Posted by: A Ovelha Perdida | Julho 5, 2008

Mulher ressuscitada

À Ingrid Betancourt

Eu percebo que a liberdade sabe
a fruta madura
insinua-se nas papilas gustativas
como o melhor champagne francês
sei que as emoções do reencontro
põem um brilho doce nos olhos
na hesitação da ternura
e o espanto da ausência
curva para cima os cantos da boca
eu sei que o súbito fulgor da luz
varre para o olvido
as longas trevas

mas também sei que
mataram a Ingrid
durante anos
mataram a mãe, a mulher
o ser humano.

E não sei se as luzes da ribalta
por um momento
compensam agora os anos perdidos
os sonhos desfeitos
na selva quieta
a vida sempre adiada
o persistente espectro da morte.


Palmela, Julho de 2008

© Brissos Lino

Leave a response

Your response:

Categorias