Inclassificáveis desmandos

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A SIC pôs-nos no sapatinho um desassombrado trabalho de investigação feito pelo jornalista Pedro Coelho sobre o BPN. As ondulações da quadra não lhe deram, porém, a receptividade merecida, necessitada. Numa primeira parte, o programa revelou os saques feitos àquela instituição por dirigentes seus, empresários, ex-ministros, ex-deputados; numa segunda, os saques dos governantes aos governados através de confiscos de subsídios, ordenados, pensões, direitos generalizados – por causa de tão inclassificáveis desmandos. Rui Tavares sintetiza: Oliveira Costa, director do banco, fez empréstimos a si próprio de 15 milhões; à filha Iolanda, de 3,4 milhões; ao braço-direito, Luís Caprichoso, de um milhão. Uma empresa de Duarte Lima (PSD) levantou 49 milhões; o ex-dirigente do mesmo partido Arlindo Rui, 75 milhões; Joaquim Coimbra (igualmente do PSD), 11 milhões; Almerindo Duarte, 23 milhões. No mundo do futebol, Aprígio dos Santos movimentou 140 milhões; empresa ligada a Dias Loureiro, 90 milhões – dinheiro que, por haver sido nacionalizado o BPN, os contribuintes têm de pagar. Só os juros anuais de um empréstimo de mais de 3 mil milhões atingem 200 milhões. Cerca de 500 importantes clientes recusam, entretanto, amortizar dívidas. Comissões parlamentares (duas), inquéritos policiais (20), processos judiciais (15 arguidos), não condenaram até agora ninguém. Apenas a comunicação social parece (ainda) funcionar neste reino de feudos e impunidades.

A cratera do BPN ronda 7 mil milhões de euros, o dobro do corte que o governo fará em 2013.

 

Fonte: Fernando Dacosta, Ionline.

Palavras perdidas (1148)

“Assim sendo, quando daqui a uns tempos o Tribunal Constitucional decretar, pela segunda vez consecutiva, que parte das receitas do Estado assentam numa iniquidade, ou o Governo vai ter de infletir toda a sua política, seguindo o que Cavaco recomenda, ou Cavaco vai ter de despachar o Governo. Se optar por esta segunda hipótese, já se sabe que preferirá fazê-lo sem crise política, ou seja tentando um novo Governo saído deste Parlamento, mas com outra liderança e, provavelmente, incluindo o PS.

Enfim, vai haver animação política. A menos que, feito o discurso, Cavaco se remeta à letargia em que viveu nos últimos meses. O que também é uma hipótese a considerar. “

(Henrique Monteiro, Expresso online)

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