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Histórias da carochinha

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Há gente muito preocupada se Costa vai sair da presidência da Câmara Municipal de Lisboa ou não, e se, caso saia, quando sairá.  Por acaso não têm mais nada com que se preocupar? Por acaso ele não foi eleito para o cargo? Não está em pleno exercício de funções? Não há precedentes históricos? Então qual é o problema? Os jornalistas deviam concentrar-se nos verdadeiros problemas da cidade e não nesta baixa política. Compreende-se que o PSD ou outros queiram tentar marcar a agenda política com esta mão cheia de nada, mas os jornalistas?… Concentrem-se na actividade da autarquia e menos em histórias da carochinha.

O excelente negócio dos submarinos

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Porque é que a já velha estória dos submarinos ainda não foi contada e exposta? Porque houve muitos a comer. Por isso se tapam uns aos outros. Quem se lembra das 60 mil fotocópias de documentos oficiais  que Paulo Portas mandou tirar para ele, na véspera de abandonar o ministério da Defesa? Quem compreende que um mesmíssimo negócio ferido de corrupção tenha levado pessoas à cadeia na Alemanha, e aqui… nada? Pois é. Não se devem perturbar os grandes negócios.

A escolha não era difícil

 

Ao contrário do que a maioria dos comentadores e de muitos políticos previa, a vitória de António Costa sobre Seguro não foi por pouco, mas foi clara, inequívoca e categórica.

A campanha das primárias veio a revelar um líder do PS a entrar abertamente no pântano da demagogia e no populismo, na imitação de um qualquer líder dum partido de protesto, nas franjas do espectro político, e nunca como um futuro primeiro-ministro.

A estratégia de campanha segurista foi lamentável. A rábula do menino da província contra o menino da cidade foi execrável e do maior primarismo, não merecendo por isso quaisquer comentários.

A acusação da “traição” foi lamentável, para quem, mal chegado à liderança do partido, tratou logo de blindar os estatutos de modo a que ninguém pudesse contestar a sua posição com sucesso. Os grandes partidos existem para conquistar o poder e governar. Não para ter pequenas vitoriazinhas que de nada servem. E apesar de Seguro ter o partido na mão, a verdade é que os militantes e simpatizantes interiorizaram que com ele não conseguiam atingir os seus objectivos. O controlo da máquina não é tudo. E ainda bem, é sinal de que as pessoas estão vivas e ainda pensam pela sua cabeça.

Mas o pior foi a grave acusação de Seguro a Costa, tentando colá-lo aos “negócios” e interesses privados, quando não apresentou um único caso concreto que suportasse tal afirmação. Apenas referiu um apoiante. Pois é. Ramalho Eanes também foi apoiado por um partido de extrema-esquerda na sua primeira eleição presidencial, o MRPP, por exemplo, e nem por isso alguém se lembrou de dizer que o homem seria um perigoso esquerdista… A coisa foi de tal ordem de agressividade que a campanha de Costa não conseguiu resistir à tentação de responder na mesma moeda, já  na fase final.

Mas a escolha não era difícil. De um lado estava um homem com pensamento político (basta ouvi-lo na “Quadratura do Círculo”) e com experiência de governação. Além de já ter sido ministro de pastas relevantes (como a Justiça ou a Administração Interna), e preside há sete anos ao município lisboeta, que é muito mais importante do que muitos ministérios. Do outro lado estava um político que nunca governou nem uma junta de freguesia…

De um lado estava alguém que já havia passado com distinção o teste de eleições personalizadas (como as autárquicas), e do outro alguém que nunca concorrera a eleições personalizadas para cargos públicos de carácter executivo.

De um lado estava uma figura que inspira confiança e do outro alguém que oscila entre uma oposição invertebrada e um excesso de agressividade.

De um lado estava um homem que já provou ser capaz de construir alianças em nome de um projecto político, e do outro alguém que nem o seu próprio partido conseguiu unir em três anos.

Costa tem agora grandes desafios pela frente.  Tem sabido marcar os seus tempos políticos e, sabendo resistir à pressão da opinião publicada, tem conquistado a opinião pública. Vamos ver do que é capaz. Uma coisa já ele conseguiu, passar a imagem de que em 2015 o eleitorado vai poder escolher entre dois projectos de governo distintos e diferenciados. E isso já não é pouco, mas no congresso que se segue terá que começar a especificar no concreto as suas opções.

 

De braço no ar é melhor?

Jerónimo de Sousa classifica primárias do PS como uma farsa

 

Fica muito mal a Jerónimo de Sousa dizer o que disse sobre as primárias no PS. A sua escola não é a melhor em matéria de transparência e democracia. A não ser que seja para tentar travar politicamente a clarificação no partido que pode levar os socialistas ao poder, face a um governo desgastado e a um primeiro-ministro atolado no lamaçal da Tecnoforma e numa governação desastrosa.

E porque é que ele pode e os outros não?

 

Porque será que um dirigente desportivo (conhecido por Papa) pode dizer em público que se sentiu vigarizado pelo presidente da república e pelo primeiro-ministro (a propósito do BES) e nada lhe acontece, mas um desgraçado qualquer que diz uma boca contra o PR numa praça duma cidade do interior é logo incomodado pela polícia? Dois pesos e duas medidas, como é costume, nesta república das bananas…