Arquivo da categoria: Portugal

Palavras perdidas (1378)

Não dou o benefício da dúvida ao Banco de Portugal”

(Miguel Cadilhe, economista, sobre a actuação do Banco de Portugal no caso BES. O antigo ministro das Finanças acredita que o banco central não fez tudo o que estaria ao seu alcance na sua função de supervisor.”Diário Económico”, 21/08/2014)

Palavras perdidas (1376)

“Todos gostaríamos que o caso BES/GES estivesse resolvido, com o maior grau de justiça e o menor dano possíveis. Mas não está. Em primeiro lugar, é falso dizer que os contribuintes estão a salvo. O empréstimo de 4,4 mil milhões de euros, facultado ao Fundo de Resolução, único acionista do Novo Banco, é dinheiro público, contabilizado na dívida pública. Só quando o empréstimo e respetivos juros forem saldados se poderá dizer que os contribuintes estão a salvo. Fazê-lo, agora, é confundir governação com propaganda.”

(Viriato Soromenho Marques, DN)

BES: uma história de enganos

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O BES enganou accionistas, reguladores e depositantes. O governo escondeu-se atrás do Banco de Portugal para fugir ao ónus da decisão do banco bom/banco mau. O Banco de Portugal ignorou os avisos da CMVM e da empresa que fazia auditoria ao BES, e enganou os portugueses ao garantir a solidez do banco, tendo deixado todos os accionistas agora a arder, incluindo os pequenos. Enganou também a restante banca que opera em Portugal com a sua decisão de ontem. E todos continuam a mentir quando dizem que isto não foi uma intervenção do Estado no banco, e que os contribuintes não vão ter que pagar os desmandos destes banqueiros no futuro, como ainda se verá.

 

Actualização: Ontem escrevi este post. Hoje deparo-me com esta notícia. Se eu não conhecesse estes políticos…

Palavras perdidas (1375)

“Quem aplica o seu dinheiro em acções sabe naturalmente que está a correr riscos. Mas muitos portugueses compraram acções do BES ou não venderam porque confiaram na palavra dos reguladores. E perderam tudo.

Quando no dia 10 de Julho Carlos Costa afiançou que o banco tinha uma almofada de liquidez para precaver qualquer percalço, muitos aforradores confiaram e compraram (ou não venderam) acções do BES. Duas semanas depois veio-se a saber que afinal o buraco no BES era muito maior e que afinal a almofada não chegava para nada. E quem confiou no regulador perde hoje tudo.

E quem comprou acções porque Carlos Costa disse no dia 16 de Julho que havia investidores privados interessados no BES comprou porque confiou na palavra do governador. Confiaram tantos que nesse dia as acções dispararam 20%. Os tais investidores privados nunca apareceram. Hoje as acções não valem nada. Zero.”

(Pedro Sousa Carvalho, Público)

As contrapartidas eram só a brincar…

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Dizia o Expresso que Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia declarou na comissão parlamentar de inquérito à compra de material militar que, enquanto foi ministro (entre 2011 e 2013) terá sido aconselhado a “não mexer no dossiê” das contrapartidas, porque se tratava de um assunto com um “grande passivo reputacional” e descreveu alguns contractos de contrapartidas celebrados por anteriores governos como “contrapartidas imaginárias.”

O modelo das contrapartidas foi desenvolvido para convencer a opinião pública de que a compra de material militar era neutra.

Perante a gravidade de tais declarações o que faz a Procuradoria? E o Tribunal de Contas? Não há ninguém que tire isto a limpo? Já vale tudo, incluindo a corrupção ao mais alto nível do Estado? Depois dos tribunais alemães condenarem cidadãos seus como corruptores dos decisores portugueses, no caso dos submarinos, continua a não haver corrompidos cá deste lado?