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Iraque: isto tem responsáveis, meus amigos!

cropped-453692288-1AFP/Getty Images

 

Só para lembrar. O genocídio da população civil no Iraque pelos extremistas islâmicos, que está presentemente a ocorrer, para horror do mundo civilizado, tem responsáveis directos: os senhores Bush, Blair, Aznar (todos eles já fora da cadeira do poder) e Durão Barroso, que gostaria de vir a ocupar o palácio de Belém.

A cimeira dos Açores e o embuste das armas de destruição maciça, que foram usados como pretexto para a invasão do Iraque, faz com que todos eles tenham agora as mãos manchadas de sangue.

Os americanos, para se apoderarem do petróleo e de muitos negócios milionários, enforcaram Saddam, destruíram a estrutura de poder iraquiana e abriram a porta ao extremismo, às lutas internas e ao ressentimento do mundo muçulmano contra o Ocidente, provocando uma era nunca vista de instabilidade, morte e destruição naquelas paragens.

Sim, eles são os responsáveis morais desta desgraça medieval. Sim, o Durão Barroso também.

Palavras perdidas (1378)

Não dou o benefício da dúvida ao Banco de Portugal”

(Miguel Cadilhe, economista, sobre a actuação do Banco de Portugal no caso BES. O antigo ministro das Finanças acredita que o banco central não fez tudo o que estaria ao seu alcance na sua função de supervisor.”Diário Económico”, 21/08/2014)

Vítor Constâncio está vingado

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O regulador Carlos Costa, governador do BdP, deveria estar preso ou inibido de qualquer função bancária porque foi director-geral do BCP-Millenium entre 2000 e 2004, época em que, segundo o Expresso Revista de hoje, “foram feitos os polémicos aumentos de capital com recursos a offshores, ainda Jorge Jardim Gonçalves era líder do banco”.


Nessa altura o director-geral Carlos Costa deu cobertura a dois crimes: a transferência para offshores de avultadas verbas; empréstimos a clientes para essas transferências e com esse dinheiros comprar ações do BCP.
Os clientes foram enganados quanto à situação real do banco e foram feitas emissões de acções em excesso, pelo que perderam rapidamente o seu valor em bolsa, tendo chegado aos 4 cêntimos depois de terem valido vários euros. Berardo perdeu uma parte importante da sua fortuna neste logro preparado por Jardim Gonçalves e Carlos Costa.


Em princípio eu nada teria contra Carlos Costa, mas saliento a vingança do destino, dado ele ter sido tão violento com o PS e, em particular com o seu antecessor Vitor Constâncio, sabendo que tinha muitos telhados de vidro.


Quando foi nomeado governador do Banco de Portugal meteu uma série de economistas e criou praticamente um gabinete de supervisão para cada um dos bancos portugueses e até convenceu a Universidade Nova a fazer um curso de supervisão bancário.


Com tanto aparato que custou alguns milhões de euros, nem o Carlos Costa nem o seu vice-presidente detectaram nada do que se passava no BES e foi só um enorme dossier de denúncia elaborado por uma equipe de advogados contratados por Pedro Queiroz Pereira que se defendia da tentativa de Ricardo Salgado de assumir o controle a Semapa/Portucel, aliado às irmãs do ex-corredor de ralies PQP. Salgado queria ter no seu banco os importantíssimos movimentos de caixa da maior exportadora portuguesa com a possibilidade de desviar para os seus bancos na Suíça, Luxemburgo e outros países parte das receitas e não pagar as dívidas à CGD, já que sabia que o governo nunca iria deixar cair a empresa que mais exporta um produto genuinamente nacional, o papel obtido a partir da pasta de eucaliptos nacionais e inteiramente fabricado no País.


A ganância pelo poder e controle de empresas levou o Grupo Espírito Santo à ruína pois conta com mais de 400 empresas, admitindo-se que no seu todo tenham dívidas ao BES em mais de 15 mil milhões de euros, ou quase 10% do Pib nacional. Saliente-se que antes de rebentar a crise, os depósitos no BES somavam mais de 57 mil milhões de euros, ou seja, 35% do Pib nacional. Agora tem sido retirado muito dinheiro e há quem julgue que já saíram uns 5 a 7 mil milhões de euros. As pessoas têm medo e quando se lê o Expresso de hoje, calcula-se que a maior parte dos buracos não são conhecidos e que a teia constituída por mais de 400 empresas é de difícil supervisão. 


Carlos Costa andou sempre a mentir quando dizia que o BES e as empresas do Grupo estão perfeitamente separadas e a exposição (dívida das empresas da família) ao BES é de pouco mais de mil milhões de euros. Multiplique isso por sete ou, talvez, até por 10 para conhecer o número exacto.

 

Ainda ontem morreu um trabalhador numa obra de reconstrução de um prédio a cargo da “Espírito Santo Proprety”, empresa com obviamente sede no estrangeiro a admitir pelo seu nome inglês como a maior parte. Foi esse o grande erro de Carlos Costa, o não ter examinado a solvabilidade e origem dos papéis comerciais e de aplicações vendidos nos balcões do BES.

 

Fonte: Dieter Dellinger, via As minhas leituras

Cliff: primeiro dispara-se e depois pergunta-se quem vem lá

Cliff Richard fotografado no  torneio de ténis de Wimbledon, em Londres, em julho deste anoCliff Richard fotografado no torneio de ténis de Wimbledon, em Londres, em julho deste ano / Matthew Stockman/Getty Images

Há coisas que fazem muita confusão. A imprensa inglesa veio agora destruir a imagem pública de um homem com uma carreira artística impoluta, que nunca foi dado a escândalos nem a excessos, nomeado sir pela rainha. Acusam Cliff Richard de abusos sexuais passados há mais de trinta anos e fizeram-lhe uma busca a casa na sua ausência. Tudo isto terá sido despoletado por uma denúncia. 

Mas tudo isto é muito estranho, em especial uma denúncia de alegados factos ocorridos há mais de trinta anos… 

Não faço ideia se o artista é culpado de algum crime ou não, mas primeiro dispara-se e depois é que se pergunta quem vem lá. Ou seja, primeiro destrói-se a imagem pública de um homem público e depois é que se vai ver se há provas. Trinta anos depois. Até o Expresso titula a notícia como tendo havido crime, numa de tablóide. 

Não consigo entender este jornalismo. Nem esta polícia.

Arte em giz

Fonte: Catraca Livre, via Pavablog.

 

Rubén Belloso Adorna, de Seviha, Espanha, cria quadros gigantes feitos de giz, com um realismo impressionante. Suas obras são tão detalhadas que parecem até fotografias, mas tudo é criado com giz.

Dá para notar a magnitude dos quadros quando vemos fotos de Adorna trabalhando neles. E mesmo que olhemos de perto todos eles, ainda parecem fotos em alta definição.

O artista de 26 anos se formou em arte na Universidade de Seville, e já é reconhecido mundialmente por seu trabalho primoroso. Há exposições de Adorna na Espanha e em Portugal.

Confira as imagens abaixo:

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Palavras perdidas (1376)

“Todos gostaríamos que o caso BES/GES estivesse resolvido, com o maior grau de justiça e o menor dano possíveis. Mas não está. Em primeiro lugar, é falso dizer que os contribuintes estão a salvo. O empréstimo de 4,4 mil milhões de euros, facultado ao Fundo de Resolução, único acionista do Novo Banco, é dinheiro público, contabilizado na dívida pública. Só quando o empréstimo e respetivos juros forem saldados se poderá dizer que os contribuintes estão a salvo. Fazê-lo, agora, é confundir governação com propaganda.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

BES: uma história de enganos

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O BES enganou accionistas, reguladores e depositantes. O governo escondeu-se atrás do Banco de Portugal para fugir ao ónus da decisão do banco bom/banco mau. O Banco de Portugal ignorou os avisos da CMVM e da empresa que fazia auditoria ao BES, e enganou os portugueses ao garantir a solidez do banco, tendo deixado todos os accionistas agora a arder, incluindo os pequenos. Enganou também a restante banca que opera em Portugal com a sua decisão de ontem. E todos continuam a mentir quando dizem que isto não foi uma intervenção do Estado no banco, e que os contribuintes não vão ter que pagar os desmandos destes banqueiros no futuro, como ainda se verá.

 

Actualização: Ontem escrevi este post. Hoje deparo-me com esta notícia. Se eu não conhecesse estes políticos…

Palavras perdidas (1375)

“Quem aplica o seu dinheiro em acções sabe naturalmente que está a correr riscos. Mas muitos portugueses compraram acções do BES ou não venderam porque confiaram na palavra dos reguladores. E perderam tudo.

Quando no dia 10 de Julho Carlos Costa afiançou que o banco tinha uma almofada de liquidez para precaver qualquer percalço, muitos aforradores confiaram e compraram (ou não venderam) acções do BES. Duas semanas depois veio-se a saber que afinal o buraco no BES era muito maior e que afinal a almofada não chegava para nada. E quem confiou no regulador perde hoje tudo.

E quem comprou acções porque Carlos Costa disse no dia 16 de Julho que havia investidores privados interessados no BES comprou porque confiou na palavra do governador. Confiaram tantos que nesse dia as acções dispararam 20%. Os tais investidores privados nunca apareceram. Hoje as acções não valem nada. Zero.”

(Pedro Sousa Carvalho, Público)

As contrapartidas eram só a brincar…

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Dizia o Expresso que Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia declarou na comissão parlamentar de inquérito à compra de material militar que, enquanto foi ministro (entre 2011 e 2013) terá sido aconselhado a “não mexer no dossiê” das contrapartidas, porque se tratava de um assunto com um “grande passivo reputacional” e descreveu alguns contractos de contrapartidas celebrados por anteriores governos como “contrapartidas imaginárias.”

O modelo das contrapartidas foi desenvolvido para convencer a opinião pública de que a compra de material militar era neutra.

Perante a gravidade de tais declarações o que faz a Procuradoria? E o Tribunal de Contas? Não há ninguém que tire isto a limpo? Já vale tudo, incluindo a corrupção ao mais alto nível do Estado? Depois dos tribunais alemães condenarem cidadãos seus como corruptores dos decisores portugueses, no caso dos submarinos, continua a não haver corrompidos cá deste lado?

 

 

Palavras perdidas (1374)

“Ed Miliband é um político preparadíssimo, desde a escola (Oxford, London School of Economics, Harvard…) até cargos governamentais e parlamentares – falha-lhe, ao que diz o atual debate, é a empatia. Sorte a dos socialistas britânicos. O líder da oposição portuguesa, o socialista António José Seguro, a quem falha quase tudo, tem um problema mais grave: quer ter empatia a mais. Confunde-a com uma sobredose de afetos (tirados a ferrinhos) que incomoda quem lhe sofre as intervenções públicas. É urgente que lhe encontrem um guru.”

(Ferreira Fernandes, DN)

Palavras perdidas (1373)

“Para onde quer que nos voltemos, os sinais de que Portugal é hoje um país à deriva são manifestos. Com a saída da troika tornou-se ainda mais evidente que o Governo não tinha qualquer agenda que não fosse fazer a dobragem para português, por vezes com erros dolosos de tradução, das exigências dos nossos credores. Confundindo os efeitos com as causas, a austeridade falhou. Depois de três anos de destruição da economia, do emprego, dos direitos sociais, depois de a própria troika, através do FMI e da Comissão Europeia, ter admitido erros de conceção no memorando (algo que o Governo nunca fez com seriedade e de forma escrita), o País mergulha em cheio num novo turbilhão, que destrói ainda mais a confiança no sistema financeiro.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Ambos os lados são culpados

Israel bombardeia mais uma escola da ONU em GazaNir Elias, Reuters

 

Tão criminosos são os que escondem armamento e munições em escolas, na Faixa de Gaza, como os que as bombardeiam. O secretário-geral da ONU denunciou o facto.  Poucas horas antes do bombardeamento em Beit Hanun, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, queixara-se de estarem a ser armazenadas armas em algumas dessas escolas, embora sem atribuir responsabilidades por esse armazenamento.

Palavras perdidas (1372)

“O discurso dos centros de decisão nacional sempre foi essencialmente um discurso de poder, e de manutenção desse poder pelo regime vigente. Hoje é um anacronismo ridículo. O investidor estrangeiro já tomou conta. A EDP e a Ren são hoje chinesas, a Ana é francesa, o BCP, BIC, Zon e Optimus são angolanos, o BPI é hispano-angolano, o BES há de ser de quem o quiser, a Cimpor é brasileira, a PT quer sê-lo, a Galp é apátrida e há dezenas de grandes empresas à venda, incluindo hotéis, seguros, saúde e imobiliário do Grupo Espírito Santo, a TAP ou os resíduos do Estado.

O sistema mudou porque estava falido. O novo regime fala estrangeiro. Precisa de reguladores fortes, para que produza em vez de extrair riqueza de Portugal. Mas essa é a maior mudança a que assistimos. Não foi a troika que a trouxe, foi a dívida. O triste fim do Grupo Espírito Santo não é senão uma forma dramática e espetacular de o percebermos. Como diria José Sócrates, o mundo mudou.”

(Pedro Santos Guerreiro, Expresso)

 

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“Na verdade, a maioria esmagadora dos judeus, antes do Holocausto, considerava pátria e Europa como sinónimos. O genocídio nazi, que se alimentou dos vetustos ódios antissemitas do húmus europeu, transformou a utopia de Herzl numa solução tão urgente como um barco salva-vidas num naufrágio. No atual labirinto israelo–palestiniano só consigo ver vítimas encurraladas. Judeus e árabes, misturando o seu sangue, enquanto a política permanecer refém do ódio. Aqueles que na Europa, sem pestanejar, reduzem tudo num dedo acusador contra os judeus fariam melhor se olhassem ao espelho. Todo este sofrimento começou devido à fobia homicida perante a diferença. Esse retorcido e milenar demónio da nossa alma europeia.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Coisas que não entendo (4)…

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O governo continua a sua sacanagem governativa. Explico. A ideia luminosa de dividir para reinar prossegue. Ou seja, colocar portugueses contra portugueses. Novos contra velhos, funcionários públicos contra trabalhadores do privado, etc. Agora é na fiscalidade. Para se beneficiar as famílias com mais filhos, o projecto pretende agravar a carga tributária das outras. E essas outras ainda são 3,7 milhões de famílias…

Coisas que não entendo (3)… Governo decreta “eutanásia profissional”

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Esta ideia peregrina de lançar uma lei que impede os reformados de trabalhar pro bono, sob risco de perder o direito à sua pensão, é pior do que estúpida.  É particularmente grave nas universidades, onde, de acordo com este aborto legislativo, nenhum professor jubilado pode dar uma aula que seja ou fazer uma conferência gratuitamente e em sossego.

Vem agora o governo emendar a mão – dada a bronca que a notícia gerou, a partir do momento em que Bagão Félix alertou o país para a existência da nova lei – prometendo criar uma outra para clarificar aquela…

Não consigo compreender.

Coisas que não entendo (2)…

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Na mesma semana em que Passos Coelho apresentou o estudo sobre natalidade, encomendado pelo PSD a um professor da Universidade Católica, um outro académico da mesma casa veio para os jornais dizer que seria “criminoso aumentar o salário mínimo”… Mas afinal querem aumentar a natalidade ou brincar com o pessoal?

Como escreveu um colunista da nossa praça: “Imaginemos dois filhos em idade escolar. É altura de comprar livros, cadernos e restante material, que, como sabemos, estão pela hora da morte. Só de uma vez lá se vai um salário mínimo. E depois há a renda da casa, a luz, a água, o gás, a comida e um ou outro trapo para vestir. Feitas as contas, dois ordenados mínimos não chegam.”

Se calhar, para ver subir a taxa de nascimentos era importante aumentar os rendimentos das pessoas e dar-lhes segurança no emprego. E, como acrescentava Nuno Saraiva: “parece-me óbvio que criminoso é falar em nome dos pobres usando um discurso que os condena à pobreza eterna.”

 

 

CPLP: o nosso albergue espanhol

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A diplomacia portuguesa comporta-se hoje como uma velha prostituta de rua. Vende-se a quem queira pagar.

Ele é os vistos gold, para atrair estrangeiros  – sobretudo chineses – que metam cá o dinheirinho (não importa se são criminosos), ele é o dobrar a espinha à cleptocracia de Luanda, ele é o promover a integração na CPLP de uma ditadura que nem sequer fala a língua de Camões, mas é famosa pelo narcotráfico e, sobretudo, por ter aberto os cordões à bolsa a um banco cá do burgo em necessidade.

Sabemos que – como dizia o general De Gaulle – “os países não têm amigos, têm interesses”. Tudo bem, mas uma coisa é ter interesses, outra é vender a alma ao diabo…

Uma história muito mal contada

 

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Tenho muita dificuldade em compreender como é que a imprensa ocidental faz sempre de Israel o mau da fita, quando o Hamas usa os túneis para guardar armamento (e não para protecção dos civis), usa crianças como escudo humano de alvos militares (dando origem a inúmeras baixas desnecessárias), rapta, tortura e assassina jovens judeus, sem consequências judiciais para ninguém, lança milhares de mísseis sobre a população israelita (e alguns caem mesmo no seu território provocando baixas do chamado “fogo amigo”).

Além de tudo isso os terroristas do Hamas lutam pela destruição de Israel e juram morte a todos os judeus, sendo ainda os primeiros a quebrar o cessar-fogo e a boicotar as tentativas de paz, mesmo quando apoiadas pela Autoridade Palestiniana.

Por outro lado, Israel não tem que usar força desproporcional para defender a sua população das acções terroristas palestinianas, nem que criar colonatos contra o direito internacional.

 

Palavras perdidas (1368)

“O Governo já veio dizer que o saque do BES é oficial, e os comentadores andam a repeti-lo como se fosse normal. Por miúdos: diz o Governo que o dinheiro da troika para ser usado para recapitalizar a Banca ainda existe e vai usado no caso. Pois, mas o dinheiro da troika era para recapitalizar a Banca, isto é, aumentar o ratio de capitais próprios e era um empréstimo do Estado à Banca. No BES ele vai ser usado para tapar um buraco e por isso não vai aumentar o ratio nem ser devolvido ao Estado, vai recair sobre a dívida pública e a dívida pública é paga com despedimentos, fecho de maternidades, escolas, privatizações, ou seja, trata-se de facto – e só na parte conhecida e assumida – de trocar papel sem valor do património falido dos accionistas pelo valor real dos salários e pensões, salários directos ou salário em forma de Estado Social (o que pagamos para receber do Estado serviços públicos). Esta é a parte conhecida e que corresponde já a mais de 1% do PIB, quase 20% do Serviço Nacional de Saúde. Este desfalque, já garantido, está aí. E é a parte em que o Governo diz “não se preocupem está tudo bem, temos já o valor para tapar esse buraco”.

(Raquel Varela, Facebook)

Palavras perdidas (1367)

“As recentes nomeações de Vítor Bento (Presidente do SIBS e membro do Conselho de Estado) para Presidente Executivo do BES e João Moreira Rato (Presidente do IGCP) para Administrador Financeiro, a somar a Paulo Mota Pinto (Deputado do PSD) para o Conselho de Administração, revelam a enorme promiscuidade entre o grande capital e o poder político, nomeadamente os partidos que em cada momento estão no Governo.

Não é por acaso que a nossa Constituição estabelece que o poder económico deve estar subordinado ao poder político mas, mais uma vez, está bem patente quem domina e ao serviço de quem e de que interesses estão os partidos que se vão alternando no Governo.

É óbvio que esta promiscuidade resulta num empobrecimento do nosso regime democrático”.

(Paula Santos, Expresso)

Palavras perdidas (1366)

“É por isto tudo que não aceito a culpabilização sistemática dos mais pobres e mais fracos e da classe média, por terem vivido “acima das suas posses”, mesmo quando não o fizeram. E mesmo quando havia uma casa a mais, um carro a mais, um ecrã plano a mais, um sofá a mais, um vestido ou um fato a mais, umas férias a mais, uma viagem a mais, recuso-me a colocar estes “excessos” no mesmo plano moral dos “outros”. Algum moralismo salomónico, que coloca no mesmo plano a corrupção dos poderosos e dos de cima com os pequenos vícios dos de baixo e do meio, tem como objectivo legitimar sempre a penalização punitiva de milhões para desculpar as dezenas. É por isto que esta crise corrompe a sociedade e vai deixar muitas marcas, mesmo quando ninguém se lembre de Portas e de Passos.”

(José Pacheco Pereira, Abrupto)

Ovelha Perdida: “O problema dos lobos é sentirem que não temos medo deles…”

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Entrevista à “Ovelha perdida”.

 

Recuperamos aqui uma entrevista feita há uns anos e agora ligeiramente reformulada, por ocasião da passagem de um milhão de acessos a este blogue.

 

Você é mesmo uma “ovelha perdida”?

Sim e não.

Como assim?

Por vezes sinto-me perdida neste mundo tão superficial, idiota e malvado. Outras vezes acho que as pessoas andam todas a bater mal e que o mundo é um imenso manicómio. E quando penso assim acabo por ter compaixão delas, e volto a mordiscar umas ervas tenrinhas.

E cá para nós, acabo por pensar que até eu tenho direito a uma fatiazinha dessa loucura.

Mas afinal sente-se perdida ou não?

Uma coisa é o que se sente e outra o que se é. Os psicóticos normalmente não se sentem loucos. Loucos são os outros. Mas devo dizer que não me sinto nada perdida porque conheço bem o meu Pastor.

E…?

Sou uma ovelha crente. Creio em Deus e conheço-O, portanto nunca me poderia sentir perdida.

Nem mesmo quando passa – digamos – pelo vale da sombra da morte?

Especialmente aí nunca me sinto perdida, pois tenho a garantia de que o Bom Pastor está comigo.

Então porquê esse nome?

Porque gosto muito da parábola assim chamada, a estória que Jesus Cristo contou para ilustrar a sua mensagem. Só o facto de pensar que, estando eu perdida do rebanho, o pastor deixaria as demais na segurança do redil e me iria procurar, me encontraria e traria aos ombros, faz-me quase sentir vontade de me perder… Sei que é disparate, mas…

Talvez não esteja perdida, mas lá que é doida é…

Não sei, mas também não me importo com isso. Sinto-me bem assim. Não se esqueça de que todas as ovelhas que fizeram alguma coisa de útil por este mundo foram assim rotuladas: loucas.

E você, não se acha um pouco idiota, também?

Ora essa, porquê?

Por estar a entrevistar uma ovelha, porque é que havia de ser? Eu posso ser doida mas não sou atrasada mental, sei ver as coisas…

Realmente, nem sei onde tenho a cabeça…

Pois é, pois é.

Mas já agora, porque é que se interessa por tanta coisa? Podia ter um blogue temático como as pessoas. Mas tinha que ser diferente, não é?

Não tenho culpa de me interessar por muitas coisas diferentes. Se calhar faz parte da minha loucura. Nunca ouviu dizer que, “de são e de louco todos temos um pouco”? O problema é que alguns põem os pesos todos no prato do “louco”, e então a balança pesa demais daquele lado…

E a Poesia?

O que é que tem?

Porque essa paixão assolapada?

Porque sou uma ovelha-poeta. Você não vê que os campos verdes me inspiram, a flauta do Pastor, as sombras das árvores na calma da tarde, as águas tranquilas para matar a sede, o zumbido dos insectos na Primavera, as borboletas esvoaçantes, os pássaros no céu azul, as cigarras, enfim, tudo à minha volta transborda Poesia. É só uma questão de reconhecer o Belo no que está à nossa volta, em vez de andar armada em histérica sempre com medo do lobo.

Você não tem medo de lobos?

Medo, não. Mas prefiro não me afastar muito do Pastor. É mais seguro e fico tranquila.

E se um dia lhe aparecer mesmo um lobo pela frente?

Já estou preparada para essa eventualidade. Sabe como? Digo-lhe um poema!

Ah,ah,ah, um poema, não me faça rir. Está louca. E acha que ele se assusta?

Claro que sim, mas não é com um poema qualquer.

Então?

É com este. Quer ouvir?

Então lá vai:

Escuto. Mas o uivar dos lobos não me
assusta.
Nem o rumor do vento
porque o meu olhar se me alonga
para os pastos verdejantes
e as águas tranquilas.

O bardo onde vivo refrigera-me
(já nem sei o que sejam veredas errantes).
A lã de que sou vestido é branca,
e só de alegria o peito me salta
porque a mesa em que me sento é farta
e os meus inimigos se espantam comigo.

De facto, isso até arrepia…

Se você fosse lobo já estava a dar meia volta e a fugir com o rabo entre as pernas.

Acho que sim.

Pode crer. O problema dos lobos é sentirem que não temos medo deles. Mas há por aí muitas colegas, ovelhas, que tremem só de pensar nos lobos mas estão sempre a falar neles. No fundo não podem viver sem eles. Parvas…

Não acha que é estranho, no mínimo, uma ovelha ter assim tanta procura? Já foi visitada mais de um milhão de vezes por gente de todo o mundo…

Bem, também não tenho culpa que existam assim tantos doidos por esse mundo fora, não é?… Mas não sou caso único. Olhe a Popota, por exemplo, ou o Rato Mickey.

Acha então que os que a visitam são doidos como você?

Claro que sim. Que outro motivo teriam para me procurar?

Gostaria de deixar uma última mensagem aos cibernautas leitores do blogue?

Última, porquê? Não estou a pensar morrer nos próximos dias…

Você sabe o que quero dizer. Última palavra desta entrevista.

Ah, sim, claro que quero deixar a última palavra desta entrevista.

Então deixe…

Mééééééé…

 

© José Brissos-Lino (16/7/14)

Já vão tarde

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Pode o PSD vir agora preocupar-se muito com a natalidade portuguesa. E PS e CDS também. Durante muitos anos as políticas governativas foram claramente anti-família.  E não é certamente com esta orientação de austeridade pura e dura que será possível reverter o suicídio colectivo e lento do país, que chegou ao ponto de nem sequer conseguir renovar as gerações.  Até porque os nossos jovens estão a ir fazer filhos “lá fora” e os que os têm pequenos a levá-los com eles para os destinos de emigração, onde se irão aculturar e fixar no futuro.

Palavras perdidas (1365)

“Fechou-se completamente um ciclo da história económica portuguesa. O último dos banqueiros portugueses caiu. Sem honra nem glória. A última das famílias tradicionais, nascida no século XIX, afunda-se em dívidas. Depois de Champalimaud e dos Mello foi a vez dos Espírito Santo. Perderam o banco e não sabemos ainda quem o ganhou. Resta à família, mesmo zangada entre si, gerir as dívidas de um império não financeiro que, afinal, tinha pés de barro. Da Comporta ao Tivoli, tudo está agora nas mãos dos credores.”

(Helena Garrido, J. Negócios)

Palavras perdidas (1364)

“Agora que Ricardo Salgado arrisca afundar-se, quem são os primeiros a pôr-se na fila para o empurrar borda fora? Os mesmos senhores e as mesmas senhoras que ainda há dois meses corriam ao beija-mão, agitados e agitadas, de cabeça quase na alcatifa, coluna em arco, embevecidos e embevecidas por algum mensageiro do monarca – “o dono disto tudo” – ter comunicado a benesse de uma audiência exclusiva, de um almocinho discreto, de uma partida de golfe esperançosa, de uns 30 segundos de atenção. Se fossem de espécie canina, abanariam o rabito de felicidade, tal era o frenesim…

Quantos jornalistas, analistas, empresários, políticos, magistrados e outros satélites do poder contribuíram para um silêncio comprometedor, anos e anos a fio? Quem aceitou, por exemplo, o silenciamento generalizado do crime, a troco de coimas, que foi o resultado final da gigantesca Operação Furacão? Quem aceitou a normalidade de um esquecimento de oito milhões de euros numa declaração de IRS? Quem impediu que notícias desagradáveis ao BES fossem publicadas? Quem alguma vez analisou seriamente as contas da teia empresarial montada pelo Grupo Espírito Santo? E como é que a troika, que vasculhou tudo e todos, não deu por nada aqui?

Esta gente vai safar-se. Passada a tempestade no BES, se calhar dominada com dinheiros públicos, a elite nacional que se curvava a Salgado reconfigurará as “amizades”, “as relações” e continuará a servir e a servir-se de um qualquer novo dono do País… Até ter de o cuspir.”

(Pedro Tadeu, DN)

Palavras perdidas (1363)

“Porque é que o Hamas não protege as crianças palestinianas como faz Israel? Há mais de mil túneis em Gaza que só servem para armazenar material e proteger as chefias. As crianças não têm lugar nos bunkers do Hamas: são, tristemente, parte do martírio do terror. Fathi Hammad, ministro do Interior do Hamas, chamou–lhe “indústria da morte”, rematando assim para Israel: “Desejamos a morte como vocês desejam a vida.” Ele sabe do que fala.”

(Bernardo Pires de Lima, DN)