Xangai: rotunda para peões

 

 

  (Foto: harikrish.h: http://www.flickr.com/photos/harikrish82/6329351610/)

 

Quando muitas vias convergem para – ou partem de – um único ponto da cidade, o trânsito costuma ficar caótico. E a melhor solução que a engenharia apresentou para o problema até hoje foi a rotunda, um recurso que permite os cruzamentos, mas não elimina a bagunça. Pior, dificulta a vida do peão, o último a ser notado por motoristas mais preocupados em sair ilesos da roleta.

Mas não no bairro de Pudong, em Xangai, na China. Ali, os peões ganharam uma rotunda só para eles: a passarela circular Lujiazui, construída do lado leste do rio Huangpu, na zona económica e financeira da cidade, cercada por arranha-céus onde não havia nada além de terra há 15 anos.

 

 (Foto: Viktor Lakics: http://500px.com/photo/8834719)

 (Foto: Giovanny Parra: http://500px.com/photo/9414001)

 

Suspensa quase 20 metros acima da rua, a ponte permite que os peões passem de um lado a outro da rotunda em segurança, desde que estejam dispostos a percorrer o mesmo trajeto circular dos automóveis. De brinde, eles ainda têm a chance de assistir de camarote às confusões em que os motoristas se metem logo abaixo.

A passarela dá acesso ao edifício Oriental Pearl Tower, ligando os prédios de escritórios do centro financeiro das redondezas a áreas de lazer e compras, como shoppings e cafés.

Com 5,5 metros de largura, a ponte permite que 15 pessoas caminhem lado a lado, facilita o acesso aos transportes públicos e ainda é toda iluminada à noite, o que dá um bonito efeito à região. Além disso, vãos longos entre colunas também proporcionam agradáveis experiências em relação ao nível da rua, de onde se pode ver a cidade um pouco mais do alto, tornando a rotunda ideal também para passeios turísticos. Xangai style.

 

 (Foto: matteroffact: http://www.flickr.com/photos/8281403@N07/4748465184/ )

 (Foto: ru_bridges: http://ru-bridges.livejournal.com/95716.html )

 (Foto: ru_bridges: http://ru-bridges.livejournal.com/95716.html )

Colaboração de Ernesto Esteves.

 

 

 

 

FMI: inqualificável

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A receita do FMI para cortar 4 mil milhões é inqualificável. Propõe despedir 50 mil professores da escola pública, mais cortes nos salários e pensões, aumento das taxas moderadoras e uma lista de outras medidas que apenas aumentam o desemprego e a pobreza. Mas nada a cortar nos privilégios do capital. É indigno. Mas a organização é um fundo monetário, está-se a borrifar para as questões sociais de cada país. O que é ainda mais vergonhoso é o governo lhe ter pedido este relatório e trazer a público algumas das sua medidas mais penalizadoras (ainda por cima escondendo-o do parlamento!), para depois tentar aplicar ao país um que não seja tão radical, fazendo assim o papel de mais moderado. Como sempre, o CDS fará o papel de opositor mas vai acabar por concordar. E lá vamos cantando e rindo, a assistir ao progressivo afundamento de Portugal.

«Se vamos cortar naquilo que são direitos constitucionais das pessoas, como as reformas, os subsídios de desemprego e de doença, vamos arrastar mais essas pessoas para a situação de miséria em que muitas já se encontram. Isso é inadmissível. Estamos já na área daquilo que é o atentado aos direitos humanos», disse Eugénio da Fonseca em entrevista à «Rádio Renascença».

Ao contrário do que dizem alguns comentadores, acho bem que o PS não queira entrar na dança a propor cortes à parva. Esta gente não tem uma ideia de país. São merceeiros de lápis na orelha a fazer contas. Nada sabem de desenvolvimento, de crescimento económico, de sensibilidade e coesão sociais, de dignidade, de cidadania. O governo é um conjunto de incapazes que nunca trabalharam na vida (Passos Coelho, Relvas), de políticos (Portas), de académicos que ali caíram de pára-quedas (Álvaro Santos Pereira, Nuno Crato) e de funcionários de instituições financeiras internacionais (Vitor Gaspar) que vêm cumprir uma agenda alheia.

É tempo de o país acordar e apontar a esta gente a porta da rua. De vez.

A bebedeira faz parte do trabalho parlamentar?

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A deputada Glória Araújo foi interceptada pela Brigada de Trânsito da GNR da conduzir com 2,41 gramas de álcool no sangue o que é crime. Discute-se agora se a imunidade parlamentar lhe dará cobertura juridicamente ou não para este crime. Não conheço a senhora, mas a falta de vergonha ultrapassa tudo. A figura da imunidade parlamentar não se destina a este tipo de situações, mas apenas a garantir que os deputados possam cumprir o mandato para que foram eleitos sem pressões, venham elas de onde vierem, mesmo que seja via judicial. Ora, uma deputada bêbeda não está a cumprir as suas funções parlamentares, que se saiba. E também não está acima da lei. Se tivesse vergonha demitia-se de imediato, honrando assim a instituição parlamentar. Até porque – de acordo com o seu perfil oficial – pertence à Comissão de Ética da Assembleia da República…

A sensibilidade da Língua

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A Língua é coisa demasiado sensível para ser tratada com os pés. Parece que o Acordo Ortográfico de 2009 está a falhar em toda a linha. A Sociedade Portuguesa de Autores acabou de fazer saber que o vai ignorar, com base nas posições do Brasil e de Angola nesta matéria. E faz muito bem. Esta atitude vem questionar seriamente a posição oficial sobre o AO2009. Há que rever posições.