo.
Depois de um certo tempo de benesse, os mídia estão agora desconcertantemente a lançar olhos pelas fragilidades do mundo católico. Poucas vezes, como hoje, foi tão bem vinda a um noticiário, a um jornal, um qualquer escândalo, uma intriga, uma agastação, com a Igreja Católica. Está a ficar na moda o afastamento a essa estrutura milenar.
Esse será o grande desafio deste pontificado: perceber como reagir a essa vontade quase freudiana de fugir e ferir a Igreja Católica que a sociedade está a desenvolver.

Fonte: Paulo Mendes Pinto em Re-ligare.

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