Dentro de uma jaula junto… aos ursos polares

 

 

Sabe aquelas experiências que consistem em mergulhar numa jaula para ver os tubarões? Gordon Buchanan, operador de câmara da estação de televisão britânica BBC, fez uma coisa semelhante mas com ursos polares. A experiência foi filmada para uma série do canal BBC2 chamada “The Polar Bear Family and Me” em Svalbard, no território ártico norueguês.

O operador de câmara acompanhou esta família de ursos polares, composta pela mãe, Lyra, e por duas crias, Miki e Luca, durante 12 meses de forma a ganhar a sua confiança e a conseguir aproximar-se o máximo possível. Captou vários momentos entre a mãe e as crias e o trabalho culminou com esta experiência extrema em que Buchanan quase serviu de refeição para os ursos.

A série começa a ser exibida na próxima segunda-feira, dia 7, às 21h30 no canal BBC2.

 

Fonte: Sábado.

O Godinho Lopes do PSD

 

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O Pedro é o Godinho Lopes do PSD. A sua governação não confere com a realidade, ruiu por completo, mas só ele é que ainda não tomou consciência do facto.

Quando confrontado com o falhanço do seu exercício, Godinho opta por falar em manter a dignidade do debate, enquanto os adeptos estão à porta, frustrados, revoltados e a pedir a sua cabeça. Como já não consegue fingir que não se passa nada de anormal, empurra sempre a esperança de melhores dias para a frente, mas o clube nunca esteve tão mal como agora.

O país também nunca esteve em estado de pobreza como agora, desde os tempos do salazarismo – levando em conta as devidas distâncias –, mas o Pedro (vamos deixar a Laura de fora disto…) também continua a pregar os amanhãs que cantam à boa maneira do ministro da propagando de Saddam Hussein, quando as tropas americanas já estavam a entrar na capital.

O Pedro também é o Godinho Lopes do governo. Está na posição de quem manda, pensa que manda, mas quem manda é o Gaspar Fala Devagar e quem mexe os cordelinhos é o Relvas. Toda a gente sabe.

Embora não falte quem queira ir para presidente do Sporting, a situação financeira assusta e é sabido que só vai para lá quem os bancos aceitarem. No país é quase o mesmo. Por enquanto também estamos hipotecados à Europa e à troika, por isso ninguém deseja o poder muito depressa. Entretanto vamos vendendo os anéis, depois virão os dedos. E o que será dum país maneta?

Entramos em 2013 com um governo sem crédito, um parceiro de coligação visivelmente incomodado (CDS/PP) com algumas opções teimosas do PSD, com um país empobrecido à força, uma classe média destruída, e uma população acusada e ofendida.

O sentimento de culpa que nos querem impor constitui uma atitude vergonhosa de quem nos governa, de modo a obrigar os portugueses a comer e calar. Todavia, nenhum elemento da súcia de ladrões de colarinho branco que fez do BPN a sua quinta privada está ainda condenado pela justiça. A meu ver, e em vez de passarem a vida a culpar-se uns aos outros, PS, PSD e CDS deviam era pedir desculpa ao país pela forma como governaram nos últimos vinte e cinco anos, tendo contribuído para o descalabro actual. A começar por Cavaco Silva.

Portugal não necessita só de outro governo, mas sobretudo de outra classe política e outro regime. Este já cheira a podre.

 

Fonte: Brissos Lino, O Setubalense, 4/1/13.

Palavras perdidas (1149)

“Chamamos “memorando de entendimento” a um ultimato travestido de programa de governo que nos foi imposto pelos credores internacionais (representados pela troika). Trata-se de um ultimato que introduz mudanças radicais no nosso modelo de sociedade, que nunca foram discutidas em eleições nem debatidas seriamente no Parlamento. Chamamos “ajuda internacional” a um empréstimo de 78 mil milhões de euros, provenientes de uma União a que pertencemos, ao lado de países amigos e aliados, mas que pratica uma taxa de juro muito superior e condições muito mais duras do que, por exemplo, as que os EUA aplicaram aos inimigos vencidos na II Guerra Mundial.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Apenas um sonho

 

No meu sonho, o Estado é corajoso. Os políticos não dobram os joelhos perante os poderosos e a justiça é igual para ricos e pobres.

 Fogo de artifício

 

Quando as 12 badaladas assinalaram mais uma passagem de ano, milhões de pessoas em todo o mundo acreditaram que o novo ano seria melhor que o anterior. Mas no dia seguinte, depois de acordar e regressar à normalidade, poucos se lembraram das promessas não cumpridas para mudar comportamentos sociais.

Desde que entrámos em 2013, sempre que adormeço e até ao último segundo antes de despertar, há um sonho que se repete e que me enche de esperança.

No meu sonho, o Estado é corajoso. Os políticos não dobram os joelhos perante os poderosos e a justiça é igual para ricos e pobres.

No meu sonho não há governantes a comprar licenciaturas com o mesmo à vontade com que se paga um café. Não há eleitores cobardes que se vendem por um microondas e por promoções mercenárias, nem munícipes hipnotizados por Valentins e Isaltinos.

No meu sonho há um país onde defraudar o próximo ainda é violar um mandamento bíblico. O Estado não deixa prescrever as dívidas fiscais dos poderosos nem rouba os carros e as casas dos contribuintes honestos que perderam os empregos e não podem pagar impostos imorais.

No meu sonho, a justiça não é cega e não há directores regionais dos Assuntos Fiscais em funções depois de acusados pelo Ministério Público da prática de crimes de evasão fiscal. Neste país em que gosto de viver depois de adormecer, os crimes de colarinho branco não são branqueados pelos melhores escritórios de advogados. Os criminosos coram de vergonha sempre que se cruzam com a sombra de um contribuinte que paga os seus impostos.

No meu sonho, a ética e as pessoas são mais importantes que o dinheiro. Por isso o Estado não se amedronta com os mercados financeiros nem aplica medidas de austeridade extrema que sufocam as famílias e as pequenas empresas. Neste país maravilhoso não se oferecem benefícios fiscais e posições de monopólio às multinacionais. Nem há lugar para um Estado desmotivado e sem coragem para investir em serviços públicos de qualidade, na criação de empregos para os jovens e na garantia dos cuidados de saúde para os idosos. Neste país ninguém é convidado a emigrar.

No meu sonho há um Presidente da República que não deixa que se apague a chama de esperança para os de-sempregados e existe um primeiro- -ministro que não se cansa de apostar na educação pública de excelência como contraprestação dos impostos pagos pelos contribuintes. Nesta democracia que mata as insónias há uma oposição política que não se limita a criticar, mas que procura soluções e discute propostas para o bem-estar de todos.

No meu sonho, a corrupção e a fraude são coisas do passado porque as leis não são feitas pelas minorias, nem para lóbis obscuros. Não existe uma zona franca da Madeira nem piratas fiscais que fumam charutos pagos pela exploração do trabalho dos pobres.

Nunca tenho dúvidas de que um dia o meu sonho se vai tornar realidade. A única dúvida que me persegue depois de acordar é saber se Portugal pode ser o país do meu sonho.

Temo que não!

 

(Fonte: João Pedro Martins, Ionline)