
À Ingrid Betancourt
Eu percebo que a liberdade sabe
a fruta madura
insinua-se nas papilas gustativas
como o melhor champagne francês
sei que as emoções do reencontro
põem um brilho doce nos olhos
na hesitação da ternura
e o espanto da ausência
curva para cima os cantos da boca
eu sei que o súbito fulgor da luz
varre para o olvido
as longas trevas
mas também sei que
mataram a Ingrid
durante anos
mataram a mãe, a mulher
o ser humano.
E não sei se as luzes da ribalta
por um momento
compensam agora os anos perdidos
os sonhos desfeitos
na selva quieta
a vida sempre adiada
o persistente espectro da morte.
Palmela, Julho de 2008
© Brissos Lino
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
O "Ovelha Perdida" constitui uma reflexão sobre a vida nas suas diferentes dimensões.
A Arte, o Belo, as ciências e os saberes têm aqui tanto cabimento como o humor, o desporto, a crítica social, a política, ou a espiritualidade. Sobretudo muita poesia.
É um blog sobre a Vida, sem preconceitos, vista nas suas dimensões pessoais e comunitárias, através dos olhos de um cristão inconformado, que é o que sou.
Como dizia Diderot, "a ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".









