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Palavras perdidas (1394)

“Perante uma mulher que viu, depois de uma operação, a sua vida sexual seriamente limitada, o Supremo Tribunal Administrativo recordou que a senhora tinha 50 anos, “uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança.” O relator deste acórdão tem 64 anos. E é acompanhada por uma juíza com 59 e um juiz com 56. Todos fora de jogo. A muitos juízes, conhecedores da lei, falta-lhes o bom senso. Estudaram muito. Mas falta-lhes tudo resto. Ao que parece, até o essencial.

Por automatismo tendemos a acreditar que as nossas instituições são dirigidas por pessoas razoavelmente sensatas. Que ao topo chegam os melhores, os mais preparados, os mais razoáveis. Não acreditamos nisso quando falamos em políticos porque eles estão muito expostos. Mas em relação aos juízes, que, na função de julgar, precisam, mais do que quaisquer outros, de bom senso, esperamos que ao topo chegue quem tempere a inteligência e a preparação técnica com um pouco de saber da vida.Não há, na realidade, grande razão para ainda acreditarmos nisto.”

(Daniel Oliveira, Expresso)

 

Palavras perdidas (1393)

“O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência. Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou. Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de ignorância. Ou seja, nada de original.”

(Vasco Pulido Valente, Público)

Palavras perdidas (1392)

“Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz, que levaram até ao limite o exercício da incompetência técnica e da desfaçatez política, escondem-se atrás do primeiro-ministro que, orgulhoso, confere aval às suas desastradas actuações; o primeiro-ministro e a ministra das Finanças escondem-se atrás do governador do Banco de Portugal, a quem atribuem as decisões, e as respectivas consequências, sobre o desaparecimento do BES. Tudo se passa por detrás de uma espessa cortina de nevoeiro. Vai-se sabendo, como resultado de alguma investigação jornalística, que o Banco de Portugal soube da dimensão da exposição do BES ao Grupo Espírito Santo muitos meses antes de actuar, permitindo que o descalabro se ampliasse. Como se soube que foi permitida, durante dois dias, a venda de acções do BES quando já tinha sido tomada a decisão de mandar o banco para o lixo, facilitando a vida a quem tivesse acesso privilegiado a essa informação. O exercício do poder transformou-se na arte de enganar os cidadãos.”

(Tomás Marques, Ionline)

Voltaram a mentir-nos

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O primeiro-ministro e a ministra das Finanças mentiram aos país (mais uma vez), a propósito do BES e agora querem dar o dito por não dito. Afinal sempre vamos ser nós a pagar os prejuízos derivados das malfeitorias do BES/GES, ao contrário do que nos asseguraram quando o problema foi detectado pelo Banco de Portugal. Este governo está podre há muito, mas ultimamente vem dando uma imagem de degradação acentuada na praça pública, em especial nos ministérios da Justiça e da Educação, mas não só. O país começa a aguardar ansiosamente as próximas legislativas.