Arquivo da categoria: Arte, Educação, Cultura

Antiguidades (7)

A prótese mais antiga – 3.000 anos
Objetos antiguos

Já desde há 3.000 anos que as pessoas se preocupam o suficiente com o seu bem estar para fazerem próteses. Esta terá sido utilizada para ajudar uma pessoa a andar, no Antigo Egipto. De acordo com as investigações e réplicas levadas a cabo pelos técnicos, esta peça é uma prótese muito prática e funcional.

Montmartre

Montmartre, Paris, 1952 - Photo by Robert Capa. Classic Pics.Montmartre, Paris, 1952 – Foto de Robert Capa. Classic Pics.

 

 

O cantinho sagrado da arte chama os jovens

ao paraíso dos olhares. Entre o cemitério e o Sacré Coeur

Montmartre atrai-lhes o gosto colegial

e o desejo de sonhos precoces

 

à volta da boina basca do velho artista

reconstrói-se o mundo inteiro

numa liturgia de minúcias

pinta-se o tempo enquanto o Sena corre

lá em baixo carregado de indiferenças

o pincel afaga a tela com os cuidados

dos amantes apaixonados. Fixa-lhes a vida

com cores vivas

 

à espera que a brisa entre na dança das artes

e participe na festa dos sentidos

como quem seca os cabelos ao vento

num filme romântico ao ar livre

num país de Verão.

 

 

© José Brissos-Lino

20/10/14

O embarque (poema de J. T. Parreira)

Embarque no Niassa para a Guerra Colonial. 1971Embarque de soldados no Niassa para a Guerra Colonial, 1971. 

 

 

Na partida dos navios

parecia Portugal a emudecer, as mães

faziam lágrimas bordadas nos lenços, o silêncio

a subir do Tejo, entre o cais e o navio

entretanto, na partida dos navios a alegria antes do medo.

Como aves displicentes pelos mastros, ao sol

Deitam-se soldados no convés, até ao vento

Que começa a aquecer, sabem

que estão à beira de África, às costas

o peso de um dever e nas mãos a morte

que das sombras da mata um dia pode vir.

Adormecem e os sonhos vacilam

Sobre a ondulação do mar.

 

18-10-2014

 ©  J.T.Parreira 

Era uma vez um forte que dava para o mar

naom_53f31f103674fFoto: Michal e Hania Mackowiak.

 

Era uma vez um forte que dava para o mar

como que a querer escapar do continente

mas não muito. Sempre restava uma ténue e sinuosa

ligação a Finisterra

que exigia perícia e vontade

e uns postigos minúsculos que recusavam a ideia

de alguém o querer transformar

em jangada de pedra. Tão longe e tão perto

como amantes apaixonados

sem saber o que fazer

com aquela loucura breve

saída do lápis dos deuses.

 

 

© José Brissos-Lino

10/10/14