Parábola da mulher enganada

Era uma vez uma mulher que casou com um homem, embalada por promessas de um futuro radioso, e com ele viveu durante seis anos.

Nos primeiros tempos tudo corria bem. Mas a verdade é que, passados alguns anos, fosse por má cabeça dele ou por tudo estar a correr mal no emprego, a crise ou lá pelo que fosse, o dinheiro começou a faltar e o governo da casa complicou-se seriamente.

O marido disse à mulher que tinham de cortar despesas, tanto neles como nas crianças. Mas isto aconteceu uma, duas, três vezes e começou a cansar. O dinheiro era cada vez menos e os credores estavam quase a bater à porta, dizia-se.

À quarta vez em que o marido exigiu sacrifícios, a mulher entendeu que não queria mais aquela relação. Estava cansada, desgastada pelas dificuldades e decidiu largá-lo e pôr-lhe as malas à porta.

Cheia de ressentimento acabou por se juntar logo com outro, mais novo, muito bem-falante e bem-parecido, que lhe andava a arrastar a asa há muito.

De início tudo parecia lindo. Mas rapidamente as coisas azedaram, pois o novo companheiro depressa se revelou imaturo, incapaz e irresponsável. Sobretudo andava sempre a mudar de opinião e de rumo. Se um amigo lhe dizia: “faz assim”, ele fazia, para agradar, sem pensar pela sua cabeça, pois logo a seguir vinha outro que lhe dizia o contrário. E ele mudava de rumo outra vez, no mesmo dia. Uma desgraça.

O pior foi quando o novo companheiro começou a bater nos filhos dela, ainda menores, e os pôs a trabalhar em tarefas pesadas demais para a sua idade: “tem que ser”, dizia ele, “o tipo que vivia contigo antes é que tem a culpa disto”. Mas ele não prescindia das coboiadas com os amigos, com dinheiro a rodos. Uma coisa não tinha nada que ver com a outra, dizia, irritado, quando confrontado pela mulher.

Foi aí que a mulher começou a perceber a asneira que tinha feito ao despedir a marido, mas já era tarde. Ele emigrara para bem longe, com o desgosto.

Então a mulher pensou, pensou e decidiu. Acabaram-se as relações. A partir de agora sou só eu e os meus filhos. Não admito que ninguém lhes toque. Não quero saber de homens para nada. Já chega. São todos iguais. Só pensam neles e nas coboiadas com os amigos. Má sorte ter sido mulher.

Fonte: Brissos Lino, O Setubalense, 3/6/11.

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