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Uma “normalidade ” muito anormal

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A ministra da Justiça reclamar a normalidade do Citius, que está a funcionar apenas com os novos processos judiciais, é a mesma coisa que os hospitais virarem as costas aos doentes internados, e os médicos passarem a tratar apenas os que chegam agora, vindo o ministro da Saúde dizer na televisão que está tudo normal. Vê-se…

Palavras perdidas (1384)

“A sentença para Armando Vara de cinco anos de cadeia por ter recebido 25 mil euros e praticado três crimes de tráfico de influências foi saudada como um momento em que a justiça portuguesa condenou de forma cega, liberta do medo dos poderosos. Tenho dúvidas.

Em primeiro lugar, há oito anos, quando o processo começou, Armando Vara era, sim, um poderoso. No dia da condenação, no entanto, já nem conseguia falar aos outros traficantes de favores que o tornavam influente: em Portugal abandonar os que caem em desgraça é um estilo de vida socialmente aceite. O Vara de hoje não mete medo a ninguém e muito menos a um tribunal. Talvez haja quem receie ser contagiado pelos seus crimes, mas é só.”

(Pedro Tadeu, DN)

Foi mau demais

portugalalbania47214332Fonte: A Bola.

 

Foi mau demais. Se é isto que Paulo Bento consegue fazer com os (supostamente) melhores jogadores portugueses, bem pode limpar as mãos à parede.

Mas a responsável é a Federação, não esqueçamos. Depois da triste figura no Brasil voltou a apostar em mais do mesmo. Aí está o resultado. É com uma equipa sem rumo, sem estratégia, sem rotinas e sem personalidade que vão querer empolgar a população? Não me parece.  Só se for os emigrantes, que estão sempre dispostos a apoiar tudo o que é português, mais pelo coração do que pela razão.

Ontem perdemos a possibilidade de estar no Europeu de França em 2016, onde, uma vez chegados à fase final, poderíamos contar com o apoio massivo das cores verde-rubras. Sim, perdemos. Ronaldo pode ser o melhor do mundo mas não faz milagres, e uma boa selecção é sempre muito mais do que um bom jogador.

Sejamos francos. O que estamos a ver é o mesmo que se vê todos os dias no país. Interesses económico-financeiros (entenda-se empresários, fundos, etc) a dominar a política e a sociedade, neste caso, um desporto que movimenta milhões. O resto é apenas o que se vê à superfície.  Quem manda no futebol português é um senhor, que não é treinador, nem jogador, nem dirigente desportivo e que me abstenho de nomear. Quem anda no futebol sabe bem quem é e como construiu uma eficaz teia de poder ao longo dos últimos anos.

Palavras perdidas (1382)

“A ministra Teixeira da Cruz argumenta, em defesa da sua proposta, e recorrendo ao populismo mais básico e barato, que “se eu tiver filhos menores, tenho o direito de saber”. Não, senhora ministra. Num Estado que é de direito, eu não tenho o direito de violar princípios básicos da ética, da decência e, enfim, da Constituição e dos mais elementares direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Se as penas são leves, pois que sejam agravadas e aplicadas de forma exemplar, e sem tanta margem para reduções. Mas aquilo que Teixeira da Cruz defende ou propõe é a condenação eterna de cidadãos, considerando que as decisões dos tribunais não chegam como punição ou castigo.

Uma coisa é eu, como pai, dizer que gostava de saber se o meu vizinho de cima já foi condenado por pedofilia. Claro que gostava. Mas gostar de saber é diferente de ter o direito a saber. É que, ao meu vizinho de cima, por criminoso que seja, assiste o direito de viver em paz, de acordo com as normas, depois de cumpridas as decisões dos tribunais. E ao Estado compete, em vez de ser bufo, garantir que assim seja. A isto chama-se respeito pelo Estado de direito. O reverso desta medalha é, como ontem aqui escrevia a Fernanda Câncio, o regresso à lei do princípio da “exposição infamante e persecutória”. Isto é, e até porque todos os cidadãos têm de ser iguais perante a lei, se esta ideia passasse, haveria que fazer também listas de homicidas, de ladrões de bancos, carteiristas, burlões, corruptos e de mais um sem-número de condenados.”

(Nuno Saraiva, DN)