Vícios privados, virtudes públicas

A suposta e proclamada superioridade moral, pela via religiosa, dos radicais islâmicos está hoje posta em causa.

Se repararmos nos princípios do governo talibã, onde se impõe a burka às mulheres – isto é, a proibição da sua existência visível enquanto mulheres, num mundo composto só de homens – ou nos ditames do regime iraniano, saudita e outros, temos que tomar consciência da tremenda hipocrisia reinante.

Soube-se agora que no covil de Bin Laden havia filmes pornográficos para dar e vender. As autoridades americanas andavam à procura de pistas que levassem a outros suspeitos, e acabaram por encontrar uma colecção de vídeos pornográficos na casa onde o líder terrorista se escondia, em Abbottabad, no Paquistão, em especial vídeos pornográficos. A agência de notícias Reuters cita mesmo fontes militares norte-americanas para afirmar que é comum encontrar-se material pornográfico em casa de militantes islâmicos. Apesar do esconderijo do Paquistão não ter ligação à Internet, muitos dos vídeos tinham sido descarregados da Web e estavam guardados num cofre no quarto do líder da Al-Qaeda. Não é crível, por isso, que não fossem pertença dele ou que ele desconhecesse que tinha tal material no quarto.

A religião normalmente serve da capa para os criminosos perpetrarem as suas malfeitorias. É assim com os extremistas islâmicos, mas também com os extremistas de todas as fés e ideologias, sejam elas quais forem.

É bem conhecida a vida pessoal podre, em particular no âmbito privado, de Mao e de tantos outros “queridos líderes” autocráticos, à volta do mundo e ao longo da História?

O exercício do poder, que tantas vezes chega às mãos de pessoas eticamente impreparadas, através dos acidentes históricos, é extremamente exigente para o carácter do indivíduo, que facilmente cede a pressões de toda a ordem.

Mas a verdade é que quem tem alguma experiência de vida sabe que, quando alguém é inflexível e intolerante para com os erros alheios, normalmente tem rabos-de-palha. Tem pecados escondidos e medo de que os tais venham à luz.

Além disso não acredito lá muito nas proclamadas virtudes públicas dos homens públicos. São cada vez mais coisas fabricadas pelos assessores de imagem.

Fonte: Brissos Lino, Jornal O Setubalense, 20/5/11.

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