Posted by: A Ovelha Perdida | Maio 9, 2008

O nazi Fritzl

O monstro austríaco de quem se tem falado ultimamente, Josef Fritzl, o homem que sequestrou, durante 24 anos, uma filha e a submeteu a violações, de que resultaram vários filhos, terá ameaçado introduzir gás na cave onde as vítimas viviam, caso lhe acontecesse algo. Tal circunstância não pode deixar de nos trazer à memória o método de eleição do poder nazi alemão para aplicar a chamada “solução final”, o extermínio dos judeus pelo III Reich.
O caminho mais fácil é considerá-lo de facto uma pessoa com debilidades mentais, um psicopata, pois assim descansaríamos a nossa angústia de tentar preservar a condição humana em níveis aceitáveis de dignidade. O seu advogado, ensaiando uma estratégia de defesa, já veio dizer que Fritzl não é um monstro mas uma pessoa.
A segunda hipótese é considerá-lo efectivamente um monstro, isto é, alguém que terá perdido parte da sua humanidade, uma espécie de aberração humana, e assim também conseguimos viver com a situação.
O grande problema em lidar com casos como este é o de colocar em causa a concepção humanista que vem desde o Renascimento e se reforçou com a Revolução Francesa e o Iluminismo, ou seja, a glorificação do ser humano.
Ora, a verdade é que, como alguém disse, o homem é capaz de executar o acto mais altruísta, mas também o mais vil.
Josef Fritzl, actualmente com 73 anos, tinha sido preso há 40 anos por violar uma mulher, quando já era casado e pai de quatro filhos.
Segundo Fernanda Câncio, num caso destes “não podemos falar de aumento de penas nem de mais polícia nem vociferar contra ‘a insegurança’. Numa história como esta só podemos olhar para o rosto de Fritzl e tentar decifrar-lhe os sinais, aqueles que deveriam ter alertado toda a gente para o monstro que ali estava, e perceber que não havia maneira, que não há maneira. Nem de perceber - porque se no lugar da filha ainda nos conseguimos projectar, não há forma de pensar como será estar no dele, ser ele - nem de prevenir nem de evitar nem de adivinhar quando e como e porque é que estas coisas acontecem. Nem de encontrar castigos que apazigúem o nosso medo, e a dor e a perda horríveis, tenebrosas, destas vidas. Nenhum sistema penal ou moral nos responde a isto, nada nos protege deste mal. Porque está dentro. Das nossas casas, da nossa família, de tudo o que devia ser seguro e certo. De nós. Porque é humano, tão pavorosamente humano.”

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