
A Câmara Municipal de Setúbal apresentou um ambicioso projecto de renovação da frente ribeirinha. Não se trata de nada de novo, e os mais atentos a estas coisas afirmam até que tais ideias não passam de boas intenções, uma vez que não se conhecem quaisquer parcerias com privados, nem formas de financiamento além do investimento público, e como se sabe a autarquia está em situação financeira muito crítica.
O jornal “O Setubalense” publicou recentemente uma carta ao Director subscrita por um cidadão que já ocupou o cargo de Director Comercial do Porto de Lisboa, e que alega a sua experiência em gestão de zona ribeirinha, para tecer algumas críticas ao projecto setubalense. Tais objecções são claras e concretas, e chocam de frente com a filosofia do projecto apresentado a público, em especial da estação intermodal de transportes prevista para as Fontainhas.
Essencialmente, as questões levantadas têm que ver com o facto de a vocação de tal gare não compaginar com a vocação de uma frente ribeirinha, necessariamente virada para actividades económicas com ligação ao mar, e com amplas zonas abertas de fruição pública e lazer, sugerindo-se uma alternativa que, além de permitir centrar a frente ribeirinha na sua vocação natural, ainda possibilita, entre outras vantagens, ligações directas à rede viária, afastamento do centro urbano, descongestionamento rodoviário da cidade, melhor estacionamento, redução dos tempos de viagem aos utilizadores de autocarros e comboios, e evitar custos pesadíssimos com a deslocalização do terminal portuário existente.
Tais críticas e sugestões são feitas por quem se apresenta como especialista em transportes e professor do ISEG/Universidade Técnica de Lisboa. Mas as questões levantadas podem ser avaliadas também por leigos na matéria, cidadãos, munícipes, contribuintes e utilizadores a quem interessa directamente tal projecto, uma vez que virá a provocar um impacto demasiado sério na sua vida pessoal e comunitária. E para estes trata-se de uma questão de bom senso, antes de mais. Pois o bom senso leva a admitir que as objecções deste especialista em transportes fazem todo o sentido.
E não seria também de bom senso discutir a questão com pessoas como ele, antes que se faça asneira?
Querendo, leia a referida carta aqui.
Este é o blogue pessoal de Brissos Lino.
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