Posted by: A Ovelha Perdida | Julho 18, 2008

Obras públicas

O psicodrama que estamos a viver em Portugal, em matéria de obras públicas, é simplesmente este. Por um lado o governo sente-se pressionado pela crise internacional e pela dificuldade em alterar os números persistentes do desemprego, dada a baixa qualificação dos trabalhadores portugueses. E por muito que se aposte hoje na formação profissional e na qualificação, que é o caminho único e fundamental para reverter a fraca empregabilidade, a verdade é que demora muito tempo até se verem os resultados reflectidos na economia nacional.
Porque se sente pressionado, o governo avança para um conjunto de obras públicas, na esperança de aquecer a economia e baixar a taxa de desemprego.
Por outro lado, a oposição aproveita-se da presente crise portuguesa e mundial para questionar as obras públicas, afirmando que não há dinheiro para nada, com o fito de vir depois dizer que o governo não deixou obra, uma vez que só a muito custo reconhece o importante saneamento das finanças públicas alcançado.
Receio que nem o governo nem a oposição estejam a ser completamente transparentes. Temo que o governo saiba como começar as obras mas não como acabá-las, como aliás é costume em Portugal, com todos os governos. Temo que a oposição não queira mais do que opor-se, porque tem que ser contra, e porque o discurso da irresponsabilidade na utilização dos dinheiros públicos cola bem na sensibilidade de uma classe média afogada em dívidas.
Para baralhar ainda mais a situação, notícias recentes dão conta das preocupações de Rui Rio, presidente da câmara do Porto, com a actual política social-democrata do “abaixo as obras públicas”. Rui Rio receia em especial a posição contra o TGV, com receio dos efeitos colaterais que tal orientação pode vir a ter a Norte, uma vez que considera muito importante a ligação entre Porto e Galiza.
Luís Filipe Menezes, por sua vez, quebrou o silêncio desde que saiu da liderança do PSD, para discordar frontalmente do questionamento do seu partido sobre as obras públicas previstas.
Neste jogo de espelhos entre PS e PSD, receio bem que o governo saiba menos do que diz, e que a oposição saiba mais do que finge saber.

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