Arquivo da categoria: Actualidade

Palavras perdidas (1372)

“O discurso dos centros de decisão nacional sempre foi essencialmente um discurso de poder, e de manutenção desse poder pelo regime vigente. Hoje é um anacronismo ridículo. O investidor estrangeiro já tomou conta. A EDP e a Ren são hoje chinesas, a Ana é francesa, o BCP, BIC, Zon e Optimus são angolanos, o BPI é hispano-angolano, o BES há de ser de quem o quiser, a Cimpor é brasileira, a PT quer sê-lo, a Galp é apátrida e há dezenas de grandes empresas à venda, incluindo hotéis, seguros, saúde e imobiliário do Grupo Espírito Santo, a TAP ou os resíduos do Estado.

O sistema mudou porque estava falido. O novo regime fala estrangeiro. Precisa de reguladores fortes, para que produza em vez de extrair riqueza de Portugal. Mas essa é a maior mudança a que assistimos. Não foi a troika que a trouxe, foi a dívida. O triste fim do Grupo Espírito Santo não é senão uma forma dramática e espetacular de o percebermos. Como diria José Sócrates, o mundo mudou.”

(Pedro Santos Guerreiro, Expresso)

 

Palavras perdidas (1371)

“Na verdade, a maioria esmagadora dos judeus, antes do Holocausto, considerava pátria e Europa como sinónimos. O genocídio nazi, que se alimentou dos vetustos ódios antissemitas do húmus europeu, transformou a utopia de Herzl numa solução tão urgente como um barco salva-vidas num naufrágio. No atual labirinto israelo–palestiniano só consigo ver vítimas encurraladas. Judeus e árabes, misturando o seu sangue, enquanto a política permanecer refém do ódio. Aqueles que na Europa, sem pestanejar, reduzem tudo num dedo acusador contra os judeus fariam melhor se olhassem ao espelho. Todo este sofrimento começou devido à fobia homicida perante a diferença. Esse retorcido e milenar demónio da nossa alma europeia.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Coisas que não entendo (4)…

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O governo continua a sua sacanagem governativa. Explico. A ideia luminosa de dividir para reinar prossegue. Ou seja, colocar portugueses contra portugueses. Novos contra velhos, funcionários públicos contra trabalhadores do privado, etc. Agora é na fiscalidade. Para se beneficiar as famílias com mais filhos, o projecto pretende agravar a carga tributária das outras. E essas outras ainda são 3,7 milhões de famílias…

Coisas que não entendo (3)… Governo decreta “eutanásia profissional”

EUTANASIA

Esta ideia peregrina de lançar uma lei que impede os reformados de trabalhar pro bono, sob risco de perder o direito à sua pensão, é pior do que estúpida.  É particularmente grave nas universidades, onde, de acordo com este aborto legislativo, nenhum professor jubilado pode dar uma aula que seja ou fazer uma conferência gratuitamente e em sossego.

Vem agora o governo emendar a mão – dada a bronca que a notícia gerou, a partir do momento em que Bagão Félix alertou o país para a existência da nova lei – prometendo criar uma outra para clarificar aquela…

Não consigo compreender.

Coisas que não entendo (2)…

pobres

Na mesma semana em que Passos Coelho apresentou o estudo sobre natalidade, encomendado pelo PSD a um professor da Universidade Católica, um outro académico da mesma casa veio para os jornais dizer que seria “criminoso aumentar o salário mínimo”… Mas afinal querem aumentar a natalidade ou brincar com o pessoal?

Como escreveu um colunista da nossa praça: “Imaginemos dois filhos em idade escolar. É altura de comprar livros, cadernos e restante material, que, como sabemos, estão pela hora da morte. Só de uma vez lá se vai um salário mínimo. E depois há a renda da casa, a luz, a água, o gás, a comida e um ou outro trapo para vestir. Feitas as contas, dois ordenados mínimos não chegam.”

Se calhar, para ver subir a taxa de nascimentos era importante aumentar os rendimentos das pessoas e dar-lhes segurança no emprego. E, como acrescentava Nuno Saraiva: “parece-me óbvio que criminoso é falar em nome dos pobres usando um discurso que os condena à pobreza eterna.”

 

 

CPLP: o nosso albergue espanhol

prostituição

A diplomacia portuguesa comporta-se hoje como uma velha prostituta de rua. Vende-se a quem queira pagar.

Ele é os vistos gold, para atrair estrangeiros  - sobretudo chineses – que metam cá o dinheirinho (não importa se são criminosos), ele é o dobrar a espinha à cleptocracia de Luanda, ele é o promover a integração na CPLP de uma ditadura que nem sequer fala a língua de Camões, mas é famosa pelo narcotráfico e, sobretudo, por ter aberto os cordões à bolsa a um banco cá do burgo em necessidade.

Sabemos que – como dizia o general De Gaulle – “os países não têm amigos, têm interesses”. Tudo bem, mas uma coisa é ter interesses, outra é vender a alma ao diabo…

Uma história muito mal contada

 

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Tenho muita dificuldade em compreender como é que a imprensa ocidental faz sempre de Israel o mau da fita, quando o Hamas usa os túneis para guardar armamento (e não para protecção dos civis), usa crianças como escudo humano de alvos militares (dando origem a inúmeras baixas desnecessárias), rapta, tortura e assassina jovens judeus, sem consequências judiciais para ninguém, lança milhares de mísseis sobre a população israelita (e alguns caem mesmo no seu território provocando baixas do chamado “fogo amigo”).

Além de tudo isso os terroristas do Hamas lutam pela destruição de Israel e juram morte a todos os judeus, sendo ainda os primeiros a quebrar o cessar-fogo e a boicotar as tentativas de paz, mesmo quando apoiadas pela Autoridade Palestiniana.

Por outro lado, Israel não tem que usar força desproporcional para defender a sua população das acções terroristas palestinianas, nem que criar colonatos contra o direito internacional.

 

Palavras perdidas (1368)

“O Governo já veio dizer que o saque do BES é oficial, e os comentadores andam a repeti-lo como se fosse normal. Por miúdos: diz o Governo que o dinheiro da troika para ser usado para recapitalizar a Banca ainda existe e vai usado no caso. Pois, mas o dinheiro da troika era para recapitalizar a Banca, isto é, aumentar o ratio de capitais próprios e era um empréstimo do Estado à Banca. No BES ele vai ser usado para tapar um buraco e por isso não vai aumentar o ratio nem ser devolvido ao Estado, vai recair sobre a dívida pública e a dívida pública é paga com despedimentos, fecho de maternidades, escolas, privatizações, ou seja, trata-se de facto – e só na parte conhecida e assumida – de trocar papel sem valor do património falido dos accionistas pelo valor real dos salários e pensões, salários directos ou salário em forma de Estado Social (o que pagamos para receber do Estado serviços públicos). Esta é a parte conhecida e que corresponde já a mais de 1% do PIB, quase 20% do Serviço Nacional de Saúde. Este desfalque, já garantido, está aí. E é a parte em que o Governo diz “não se preocupem está tudo bem, temos já o valor para tapar esse buraco”.

(Raquel Varela, Facebook)

Palavras perdidas (1367)

“As recentes nomeações de Vítor Bento (Presidente do SIBS e membro do Conselho de Estado) para Presidente Executivo do BES e João Moreira Rato (Presidente do IGCP) para Administrador Financeiro, a somar a Paulo Mota Pinto (Deputado do PSD) para o Conselho de Administração, revelam a enorme promiscuidade entre o grande capital e o poder político, nomeadamente os partidos que em cada momento estão no Governo.

Não é por acaso que a nossa Constituição estabelece que o poder económico deve estar subordinado ao poder político mas, mais uma vez, está bem patente quem domina e ao serviço de quem e de que interesses estão os partidos que se vão alternando no Governo.

É óbvio que esta promiscuidade resulta num empobrecimento do nosso regime democrático”.

(Paula Santos, Expresso)

Palavras perdidas (1366)

“É por isto tudo que não aceito a culpabilização sistemática dos mais pobres e mais fracos e da classe média, por terem vivido “acima das suas posses”, mesmo quando não o fizeram. E mesmo quando havia uma casa a mais, um carro a mais, um ecrã plano a mais, um sofá a mais, um vestido ou um fato a mais, umas férias a mais, uma viagem a mais, recuso-me a colocar estes “excessos” no mesmo plano moral dos “outros”. Algum moralismo salomónico, que coloca no mesmo plano a corrupção dos poderosos e dos de cima com os pequenos vícios dos de baixo e do meio, tem como objectivo legitimar sempre a penalização punitiva de milhões para desculpar as dezenas. É por isto que esta crise corrompe a sociedade e vai deixar muitas marcas, mesmo quando ninguém se lembre de Portas e de Passos.”

(José Pacheco Pereira, Abrupto)

Ovelha Perdida: “O problema dos lobos é sentirem que não temos medo deles…”

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Entrevista à “Ovelha perdida”.

 

Recuperamos aqui uma entrevista feita há uns anos e agora ligeiramente reformulada, por ocasião da passagem de um milhão de acessos a este blogue.

 

Você é mesmo uma “ovelha perdida”?

Sim e não.

Como assim?

Por vezes sinto-me perdida neste mundo tão superficial, idiota e malvado. Outras vezes acho que as pessoas andam todas a bater mal e que o mundo é um imenso manicómio. E quando penso assim acabo por ter compaixão delas, e volto a mordiscar umas ervas tenrinhas.

E cá para nós, acabo por pensar que até eu tenho direito a uma fatiazinha dessa loucura.

Mas afinal sente-se perdida ou não?

Uma coisa é o que se sente e outra o que se é. Os psicóticos normalmente não se sentem loucos. Loucos são os outros. Mas devo dizer que não me sinto nada perdida porque conheço bem o meu Pastor.

E…?

Sou uma ovelha crente. Creio em Deus e conheço-O, portanto nunca me poderia sentir perdida.

Nem mesmo quando passa – digamos – pelo vale da sombra da morte?

Especialmente aí nunca me sinto perdida, pois tenho a garantia de que o Bom Pastor está comigo.

Então porquê esse nome?

Porque gosto muito da parábola assim chamada, a estória que Jesus Cristo contou para ilustrar a sua mensagem. Só o facto de pensar que, estando eu perdida do rebanho, o pastor deixaria as demais na segurança do redil e me iria procurar, me encontraria e traria aos ombros, faz-me quase sentir vontade de me perder… Sei que é disparate, mas…

Talvez não esteja perdida, mas lá que é doida é…

Não sei, mas também não me importo com isso. Sinto-me bem assim. Não se esqueça de que todas as ovelhas que fizeram alguma coisa de útil por este mundo foram assim rotuladas: loucas.

E você, não se acha um pouco idiota, também?

Ora essa, porquê?

Por estar a entrevistar uma ovelha, porque é que havia de ser? Eu posso ser doida mas não sou atrasada mental, sei ver as coisas…

Realmente, nem sei onde tenho a cabeça…

Pois é, pois é.

Mas já agora, porque é que se interessa por tanta coisa? Podia ter um blogue temático como as pessoas. Mas tinha que ser diferente, não é?

Não tenho culpa de me interessar por muitas coisas diferentes. Se calhar faz parte da minha loucura. Nunca ouviu dizer que, “de são e de louco todos temos um pouco”? O problema é que alguns põem os pesos todos no prato do “louco”, e então a balança pesa demais daquele lado…

E a Poesia?

O que é que tem?

Porque essa paixão assolapada?

Porque sou uma ovelha-poeta. Você não vê que os campos verdes me inspiram, a flauta do Pastor, as sombras das árvores na calma da tarde, as águas tranquilas para matar a sede, o zumbido dos insectos na Primavera, as borboletas esvoaçantes, os pássaros no céu azul, as cigarras, enfim, tudo à minha volta transborda Poesia. É só uma questão de reconhecer o Belo no que está à nossa volta, em vez de andar armada em histérica sempre com medo do lobo.

Você não tem medo de lobos?

Medo, não. Mas prefiro não me afastar muito do Pastor. É mais seguro e fico tranquila.

E se um dia lhe aparecer mesmo um lobo pela frente?

Já estou preparada para essa eventualidade. Sabe como? Digo-lhe um poema!

Ah,ah,ah, um poema, não me faça rir. Está louca. E acha que ele se assusta?

Claro que sim, mas não é com um poema qualquer.

Então?

É com este. Quer ouvir?

Então lá vai:

Escuto. Mas o uivar dos lobos não me
assusta.
Nem o rumor do vento
porque o meu olhar se me alonga
para os pastos verdejantes
e as águas tranquilas.

O bardo onde vivo refrigera-me
(já nem sei o que sejam veredas errantes).
A lã de que sou vestido é branca,
e só de alegria o peito me salta
porque a mesa em que me sento é farta
e os meus inimigos se espantam comigo.

De facto, isso até arrepia…

Se você fosse lobo já estava a dar meia volta e a fugir com o rabo entre as pernas.

Acho que sim.

Pode crer. O problema dos lobos é sentirem que não temos medo deles. Mas há por aí muitas colegas, ovelhas, que tremem só de pensar nos lobos mas estão sempre a falar neles. No fundo não podem viver sem eles. Parvas…

Não acha que é estranho, no mínimo, uma ovelha ter assim tanta procura? Já foi visitada mais de um milhão de vezes por gente de todo o mundo…

Bem, também não tenho culpa que existam assim tantos doidos por esse mundo fora, não é?… Mas não sou caso único. Olhe a Popota, por exemplo, ou o Rato Mickey.

Acha então que os que a visitam são doidos como você?

Claro que sim. Que outro motivo teriam para me procurar?

Gostaria de deixar uma última mensagem aos cibernautas leitores do blogue?

Última, porquê? Não estou a pensar morrer nos próximos dias…

Você sabe o que quero dizer. Última palavra desta entrevista.

Ah, sim, claro que quero deixar a última palavra desta entrevista.

Então deixe…

Mééééééé…

 

© José Brissos-Lino (16/7/14)

Já vão tarde

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Pode o PSD vir agora preocupar-se muito com a natalidade portuguesa. E PS e CDS também. Durante muitos anos as políticas governativas foram claramente anti-família.  E não é certamente com esta orientação de austeridade pura e dura que será possível reverter o suicídio colectivo e lento do país, que chegou ao ponto de nem sequer conseguir renovar as gerações.  Até porque os nossos jovens estão a ir fazer filhos “lá fora” e os que os têm pequenos a levá-los com eles para os destinos de emigração, onde se irão aculturar e fixar no futuro.

Palavras perdidas (1365)

“Fechou-se completamente um ciclo da história económica portuguesa. O último dos banqueiros portugueses caiu. Sem honra nem glória. A última das famílias tradicionais, nascida no século XIX, afunda-se em dívidas. Depois de Champalimaud e dos Mello foi a vez dos Espírito Santo. Perderam o banco e não sabemos ainda quem o ganhou. Resta à família, mesmo zangada entre si, gerir as dívidas de um império não financeiro que, afinal, tinha pés de barro. Da Comporta ao Tivoli, tudo está agora nas mãos dos credores.”

(Helena Garrido, J. Negócios)

Palavras perdidas (1364)

“Agora que Ricardo Salgado arrisca afundar-se, quem são os primeiros a pôr-se na fila para o empurrar borda fora? Os mesmos senhores e as mesmas senhoras que ainda há dois meses corriam ao beija-mão, agitados e agitadas, de cabeça quase na alcatifa, coluna em arco, embevecidos e embevecidas por algum mensageiro do monarca – “o dono disto tudo” – ter comunicado a benesse de uma audiência exclusiva, de um almocinho discreto, de uma partida de golfe esperançosa, de uns 30 segundos de atenção. Se fossem de espécie canina, abanariam o rabito de felicidade, tal era o frenesim…

Quantos jornalistas, analistas, empresários, políticos, magistrados e outros satélites do poder contribuíram para um silêncio comprometedor, anos e anos a fio? Quem aceitou, por exemplo, o silenciamento generalizado do crime, a troco de coimas, que foi o resultado final da gigantesca Operação Furacão? Quem aceitou a normalidade de um esquecimento de oito milhões de euros numa declaração de IRS? Quem impediu que notícias desagradáveis ao BES fossem publicadas? Quem alguma vez analisou seriamente as contas da teia empresarial montada pelo Grupo Espírito Santo? E como é que a troika, que vasculhou tudo e todos, não deu por nada aqui?

Esta gente vai safar-se. Passada a tempestade no BES, se calhar dominada com dinheiros públicos, a elite nacional que se curvava a Salgado reconfigurará as “amizades”, “as relações” e continuará a servir e a servir-se de um qualquer novo dono do País… Até ter de o cuspir.”

(Pedro Tadeu, DN)

Palavras perdidas (1363)

“Porque é que o Hamas não protege as crianças palestinianas como faz Israel? Há mais de mil túneis em Gaza que só servem para armazenar material e proteger as chefias. As crianças não têm lugar nos bunkers do Hamas: são, tristemente, parte do martírio do terror. Fathi Hammad, ministro do Interior do Hamas, chamou–lhe “indústria da morte”, rematando assim para Israel: “Desejamos a morte como vocês desejam a vida.” Ele sabe do que fala.”

(Bernardo Pires de Lima, DN)

Alemanha: a equipa

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Fez-se justiça esta noite com a vitória da Alemanha no Mundial FIFA 2014. Mas para a justiça ser maior, esta final deveria ter sido disputada entre Holanda e Alemanha. Mas a lotaria do penalties ditou outra coisa.

A Alemanha foi a equipa mais regular e a melhor. Mereceu ganhar. A apesar de a Argentina se ter batido muito bem neste último jogo, a verdade é que nunca convenceu muito, ao longo da competição. E desta vez nem o Papa lhes valeu…

Nauer foi o melhor guarda-redes, apesar de alguns colegas de altíssima qualidade, como Navas e Ochôa, entre outros. Mereceu inteiramente o respectivo galardão.

Já o Messi eleito como melhor jogador de campo deve ser piada. Meus ricos Robben e James Rodriguez… Mas como ele é afilhado do Blatter e os jornalistas gostam muito dele, tinham que lhe dar um doce. Completamente imerecido. Messi não fez nada neste Mundial que justificasse a distinção.

Para os meus amigos brasileiros deve ter sido um alívio que o país das pampas não tenha levado a taça. É que já vou ouvindo cantar por aí “Don’t cry for me Argentina!”…

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Palavras perdidas (1362)

“Se em abril de 2011 o BCE tivesse já em aberto a possibilidade do OMT (anunciada apenas em setembro de 2012), Portugal teria, com forte probabilidade, evitado o resgate nos termos onerosos em que ele ocorreu. Concluindo: a dívida que nos oprime tem uma componente nacional e outra europeia. Até agora, só os portugueses cumpriram a sua dolorosa parte.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

Os reguladores não regulam nada

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Não entendo os elogios da imprensa doméstica ao regulador bancário no caso BES. Mais uma vez deixou de fazer o trabalho de casa. Tal e qual como o anterior, com o caso BPN, que tão criticado foi. O escândalo já anda nas bocas do mundo, lá fora. Desconfio que vamos todos pagar outra vez pelos roubos de colarinho branco.

De vitória em vitória até ao massacre final

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Se formos justos, a equipa canarinha neste mundial nunca chegou a demonstrar futebol suficiente para ir à final. Apenas dois ou três jogadores disfarçaram a pobreza do colectivo. Na fase de grupos foram empurrados pelas arbitragens, mas depois, já na fase do mata-mata, revelaram grandes dificuldades em passar as eliminatórias.  Ontem, contra uma boa equipa, foi o que se viu. Arrisco em dizê-lo antes do jogo desta noite, mas coisa semelhante parece passar-se com a  Argentina.  Logo veremos.

Palavras perdidas (1360)

“A ideologia confusa e híbrida que caracteriza os actuais dirigentes do PSD tem sido descrita como “liberal” ou “neoliberal”. Tenho-me sempre manifestado contra esta classificação que dá demasiada dignidade ideológica a uma mescla de ideias e posições que nada têm de liberal. Se quisermos fazer a distinção sem sentido entre “liberalismo económico” e liberalismo político, rapidamente compreenderíamos que o “liberalismo económico”, a que correntemente se chama “neoliberalismo”, não é liberalismo. O liberalismo, com o seu amor pela liberdade, a sua valorização do indivíduo, a percepção da relação entre a propriedade e a liberdade, a pulsão pela privacidade e pelo direito de cada um definir os objectivos da sua vida, tem muito pouco a ver com a redução do homem ao “homo economicus”, a ditadura estatal do fisco, a burocratização de toda a actividade social para aumentar o controlo do Estado, o desrespeito pelo primado da lei, o encosto aos mais fortes e culpabilização dos mais fracos.”

(José Pacheco Pereira, Público)

E os outros?

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Sei que isto vai ser considerado politicamente incorrecto, mas não é esse o farol que me guia.

Ninguém me ouviu uma palavra no coro de lamentações à volta da morte trágica do filho da jornalista Judite de Sousa. Coro que tem sido ensurdecedor, nos últimos dias, em termos de mensagem informativa, nas televisões e nos jornais do país.

E a razão é só uma: não quero ser injusto nem faltar ao respeito por tratamento tão exageradamente desigual para com todas as pessoas que morreram tragicamente nestes dias, sobretudo crianças, e cuja memória ninguém parece interessado em invocar.

Para mim, que não conhecia pessoalmente nem uns nem outros, todos os falecidos têm a mesma dignidade enquanto seres humanos. E tenho a certeza de que para Deus também.

Carlos do Carmo: um prémio merecido

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Carlos do Carmo é um homem de convicções. Nasceu fadista mas soube percorrer outros caminhos com uma profunda inteligência – sem nunca renegar as suas origens – promovendo assim o Fado e contribuindo para derrubar barreiras culturais e de preconceito, em relação a essa forma de expressão artística que procede da alma portuguesa.

Recebe agora o Grammy que distingue toda uma carreira artística de meio século (“Lifetime Achievment”), sendo o primeiro português galardoado.

Foi uma personalidade incontornável na campanha que levou à inscrição do Fado, enquanto forma artística, como Património Imaterial da Humanidade, da qual o fadista foi um dos embaixadores, e que venceu há três anos.

Venha a nós o vosso dinheiro

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Isto às vezes parece mais um bordel do que um país.  Primeiro o governo convida (e obriga, na prática) os portugueses a emigrar. Depois quer captar estrangeiros. Estudantes, para encher as universidades públicas deficitárias. Reformados, para dinamizar um mercado imobiliário quase parado. E empresários, para investirem na nossa depauperada economia. Grandes estadistas que nos calharam na rifa…

Palavras perdidas (1358)

“Mas não nos enganemos. Infelizmente, é a Alemanha monetarista (os economistas financistas em Frankfurt) e austeritária (os ordoliberais em Berlim) que hoje domina. E domina com a cumplicidade cabisbaixa de governos subalternos como a aliança PSD-CDS.

E enquanto isto a confusão continua a reinar no cenário europeu como um todo. A União Europeia não se entende quanto à Presidência da Comissão Europeia. Os Europeus deixaram de perceber para que serve a Europa.

Afinal talvez bastasse apenas um punhado de euros para relançar o sonho europeu. Talvez todo o dinheiro perdido com a má gestão desta crise tivesse sido melhor empregue num novo plano Marshall virado para a economia real e para uma Europa solidária.

Afinal o verdadeiro “western” dos nossos tempos é a globalização. Não perceber isso, é dar tiros nos pés. Como se vê.”

(Sandro Mendonça, Expresso)

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/por-um-punhado-de-euros=f877800#ixzz35jTHT3it

Palavras perdidas (1357)

“A completa desresponsabilização sobre a crise dos últimos anos, desencadeada pelo sistema financeiro, mas de que no fim este veio a beneficiar, marca moralmente como uma doença a sociedade da crise em que vivemos. O que choca as pessoas comuns e é uma fonte enorme de descrença da democracia e de sentimento de injustiça propício a todos os populismos, é que ninguém imagina que um ministro, primeiro-ministro ou Presidente se fosse sentar à mesa com alguém que tivesse desviado uns poucos milhares dos seus impostos ou tivesse um restaurante, uma barbearia, ou uma oficina de automóveis em modo de “economia paralela”, enquanto todos os viram nos últimos anos, em plena crise, conviver agradecidos e obrigados com estes homens que aparecem agora nos jornais como se tendo “esquecido” de declarar milhões de euros ao fisco ou estando à frente de instituições bancárias que emprestaram a amigos e familiares muitos milhões de que não se sabe o rastro, e tinham contabilidades paralelas.

É por isto tudo que não aceito a culpabilização sistemática dos mais pobres e mais fracos e da classe média, por terem vivido “acima das suas posses”, mesmo quando não o fizeram. E mesmo quando havia uma casa a mais, um carro a mais, um ecrã plano a mais, um sofá a mais, um vestido ou um fato a mais, umas férias a mais, uma viagem a mais, recuso-me a colocar estes “excessos” no mesmo plano moral dos “outros”. Algum moralismo salomónico, que coloca no mesmo plano a corrupção dos poderosos e dos de cima com os pequenos vícios dos de baixo e do meio, tem como objectivo legitimar sempre a penalização punitiva de milhões para desculpar as dezenas. É por isto que esta crise corrompe a sociedade e vai deixar muitas marcas, mesmo quando ninguém se lembre de Portas e de Passos.”

(Pacheco Pereira, Público)

 

Nem bestiais nem bestas, apenas seres humanos

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Uma coisa é avaliar realisticamente o desempenho da selecção portuguesa, outra é insultar jogadores e equipa técnica. Aqueles que os insultam agora parecem mais vítimas da inveja social (que já o velho Camões denunciava), ou quem precisa de um bode expiatório para libertar a sua frustração pessoal. No primeiro caso é feio. No segundo, pode até funcionar como catarse e ser libertador, mas continua a ser muito feio.

Uma selecção de futebol não pode carregar o país às costas. Por outro lado a comunicação social explora o fenómeno da paixão por este desporto como lhe convém. Compreensível. Já não se compreende é a tentação do poder político cavalgar esta janela de possível sucesso. É caso para perguntar porque razão Cavaco recebeu a selecção em Belém, com pompa e circunstância,  à partida para  a Copa (com direito a selfies, almoço e tudo) e não fez o mesmo, por exemplo, com Rui Costa, o nosso campeão do ciclismo, nem sequer uma referenciazinha no seu querido Facebook, a não ser depois de consumado o feito inédito, depois do rapaz ter ganho pela terceira vez (consecutiva) a Volta à Suiça.

Pelos vistos os terços religiosos (!!!) do senhor Evangelista (Sindicato dos jogadores) não surtiram efeito. Da próxima vez fazem o quê? Pagam-lhes uma ida à bruxa?

Não merecemos

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A selecção portuguesa carimbou ontem o regresso a casa. Pareceu quase sempre uma equipa mole e sem ambição. Depois de estar a ganhar pela margem mínima pouco mais fez do que tentar manter o resultado, o que seria perigoso, por ter sido obtido logo aos 5 minutos, e também porque os americanos nunca prescindiram do ataque, embora com algumas cautelas. O que eu vi foi muitos passes errados, algum receio de ter a bola e uma incrível falta de ambição em tentar matar o jogo com mais golos. Ao fim de dois dos três jogos desta fase pode-se dizer que Portugal não merece passar aos oitavos.

 

A nudez incomoda mais a FIFA do que o nazismo…

 

Um adepto interrompeu o jogo Alemanha-Gana, com uma inscrição nazi no tronco. O homem não foi perseguido por nenhum segurança, tendo sido acompanhado para fora do relvado pelo jogador ganês Muntari. Se fosse uma criança ou uma adepta, a segurança caia-lhes logo em cima…

Palavras perdidas (1356)

“Trago a dialética aqui para louvar a iniciativa do Governo em tentar elevar o debate, fazê-lo filosófico até, em tempos em que as atenções populares estão tão junto à relva. Poucos perceberam o que fez Poiares Maduro, tipo inteligente e culto, ao dizer, anteontem: “Ai houve funcionários que já receberam as férias?! Tramaram-se, agora a devolução dos cortes não é para eles.” Julgou-se que Poiares estava a criar uma nova categoria de funcionários, de segunda. Mas não, ele estava a participar num diálogo dialético. A prova é que, logo depois, ontem, um ministro mais alto do que Maduro trouxe a contradição: que não. Que, afinal, todos os funcionários são iguais e não se pensa pôr avisos nos urinóis da administração pública: “Proibido a funcionários apressadinhos que fazem férias primaveris.” Não, repito: era só dialética: um murro nos dentes, um beijo na boca. E assim, pela contradição, avançamos. Aliás, não é nada de novo neste Governo. Ainda no ano passado, um ministro apareceu e disse: “Demito-me!” E dias depois: “Tarã! Voltei!” Só que essa contradição, protagonizada pelo mesmo, soou um bocado a esquizofrenia. Agora, é mais elaborada. É dialética.”

(Ferreira Fernandes, DN)