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O Costas largas

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Hoje caiu uma tromba de água em Lisboa. Subitamente caiu uma chuvada impiedosa, torrencial e inesperada, que nem a Protecção Civil conseguiu prever.

A tendência populista – muito presente nas redes sociais – de mãos dadas com a direita e António José Seguro (que nunca dirigiu nem uma Junta de Freguesia) sugerem (quando não chegam mesmo a afirmar) que a culpa é do Costa. Como já cá não anda o Sócrates, há que atacar aquele de qualquer maneira. Pois.

Como se o presidente da Câmara Municipal de Lisboa é que devesse limpar as sarjetas, tarefa que compete às Juntas de Freguesia da cidade. Como se, mesmo com as sarjetas limpas (não sei se estavam ou não) uma tromba de água deste calibre não provocasse inundações, só por si, inevitavelmente. Como se, quando a precipitação intensa coincide com a preia-mar (maré alta) o sistema de esgotos pudesse escoar as águas pluviais para o Tejo, em vez de, nas partes baixas da cidade,  ser o rio a bombear água para a cidade. A propósito, a preia-mar terá coincidido sensivelmente com a referida chuvada.

Lisboetas idosos entrevistados pela televisão afirmaram não ter memória de uma coisa assim.

Costa já foi julgado pelos lisboetas, pela forma como governou a cidade, em devido tempo e saiu-se com distinção. Esta manobra de confundir propositadamente Lisboa e o PS destina-se a outros fins, bem evidentes, como se sabe.

Esclareço que não vivo em Lisboa. E que não sou militante do PS nem de nenhum outro partido. Não sou nem nunca fui. Esclareço, também, que não me inscrevi sequer como simpatizante, pelo que não votarei nestas primárias. Contudo não me são indiferentes. Mas não gosto de populismos nem mistificações.

 

 

Concurso Mea Culpa

Depois da ministra da Justiça (por causa da barracada da dita “reforma”, incluindo o estado do Citius e os tribunais em contentores) e do inefável Crato (devido à barracada do concurso de professores) pedirem desculpa ao país, adivinhem quem vai ser o próximo ministro a dobrar a cerviz e a bater com a mão no peito.  É que as eleições aproximam-se rapidamente…

Prevaleceu o pragmatismo e a cautela

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Fonte: New Yorker.

Os escoceses exerceram ontem (e nos últimos dias) a democracia de forma exemplar. Ganharam todos, os do Sim e os do Não. Prevaleceu um certo pragmatismo e a cautela que, tal como os caldos de galinha, não fazem mal a ninguém, ainda por cima nos dias em que estamos a viver. O monstro de Loch Ness afinal quer continuar a fazer parte do imaginário do Reino Unido.

Uma “normalidade ” muito anormal

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A ministra da Justiça reclamar a normalidade do Citius, que está a funcionar apenas com os novos processos judiciais, é a mesma coisa que os hospitais virarem as costas aos doentes internados, e os médicos passarem a tratar apenas os que chegam agora, vindo o ministro da Saúde dizer na televisão que está tudo normal. Vê-se…

Palavras perdidas (1384)

“A sentença para Armando Vara de cinco anos de cadeia por ter recebido 25 mil euros e praticado três crimes de tráfico de influências foi saudada como um momento em que a justiça portuguesa condenou de forma cega, liberta do medo dos poderosos. Tenho dúvidas.

Em primeiro lugar, há oito anos, quando o processo começou, Armando Vara era, sim, um poderoso. No dia da condenação, no entanto, já nem conseguia falar aos outros traficantes de favores que o tornavam influente: em Portugal abandonar os que caem em desgraça é um estilo de vida socialmente aceite. O Vara de hoje não mete medo a ninguém e muito menos a um tribunal. Talvez haja quem receie ser contagiado pelos seus crimes, mas é só.”

(Pedro Tadeu, DN)