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Palavras perdidas (1396)

“O Financial Times divulgou uma carta de 14 governantes, incluindo o secretário de Estado Bruno Maçães, dirigida à Comissária europeia do Comércio, apelando a que o TTIP permita às multinacionais contestar decisões dos Estados longe da justiça de cada país. Para Marisa Matias, esta posição demonstra como o Governo “faz da política uma ode ao Deus mercado”.

(Marisa Matias, Esquerda. Net)

Palavras perdidas (1395)

“Um dos piores dos meus anátemas contra este Governo é exactamente a destruição dessa boa-fé, como se fosse o acto mais normal do mundo, como quem respira, sem pensar duas vezes, até sem atenção, nem sequer preocupação pelos efeitos não apenas nas vítimas dos seus actos, mas no tecido social e nos laços que unem as pessoas numa sociedade civilizada e numa democracia em que todos somos proprietários e penhores do mesmo poder. Este à-vontade e esta indiferença pelo que é e significa a boa-fé vai ficar como uma mancha para o presente e para o futuro no tónus moral destes tempos.”

(José Pacheco Pereira, Público)

Os dois brasis

Folha Online

Fonte: Folha Online.

 

 

O Brasil ficou dividido ontem, na eleição presidencial mais renhida dos últimos 25 anos. Em regra as regiões mais pobres votaram em Dilma e as outras em Aécio Neves.

Parece que um pouco mais de metade do eleitorado ainda terá no ouvido o lema do velho Paulo Maluf: “Roubo, mas faço!” Ou seja, tornou-se indiferente à corrupção em altíssima escala, que sequestrou o aparelho de Estado em especial nos últimos doze anos, e cujo caso mais notável terá sido talvez a Petrobrás.

O PT já não consegue ganhar no país mais desenvolvido e com mais educação (como o Estado de São Paulo) e Aécio não conseguiu penetrar nas regiões mais atrasadas como o Norte e o Nordeste.

Algumas das incidências do primeiro mandato de Dilma – como a corrupção desbragada, protagonizada pelos seus correligionários no aparelho de estado e as violentas manifestações populares de rua – não auguram nada de bom para os próximos quatro anos, com o país assim tão dividido. Apesar de tudo uma escassa maioria de eleitores deu o seu aval à corrupção. Assim, tudo leva a crer que teremos mais quatro anos de saque.

Resta pedir a Deus que tenha misericórdia e abençoe o Brasil.

Palavras perdidas (1394)

“Perante uma mulher que viu, depois de uma operação, a sua vida sexual seriamente limitada, o Supremo Tribunal Administrativo recordou que a senhora tinha 50 anos, “uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança.” O relator deste acórdão tem 64 anos. E é acompanhada por uma juíza com 59 e um juiz com 56. Todos fora de jogo. A muitos juízes, conhecedores da lei, falta-lhes o bom senso. Estudaram muito. Mas falta-lhes tudo resto. Ao que parece, até o essencial.

Por automatismo tendemos a acreditar que as nossas instituições são dirigidas por pessoas razoavelmente sensatas. Que ao topo chegam os melhores, os mais preparados, os mais razoáveis. Não acreditamos nisso quando falamos em políticos porque eles estão muito expostos. Mas em relação aos juízes, que, na função de julgar, precisam, mais do que quaisquer outros, de bom senso, esperamos que ao topo chegue quem tempere a inteligência e a preparação técnica com um pouco de saber da vida.Não há, na realidade, grande razão para ainda acreditarmos nisto.”

(Daniel Oliveira, Expresso)