Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

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O fim de um mundo, na visão de José Mattoso

 

 
Para os primeiros cristãos, esta exclamação ["Ora vem Senhor Jesus"]pressupunha que a segunda vinda de Jesus Cristo, depois da sua morte e ressurreição, estava já próxima. O que se pedia então não era um encontro espiritual com Jesus, mas a sua vinda efectiva, visível, como juiz supremo da humanidade, para separar os bons dos maus e instaurar no mundo o Reino de Deus. A sua vinda cósmica encerraria o tempo do mundo. Seria precedida ou acompanhada de acontecimentos catastróficos que abalariam todo o Universo e permitiriam o triunfo definitivo dos justos sobre os pecadores. O “Vem Senhor Jesus” não é, portanto, na sua origem, um chamamento místico, mas um clamor apocalíptico. É um grito de apelo, da parte de quem não receia o fim do mundo, antes o deseja ardentemente. Nesse contexto, o fim do mundo invoca-se, chama-se, se possível apressa-se, mesmo que traga o sofrimento e a morte, porque a situação que faz soltar esse grito se considera pior que tudo. Contém um sentimento de que a injustiça, a crueldade e a violência que invadiram o mundo inteiro são insuportáveis. Deseja-se que o tempo da iniquidade e do terror acabe de vez e para sempre.
 
Mas para os cristãos de há quarenta anos os pressupostos eram bem diferentes. Como recordam, decerto, os mais velhos aqui presentes, eram anos cheios de esperança ( os mais cépticos dirão: cheios de ilusões ). Muitos de nós julgávamos, com toda a sinceridade, que tínhamos chegado ao limiar de um mundo mais justo e mais fraterno. Esperávamos também, simbolicamente, os que éramos cristãos, a vinda próxima do Reino de Deus, mas queríamo-lo na terra, para nela instaurar uma era liberta da opressão e da injustiça. 
 
Começo as minhas considerações de hoje a dois momentos históricos tão distantes entre si – o do princípio da era cristã e o dos anos sessenta deste século – para mostrar que, na passagem do segundo para o terceiro milénio, em que hoje nos encontramos, se perderam as ilusões acerca da proximidade de um mundo melhor ou até de ele algum dia se poder implantar na terra. Hoje ninguém mais deseja a vinda do Reino de Deus. Perdemos a esperança. Não esperamos coisa alguma depois da catástrofe irreparável que parece aproximar-se da humanidade. Os cristãos construiram uma das religiões mais espalhadas sobre a terra. O seu sentimento optimista perante o fim do mundo resultava da convicção profunda de que os males da humanidade tinham conduzido os homens a uma perversidade tal que só podia provocar a intervenção divina para eliminar o mal e purificar a terra por meio da destruição. Mas depois viria o Reino de Deus. 
 
Depois das esperanças de liberdade, de justiça, de democracia, de vitória sobre a exploração do homem sobre o homem que nos animaram nos anos sessenta, e que nos nossos dias se dissiparam, voltou para muitos o sentimento da proximidade do fim dos tempos, mas não a esperança de um mundo melhor. Assiste-se a uma proliferação de catástrofes naturais e à dissolução dos fundamentos da sociedade. Não sabemos mais como restaurar a ordem e a segurança. Não desapareceu o espectro da bomba atómica que aterrorizou tanta gente depois da Segunda Guerra Mundial, e agravou-se a ameaça, a médio ou a longo prazo, de um imenso desastre ecológico. Penetram por toda a parte, até, por vezes, no nosso espaço doméstico, dois espectro não menos pavorosos – o da Sida e o da Toxicodepedência – com o seu cortejo de  miséria e humilhação. De consequências ainda mais vastas é o agravamento do fosso que separa os pobres dos ricos, por causa da globalização da economia e da irresponsabilidade da alta finança.  Afastou-se da nossa mente a imagem  do fim do mundo como destruição física da terra pelo fogo, mas vemos acumularem-se os riscos do caos social e do descontrolo global da natureza. [...] Não podemos imaginar nenhum milénio que arranque o poder discricionário aos senhores deste mundo, como pensavam outrora os milenaristas que punham nele as suas esperanças , porque sabemos pela TV e os jornais que o peso dos terramotos, tsunamis e tornados recai sobre os indefesos, os oprimidos, os excluídos e os pobres, e não sobre os ricos. O que desejamos é estar do lado destes e não daqueles. O que perguntamos é se podemos continuar a ter o nosso carro e os nossos electrodomésticos. O futuro milénio não traz a esperança, mas o medo de uma luta implacável por bens escassos ou mal repartidos: por agora o dinheiro; dentro em breve, provavelmente, a gasolina, a energia eléctrica, a água, o ar despoluído, os lugares menos ameaçados pelas cheias, a carne dos animais sem vírus, os legumes sem pesticidas, os alimentos conservados sem aditivos, as árvores poupadas pelos incêndios[...].
 
Tal como o Apocalipse de outrora, também este resulta , em última análise, de uma crise de valores. Pedimos a segurança garantida pela polícia, a qualidade dos produtos vigiada pelos inspectores económicos, a disciplina dos alunos nas escolas, mas esquecemos que o recurso à polícia, aos inspectores e aos professores resulta de se ter  generalizado o desprezo pelos valores fundamentais em que se baseia a ordem social e pelos ditames da consciência. As convicções morais são impotentes para combater os interesses das empresas destruidoras dos recursos naturais e os fabricantes de produtos industriais cuja nocividade ninguém pode controlar. Ninguém quer renunciar ao conforto e ao consumo. Nenhuma empresa que limitar os seus lucros[...]. Secularizada a moral, apela-se à ética e à cidadania, mas não se consegue restaurar o carácter absoluto dos ditames  da consciência que era garantido pelo carácter sagrado dos seus preceitos. Não falámos ainda da dissolução da família. Há um novo conceito de família, mas os antigos modelos não foram substituídos por novas células capazes de enquadrar adultos e crianças com a mesma eficácia que a família de outrora; da ausência de critérios morais na experimentação e utilização das novas tecnologias, nomeadamente na genética; do fim da moral sexual; do terrorismo urbano; da corrupção das ditaduras africanas; dos genocídios; da inoperância das deontologias profissionais; do uso alienante do marketing económico e político; das distorções do sistema educativo; da lentidão do sistema judicial; da fraude política e económica; da programação televisiva reduzida aos mais baixos patamares da vulgaridade. A lista é quase infindável.
 
O rosário das perversões tem, nos nossos dias, algo de peculiar por comparação com crises análogas de outros tempos. Nestas podia haver infracções generalizadas dos valores morais mas não a dúvida ou o desprezo pelos valores em si mesmos; houve lutas entre sistemas de valores opostos, mas não descrença na sua necessidade. Num mundo compartimentado, com poucos contactos entre povos e nações, as crises eram limitadas. Não há memória de uma crise universal. Mas a globalização não multiplicou a prosperidade. Propagou a violência implacável da oposição de interesses. Com ela, generalizou-se também o desprezo pelos códigos e referências morais socialmente aceites. Desaparecidas as doutrinas que as sustentavam, surgiu a dúvida acerca dos seus fundamentos. Quem fala, hoje, em bem, beleza, justiça, solidariedade, bem comum, autoridade, humanismo ? E se alguém fala de tais valores, quem se deixa persuadir por tais discursos ? Muito pelo contrário: julga-se que quem maios invoca esses ideais é quem menos acredita neles.
 
Prof. José Mattoso
Fonte: Ab-integro, do livro Levantar o Céu – os Labirintos da Sabedoria, págs. 26-31, edição Círculo de Leitores.

Ficção e “ficção”

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Como se vê, pela notícia do Expresso, os portugueses neste fim de ano não largam a ficção. Não só como género literário (mesmo quando não se pode falar propriamente de Literatura), mas também quando a classificação é de “não-ficção”, continuam no campo de uma “ficção” ainda mais pobre.

Do estatuto do crítico

 

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O exercício da crítica implica autoridade. O crítico precisa não apenas de possuir conhecimentos mínimos sobre a matéria em questão, mas sobretudo de ter autoridade moral para falar.

O crítico que em circunstâncias semelhantes agiu de forma semelhante ou pior à situação que censura, não recebe crédito e a crítica cai em saco roto.

O crítico que censura quem fez mal, mas fica de fora sem se envolver nem dispor a dar o seu contributo pessoal, também não tem condições para ser ouvido.

O crítico que tem interesse directo ou indirecto na matéria em análise, dificilmente será dissociado do mesmo.

Todavia, não necessita ser especialista numa dada matéria que influencia a sociedade para se pronunciar, pois para lá das questões especificamente técnicas o mais importante são os resultados, o impacte social. É por isso que os governos não devem ser constituídos por especialistas ou sábios, que tendem a ver a árvore e não a floresta, mas sim por políticos.

E à frente deles deveria estar sempre um estadista. O que é cada vez mais raro.

Palavras perdidas (1146)

“O melhor livro sobre a variante portuguesa das PPP (parcerias público-privadas) continua a pertencer a Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas (Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro, Lisboa, Caderno, 2010). Entre 1992 e 2010, Portugal transformou-se no campeão europeu das PPP. Isso significa que, nessa matéria, não há quase ninguém de mãos limpas no atual regime político. De Cavaco Silva a José Sócrates nenhum primeiro-ministro, nenhum governo, nenhum partido do arco da governação estão isentos de responsabilidades. A explicação mais imediata para as PPP reside, para além da vantagem eleitoral de fazer obra de vista larga a ser paga no futuro, num expediente para fugir às limitações do défice orçamental (3% do PIB) e da dívida pública (60% do PIB) em que assentou a União Económica e Monetária (UEM).”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Mas era preciso ir tão fundo?

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Os espertos dos alemães venderam-nos os submarinos, que nos custaram os olhos da cara. Agora nós andamos a vender os aeroportos e a TAP, para equilibrar as contas. Bem dizem alguns que o destino português não é a Europa mas sim o mar. Mas também não precisávamos de “mergulhar” tão fundo…

Palavras perdidas (1145)

“O semicavaco, um conceito ignorado pela ciência política.
O actual Presidente da República transformaria qualquer sistema presidencialista num semipresidencialismo, dada a sua semitendência para ser constantemente semi. Cavaco sempre foi um semipolítico
Quando se diz que o sistema político português é semi-presidencialista, o aspecto fundamental a reter é aquele “semi”. Neste momento, o nosso semipresidencialismo deve-se ao facto de termos um semipresidente particularidade teórica que Maurice Duverger não teve imaginação para antecipar. O actual Presidente da República transformaria qualquer sistema presidencialista num semipresidencialismo, dada a sua semitendência para ser constantemente semi. Cavaco sempre foi um semipolítico. Por um lado, sempre disse que não era político, dando a entender uma certa repugnância por essa actividade; por outro, rodeou-se de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Duarte Lima e de todos aqueles senhores que foram aparecendo semanalmente na primeira página d’ O Independente. Neste momento, é um semirreformado: por um lado, trabalha; por outro, optou por recusar o salário e recebe uma reforma.
Quanto ao orçamento de Estado, Cavaco é semicontra. De acordo com o Expresso, o Presidente tem muitas dúvidas relativamente à constitucionalidade do documento. Por isso, vai promulgá-lo.”

(Ricardo Araújo Pereira, Visão)

Fenómenos naturais espectaculares

 

Às vezes, o mundo moderno pode dar uma sensação de conexão com o mundo natural.

Como remédio ao estresse do novo milênio, aqui vão dez dos mais espetaculares fenômenos naturais que a Terra pode oferecer.

 

10 – MIGRAÇÃO DAS BORBOLETAS-MONARCA

 

A borboleta-monarca (Danaus plexippus) oferece um dos visuais mais incríveis do reino animal. Individualmente, elas são de cor laranja e preta, mas quando se unem para migrar, elas preenchem o ar com cor. Seu caminho, nessas migrações, cobre uma grande parte da América no Norte.

Elas migram devido à sua fragilidade ao frio, então, conforme o inverno se aproxima, elas vão para o sul. Nessas regiões, elas podem viver em grandes grupos que colorem as árvores.

 

9 – GÊISER

 

O gêiser é uma demonstração espetacular do poder da Terra no subsolo. Gêiseres são nascentes de rios que, quando a pressão sobre muito, entram em erupção periodicamente e jogam água para os ares. O fenômeno ocorre no mundo inteiro, mas cerca de metade do número total de gêiseres estão no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Lá está o maior gêiser do mundo, o Steamboat, que joga seu jato até 90 metros de altura.

Os gêiseres podem, como a maioria dos fenômenos naturais, serem um pouco imprevisíveis, o que pode ser perigoso e já levou a morte algumas pessoas que quiseram chegar perto demais.

 

8 - NOCTILUCA SCINTILLANS

 

Florescimento de algas não soa muito espetacular. Mas no caso da Noctiluca scintillans, o evento é uma das paisagens mais incríveis do mar. Quando ocorre uma explosão na população dessas dinoflageladas, o mar parece estar em chamas azuis. Quando incomodadas, elas liberam um raio de luz azul. Isso pode levar nadadores noturnos a experiências assustadoras. Elas estão pelo mundo inteiro.

 

7 – RODOPIOS DE FOGO

 

Tornados são eventos assustadores, mas adicione fogo a eles e você vai ficar com mais medo ainda. Os tornados de fogo acontecem quando o calor do fogo move o ar de tal maneira que forma um vórtex. Com isso, um “raio” de fogo giratório sai das flamas.

Esse evento pode se incrivelmente perigoso. Quando Tóquio sofreu o terremoto de 1923, um tornado de fogo enorme foi criado pelo número muito grande de prédios em chamas. Esse evento foi responsável pela morte de 38 mil pessoas.

 

6 – PILARES DE LUZ

 

Em climas muito frios, quando cristais de gelo ficam suspensos na atmosfera, pilares de luz podem se formar no céu. Eles podem ser criados por fontes naturais de luz, como o sol, mas também acontecem pelo efeito do homem. Os cristais de gelo refletem a luz para nós e, como não podemos ver os cristais, pensamos que é um pilar de luz. Quando mais altos estiverem os cristais, mais alto será o pilar.

 

5 – NUVENS LENTICULARES

 

As nuvens, que parecem formações de OVNIs, são fenômenos raros e rendem fotos incríveis. Normalmente o ar se move muito mais na horizontal do que na vertical. Mas em alguns casos, como naqueles em que o vento provém de uma montanha ou colina, oscilações verticais relativamente fortes surgem quando o ar se estabiliza. O resultado pode ser uma nuvem lenticular com uma forte aparência de camadas.

 

4 – LAGOS DE LAVA

 

Lava – rocha derretida – geralmente só fica visível em erupções vulcânicas violentas. Entretanto, existem cinco pontos na Terra onda a lava está na superfície em piscinas relativamente pacíficas. Esses pontos são de grande valor científico, pois oferecem a chance de coletar amostras que não foram contaminadas pela violência das erupções. Eles são um acesso direto ao núcleo derretido da Terra. A noite, os lagos brilham com o calor que radiam.

 

3 – TEMPESTADES DE AREIA

 

As tempestades de areia são espetaculares de serem vistas, mas muito devastadoras se você está dentro. Elas fazem os viajantes dos desertos se perderem ou até mesmo serem soterrados pela areia.

As tempestades ocorrem quando um vento muito forte levanta as partículas de areia e as leva embora. A cada ano, quarenta milhões de toneladas de pó são carregados do Saara até a bacia Amazônica. A retirada do solo superior pode destruir a agricultura ou depositar minerais necessários. Mas as tempestades de areia são com certeza uma das imagens mais incríveis do poder da natureza.

 

2 – ECLIPSES SOLARES

 

A Terra é agraciada por ter uma lua que, em momentos de eclipse, cobre perfeitamente o disco solar. Isso acontece porque o diâmetro do sol é aproximadamente 400 vezes maior do que o da lua, mas também está 400 vezes mais longe dela. Durante um eclipse solar total, a corona, uma camada de plasma ao redor do sol, fica visível. Os eclipses têm fascinado a humanidade há muito tempo, e já são previstos e compreendidos há milênios.

 

1 – AURORA

 

Há espetáculo natural mais incrível do que a aurora? Uma parede verde – ou de outras cores – subindo silenciosamente no céu, recheada de linhas coloridas… O fenômeno acontece quando partículas ejetadas pelos ventos solares são canalizadas pelo campo eletromagnético para dentro da atmosfera. Conforme elas entram na atmosfera, ionizam átomos que liberam luz. Algumas pessoas afirmam ouvir um barulho de algo quebrando quando a aurora é muito intensa, mas isso nunca foi confirmado.

 

Fonte: Bernado Staut, no HypeScience, via Pavablog.

Apologia da Crítica

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Criticar, numa sociedade livre, é um acto de cidadania que contraria o amorfismo, a apatia, a descrença e a hipocrisia.

O cidadão que age de boa-fé critica porque discorda, porque pensa que se pode fazer melhor, em benefício da comunidade, porque se sente parte dessa mesma comunidade, estando disposto a assumir a sua parte na responsabilidade da coisa pública.

Quem critica, no bom sentido da palavra, não usa do habitual egoísmo social, não se acomoda, defende o bem geral, preocupa-se.

Quem está no poder e não tem sentido de responsabilidade e liderança, normalmente lida mal com a crítica. Mas toda a crítica positiva merece reflexão, porque ajuda quem decide a prestar atenção a diferentes perspectivas, nem sempre previamente consideradas.

Numa sociedade democrática o escrutínio é fundamental, pois só ele permite a transparência e manter os padrões éticos.

Quanto ao vício do criticismo, isto é, a crítica destrutiva, vale tanto como a maledicência, a calúnia, o falso testemunho. Pertence ao cano de esgoto.

O mau hábito de meter toda a crítica no mesmo saco constitui uma tentativa subtil de censura, de promover o pensamento único. Seja lá onde for.

 

As 10 profecias do fim do mundo que falharam


Profecia do fim do mundo com data marcada é um fenômeno assim meio sazonal. Mal uma é desmascarada como falsa, surge outra no seu lugar.
É um caso cíclico de lendas e mitos divulgados por pessoas que se acham iluminadas, mas não aprendem com os erros dos “profetas” que lhes antecederam.
Na edição de 20 de maio de 2011, ainda sob o impacto do “fim do mundo” que o pastor norteamericano Harold Camping havia previsto exatamente para aquele dia, a revista Time publicou a sua lista das 10 mais famosas profecias apocalípticas que falharam.
Curiosamente, todas as profecias têm em comum o sentido de urgência. Aguarda-se o apocalipse para muito breve, e todos devem proceder com a rapidez desejada para tanto, e, cá entre nós, faz tempo que a sabedoria popular diz que a pressa é inimiga da perfeição.
Agora, diante da perspectiva de mais um dia do fim do mundo fracassado, no caso hoje, 21/12/12, nada melhor do que relembrar aquela matéria da Time, com as devidas adaptações:
1) Os milleritas
Eles tomaram esse nome em função de terem seguido o pastor William Miller, a quem a revista Time chama de “provavelmente o mais famoso falso profeta da história”.
Miller começou a pregar o fim do mundo no começo da década de 1840, dizendo que Jesus retornaria à Terra e o planeta arderia em fogo em algum ponto entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844.
A mensagem de Miller foi amplamente divulgada e cerca de 100.000 seguidores seus venderam tudo o que tinham e foram para as montanhas esperar o fim predito.
Entretanto, quando o período anunciado passou em brancas nuvens, Miller disse que havia cometido um “equívoco” nos cálculos, e marcou a nova data do fim do mundo para 22 de outubro de 1844. Novo fiasco.
Esse dia passou para a história americana como o “Dia da Grande Decepção”, mas boa parte dos seguidores de Miller se reagrupou alguns anos depois sob o comando de Ellen G. White, vindo a formar a igreja adventista do sétimo dia, que manteve o dia 22/10/1844 como a sua peculiar doutrina do “juízo investigativo”, em que Cristo teria retornado aos céus, ao Santo dos Santos, para terminar sua obra de expiação dos pecados.
2) Harold Camping, 1994 e 2011
O pastor americano é reincidente na triste função de falso profeta. Em 1992 ele já havia previsto a segunda volta de Cristo e o fim do mundo para alguma data em meados de setembro de 1994.
Depois que sua “profecia” fracassou, Harold Camping disse que estava triste mas isso não o incomodava nem um pouco.
O segundo fracasso de 2011, entretanto, parece que convenceu o frustrado pastor futurólogo a aposentar sua bola de cristal.
3) A profecia maia
Hoje, 21 de dezembro de 2012, é exatamente o dia em que o calendário maia termina, segundo algumas fontes.
Entretanto, existe uma grande controvérsia sobre se o calendário maia foi corretamente interpretado, o que não impediu que muita gente entrasse em pânico com a simples possibilidade de que ele pudesse estar certo.
De qualquer maneira, livros foram escritos, filmes foram produzidos e – como sempre – muito dinheiro se ganhou com o pânico gerado pela previsão midiática.
Sinal de que, diante do fracasso do apocalipse maia, novas profecias virão em seguida, a fim de que alguns espertalhões continuem ganhando muita grana às custas dos incautos.
4) William Branham
Também conhecido como “Irmão Branham”, o pastor pentecostal estava numa de suas pregações públicas em 28/12/1963 no Estado do Arizona (EUA), quando uma “linda e misteriosa nuvem” teria deslizado pelo deserto.
William Branham então subiu à montanha Sunset, onde, segundo alegou posteriormente, teria se encontrado com sete anjos que revelaram a ele o significado dos sete selos do livro do Apocalipse.
Alguns dias depois, já no Tabernáculo Branham de Jeffersonvile (Indiana), o pastor pregou sete sermões por sete noites, explicando o significado dos selos e das sete visões que ele teria recebido, concluindo que Jesus retornaria à Terra em 1977.
Não houve tempo, entretanto, para que Branham visse sua previsão dar com os burros na água, já que ele morreu na noite de Natal de 1965, seis dias após um motorista bêbado ter colidido seu carro com o do pastor.
5) Os anabatistas de Munster
Nos conturbados anos que se seguiram à Reforma Protestante, surgiram não só as igrejas reformadas tradicionais que conhecemos hoje em dia, mas várias seitas milenaristas e apocalípticas que incomodaram profundamente os próprios reformadores.
Entre os anabatistas não estavam somente “pessoas que batizam de novo”, como a raiz grega do nome evoca, mas anarquistas e revolucionários de todo tipo que pregavam um mundo sem ordem e hierarquias enquanto aguardavam – para muito breve – o retorno de Cristo.
Na década de 1530, milhares de camponeses alemães tomaram a cidade de Munster, e ali ficaram entrincheirados numa espécie de sociedade protocomunista medieval, dizendo que Munster era a Nova Jerusalém, na qual esperavam a segunda vida de Jesus.
Entre eles estava Jan Bockelson, um alfaiate de origem holandesa, que se declarou o “messias dos últimos dias”, virou polígamo, emitiu moedas que profetizavam o apocalipse urgentemente vindouro e dominou cruelmente toda a população de Munster.
O fim veio para Bockelson em 1535, quando a cidade foi tomada e a população dizimada pelas forças dos príncipes alemães. O detalhe tétrico é que há quem diga que os testículos de Bockelson foram pregados no portão de entrada de Munster.
6) Agonia do planeta de Hal Lindsey
Hal Lindsey é um pastor e escritor americano, nascido em 1929, que ficou muito conhecido nos anos 1970 por seu livro best seller “The Late, Great Planet Earth”, traduzido no Brasil por “A Agonia do Grande Planeta Terra”, publicado no Brasil pela Ed. Mundo Cristão.
Lindsey foi um dos grandes expoentes do dispensacionalismo (corrente teológica que divide a história do mundo em “eras” ou “dispensações” dos desígnios de Deus), e no livro em questão, tomando como base sobretudo o retorno do povo judeu a Israel algumas décadas antes, predisse que o mundo terminaria em alguma data pouco antes de 31 de dezembro de 1988.
Na esteira das previsões de Hal Lindsey, Edgar Whisenant publicou em 1988 o livro “88 Reasons Why the Rapture Will Be in 1988″ (“88 Razões pelas quais o Arrebatamento Acontecerá em 1988″), que (como todo bom “fim do mundo”) vendeu pra caramba, 4.500.000 de cópias, deixando seu autor envergonhado pela falsa profecia, mas com uma gordíssima conta bancária para afogar suas lágrimas de crocodilo.
Aliás, esse é outro detalhe curioso. Porque esses “profetas” gostam tanto de ganhar dinheiro com livros, vídeos, conferências e afins, se não vão ter tempo de gastá-lo?
Os ensinos de Lindsey continuam populares até hoje, já que a famosa série “Left Behind” (“Deixados para Trás”), de Tim LaHaye e Jerry Jenkins, continua vendendo muito bem, obrigado, e não é nada mais nada menos do que a oferta das mesmas ideias requentadas da agonia do planeta Terra da década de 1970.
Não vai tardar muito, portanto, para reaparecer uma “profecia do fim do mundo” nesses mesmos moldes. Dá grana!
7) O “bug” do milênio
Os mais jovens não se lembrarão disso, mas a maioria recordará o furor que tomou conta do mundo por ocasião da virada do ano 1999 para o ano 2000.
O temor de uma catástrofe mundial se baseava no fato de que a imensa maioria dos computadores de então, por uma questão de economia de equipamento, havia previsto apenas duas casas para designar o ano na data (o famoso campo Y2K).
Desta maneira, quando 1999 virasse para 2000, o risco era que, naquela meia-noite específica, os computadores de bancos, empresas aéreas, fornecedoras de serviços públicos, etc., entendessem que o mundo havia voltado a 1900 e alastrassem o caos pelo planeta.
Associe a esse dado tecnológico ao ditado popular “até 2000 chegarás, de 2000 não passarás” (que de bíblico não tem nada), e – pronto! – a confusão está estabelecida.
Apesar de todo o pânico prévio gerado pelo bug do milênio, nenhum incidente cibernético de monta foi registrado nos primeiros dias do ano 2000. Outro grande logro que também vendeu p’ra caramba…
8) O Ramo Davidiano
Depois de uma infância para lá de problemática e passagens pelas igrejas batista e adventista, David Koresh (nascido oficialmente como Vernon Wayne Howell) se juntou em 1981 à seita Ramo Davidiano, um grupo dissidente dos adventistas que se formou na década de 1950.
A seita davidiana era baseada em Waco, no Estado do Texas (EUA), num rancho que eles denominaram de Monte Carmelo. Não demorou muito, entretanto, para que Koresh decidisse alçar, digamos, voos próprios.
Em 1983, ele se autoproclamou profeta, e após uma sucessão de intrigas dentro da seita, que incluíram assassinatos de líderes concorrentes, Koresh convenceu vários seguidores a se juntarem a ele no rancho em Waco para aguardar o fim do mundo.
Só que o fim do mundo, lamentavelmente, veio na forma de um cerco das autoridades americanas, que durou 50 dias e exterminou da face da Terra dezenas de seguidores de Koresh, além dele próprio e alguns policiais.
9) Testemunhas de Jeová
A seita faz de tudo para que o mundo esqueça que seu fundador, Charles Taze Russell, havia previsto o “retorno invisível” de Jesus em 1874, que “prepararia” a sua Segunda Vinda em 1914.
O início da Primeira Guerra Mundial neste ano, fez com que Russell decretasse o “fim da era dos gentios”, o que se confirmou, na verdade, como mais uma previsão furada. Ele morreria em 1918,  deixando aos seus sucessores a difícil tarefa de explicar por que o fim não chegou no ano previsto.A solução destes foi apontar 1914 como aquele retorno invisível de Jesus que fora previsto para 1874 (data que seria posteriormente varrida pra debaixo do tapete).

Afinal, a Primeira Guerra Mundial era um evento importante demais para não ser aproveitado como evidência, já que – bem ou mal – eles haviam previsto alguma coisa estranha para aquele ano.

Só que as previsões para o fim do mundo não parariam por aí. O segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, Joseph Franklin Rutherford, faria ainda uma previsão para 1925, quando os profetas do Antigo Testamento seriam ressuscitados.

Para acomodá-los (fisicamente falando), ele construiu a casa conhecida como Beth Sarim (“Casa dos Príncipes”), e – já que felizmente ninguém viu Isaías e Jeremias andando por aí – depois de 1925 a “hospedaria profética” sem uso acabou se tornando sua própria residência, onde morreria em 1942.

Um novo fim do mundo seria ainda previsto para 1975. A Torre de Vigia alegava que a criação do homem completaria 6000 anos naquele ano específico. E como em uma semana cujos dias equivalem a 1000 anos (2ª Pedro 3:8), os próximos 1000 anos seriam uma espécie de “milênio sabático”.

Mais uma vez a data passou em branco, e atualmente nenhuma testemunha de Jeová conhece tal previsão.

 

10) O incêndio londrino de 1666
O número 666, como a maioria das pessoas desconfia, tem um significado místico-cabalístico que transcende aquele registrado como “a marca da besta” no livro de Apocalipse (cap. 13, v. 18).
As pessoas até suspeitam que o número 666 tem alguma, digamos, “maldição embutida”, embora nem sempre saibam exatamente a sua origem.
Imagine agora como se sentiam os europeus às vésperas do ano 1666, sobretudo no ano 1665, quando uma praga varreu 100.000 pessoas de Londres, matando 1/5 da população local à época.
Se já havia rumores de que o fim do mundo se aproximava, a praga só os reforçou, até que no dia 2 de setembro de 1666 um incêndio aparentemente inofensivo começou numa padaria da Pudding Lane e – rapidamente – se alastrou pela cidade, queimando 13.000 edifícios e dezenas de milhares de casas durante 3 dias do mais absoluto terror.
Apesar do pânico gerado (por motivos urgentes e reais, registre-se), quando o fogo baixou e as cinzas se assentaram, pouco menos de 10 pessoas morreram, e o fim do mundo foi adiado mais uma vez, exatamente como ocorre hoje, 21 de dezembro de 2012.
Vamos ver qual é o próximo fim do mundo na fila… urgente!

Fonte: Hélio Pariz, Pavablog.

 

Incompetência e memória curta

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Ano de 1993: com a economia portuguesa a ruir, um alucinado Braga de Macedo, então ministro das Finanças, foi à Assembleia da República gritar a plenos pulmões que o país era um “oásis”. Este sketch parlamentar resistiu à passagem do tempo. Quem não resistiu foi Braga de Macedo: após um breve compasso de espera, Cavaco calçou-lhe uns patins.

Quem era o homem que, em 1992, fez as previsões para Braga de Macedo? Um tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que chefiava o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças. Onde falhou ele nas previsões? Falhou em tudo — na evolução da economia e na arrecadação das receitas fiscais. Veja-se:

• Gaspar previu um crescimento do PIB de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%, ou seja, o pretenso “oásis” que Braga de Macedo anunciava acabou numa recessão;
• O Orçamento do Estado para 1993 previa um encaixe à volta de 3.340 milhões de contos (16.660 milhões de euros) com as receitas correntes, mas houve necessidade de fazer um orçamento rectificativo que já estimava menos 364,7 milhões de contos (1,8 milhões de euros), porque a receita fiscal teve um desempenho bem pior do que “se” estava à espera.

Vinte anos depois, o tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que levou Braga de Macedo a estatelar-se contra a parede em 1993, não vos lembra ninguém?

Na iminência de um gesto

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Só sabia falar de Deus com gesto solene.

(Blasco Ibáñez)

 

 

 

Na iminência de um gesto a decidir

a mão rude bordeja o sagrado

hesitante e delicada

em pensamento

os olhos ficam-se a contornar

o rosto distante

divino inefável

entre velas e véus

que escondem revelando

os mistérios do Senhor.

 

 

 

© Brissos Lino

20/12/12

Uma luz de Esperança

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O nascimento de uma criança, para lá do significado em si mesmo para a família, representa sempre um conjunto de expectativas e de esperanças.

Fala simbolicamente de um novo começar, de algo que comporta um futuro e que nesse futuro tudo é possível. Uma criança que nasce representa muitas vezes uma nova oportunidade para o casal que a gerou, outras vezes uma reconciliação familiar e, em todo o caso, um remoçar dos adultos que giram à sua volta.

Talvez tenha sido por isso que Deus, a certa altura da História, decidiu intervir na vida dos homens desta forma. Tornou-se Homem, mas na condição de criança que nasce. Que é anunciada, que é esperada e que nasce por fim.

Mas, curiosamente, não nasce como príncipe mas sim pobre e no meio de um conjunto de contrariedades e dificuldades. No decurso de uma viagem forçada, os seus pais não conseguiram encontrar abrigo e acaba por vir à luz na manjedoura de uma estrebaria, aconchegado pelo calor dos animais que ali pernoitavam.

Mas o facto é que Ele nasceu sendo o Messias de Israel, anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, e o Salvador do mundo, apesar daquelas condições e circunstâncias deploráveis.

Há um conjunto de significados neste quadro do Natal. Desde logo, a esperança que este nascimento trazia a Israel e que o velho Simeão tão bem soube interpretar quando os seus pais foram ao templo com o recém-nascido. Aquele bebé personificava a remissão de um Israel mergulhado na corrupção religiosa e a salvação dos gentios, que permaneciam nas trevas espirituais. Representava um novo começo.

Neste tempo de profunda crise financeira, económica, social e espiritual, nesta época de descrença, importa olhar para o sentido profundo do nascimento de Cristo e sublinhar a esperança que ele simboliza, levando-nos a levantar os olhos das circunstâncias adversas que nos rodeiam e olhar para cima, de modo a entendermos que, se o homem é apenas “pó e trevas”, no dizer do poeta latino Horácio, em Jesus Cristo podemos ver uma luz de esperança, uma inspiração para o tempo presente, um ânimo para as dificuldades, um desafio à nossa fé.

Desejo um Natal Abençoado a todos os leitores.

 

Fonte: Brissos Lino, jornal O Setubalense, 21/12/12.

Inquérito à população (antes do fim do mundo)

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O que lhe daria mais gozo fazer hoje, se pudesse, antes da meia-noite, uma vez que o mundo acaba amanhã? Responda às questões colocadas em baixo, fazendo um círculo à frente de cada uma, em volta do número, de acordo com o seu sentimento de momento. Tente responder a todos os itens, com sinceridade.

 

(1=Fraco; 2=Moderado; 3=Elevado; 4=Excelente)

1

Mudar o nome da Universidade Lusófona para “Fraternidade Miguel Relvas”?

1

2

3

4

2

Fazer uma valente mijadela no portão do Palácio de Belém?

1

2

3

4

3

Escavar um túnel desde Sete Rios até S. Bento, de modo a que os chimpanzés pudessem juntar-se à família que está no hemiciclo?

1

2

3

4

4

Furar os pneus a todos os aviões da TAP, uma vez aprovada a privatização?

1

2

3

4

5

Mudar o nome do seu cão para “Passos Coelho”?

1

2

3

4

6

Provocar a perda temporária da fala a Vitor Gaspar (pelo menos enquanto ele for ministro)?

1

2

3

4

7

Pregar um susto de morte à procuradora  Cândida Almeida?

1

2

3

4

8

Propor a música pimba como património cultural imaterial da UNESCO?

1

2

3

4

9

Acabar de vez com o Fado?

1

2

3

4

10

Fazer crescer uma bigodaça monumental a Alberto João Jardim?

1

2

3

4

11

Ver os banqueiros portugueses a recorrer à sopa dos pobres?

1

2

3

4

 

Reflexões sobre o fim do mundo

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O fim do mundo é o que agarra. E o pessoal quer mesmo ser agarrado. Agarrado por uma pessoa, uma coisa, um produto comercial ou uma data. Nem que seja a data do fim do mundo.

Para quem já experimentou o álcool, a droga, os intermináveis discursos de Fidel Castro, as missas em Latim, os pregadores da prosperidade, os vendedores de banha da cobra, as filas para consultas nos centros de saúde, os discursos de Passos Coelho, as explicações do Relvas, as declarações públicas da procuradora Cândida Almeida, as justificações de Vale e Azevedo, as festas bunga-bunga do Berlusconi, o misticismo da Alexandra Solnado, a inteligência de Lili Caneças, as fugas de informação do ministério público, a exuberância de José Castelo Branco, a caturrice do Gaspar, o sarcasmo de Pinto da Costa e a insolência de Jardim, pouco mais coisas na vida podem suscitar curiosidade ou até aquele frisson de que a malta gosta.

Por isso há que encontrar coisas novas. Aquela cena de suster a respiração até desmaiar já era. Mas o que está a dar agora são as práticas sado-masoquistas suscitadas pelas cinquenta sombras de Grey, o dirigir na autoestrada em contramão e as quebras do segredo de justiça.

Os Maias dizem que o mundo acaba depois de amanhã. Eles eram espertos, toda a gente sabe. Senão o Eça não teria escrito um romance famoso com esse título. E não seriam também uma das veneráveis famílias ciganas em Portugal.

Portanto, nada de gozar com o fim do mundo. Até porque esse evento está previsto para permitir sensações nunca antes experimentadas. É puro serviço público. Qual álcool, qual droga, quais desportos radicais, qual sobreviver em Portugal em 2012? Nada se compara a um fim do mundo de qualidade.

Venha ele. Especialmente para os agarrados, que o aguardam com nervosismo e ansiedade. Pela parte que me toca, passo.

Tou nem aí, gente…