O sentido do sacrifício

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Os tempos da Quaresma e da Páscoa falam essencialmente de sacrifício. O problema é que o sentido do sacrifício, no âmbito religioso, está hoje arredado do entendimento do cidadão comum.

As pessoas compreendem o que é fazer sacrifícios materiais, supostamente em nome de um futuro melhor, mas não gostam de ser enganadas pelos políticos – que insistem no discurso do sacrifício – mas dificilmente conseguem ver alguma luz no fundo do túnel.

A fé cristã, porém, está baseada no princípio do sacrifício. Mesmo os seus antecedentes, a fé judaica (abraâmica), partem do quase-sacrifício de Isaque por Abraão. A ideia persiste na Pessach – a Páscoa judaica – ocasião em que um cordeiro seria sacrificado por cada família hebraica na noite que antecedeu o êxodo do Egipto.

Mais tarde o mesmo princípio passa depois à religião organizada, enquanto ritual estribado na lei de Moisés, com os holocaustos e outros sacrifícios de animais, no tabernáculo do deserto e depois no templo de Jerusalém, os quais funcionavam simbolicamente como sacrifícios de substituição dos antigos israelitas.

Mesmo na religião antiga, segundo a Torah, Deus terá requerido de Caim e Abel o sacrifício de sangue de um animal e não apenas oferendas de produtos da terra como frutos e flores.

Com o advento de Cristo, desde logo a figura é identificada como “o cordeiro de Deus” que tira o pecado do mundo, por João, o Baptista, dando o tom nas páginas neotestamentárias do drama do Calvário, onde se viria a consumar o efectivo sacrifício desse Cordeiro.

Mas o sacrifício comporta dois aspectos essenciais: por um lado a oferta solene à divindade, em donativos ou vítimas, e por outro lado a renúncia a algo que nos é precioso. O sentido do sacrifício de sangue aponta para o reconhecimento de que Deus é o dador da vida (representada por esse mesmo sangue), mas também para a ideia de que o animal imolado funciona como um substituto aceite pela divindade, pois, como reza o autor da Carta aos Hebreus: “E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (9:22).

Assim, o sentido da Páscoa é que Cristo, o Ungido de Deus, se entregou a si mesmo por nós, pecadores, num sacrifício vicário (substituinte), de modo a abrir-nos ao caminho da plena comunhão com Deus Pai, que é Santo e não aceita pecado na sua presença. O sangue do Cordeiro, que cobre simbolicamente todo aquele que pela fé o recebe como Salvador, é que nos possibilita essa entrada no Lugar Santo.

Boa Páscoa.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 16/4/14.

Palavras perdidas (1330)

“O problema (do SNS) está nos recursos humanos. É preciso criar condições para contratar bem e trabalhar. O sistema público não se pode pôr em paralelo com o sistema privado porque sai mais barato. Enquanto o SNS quer prevenir a doença, o privado vive da doença. Estão em conflito e é muito difícil serem parceiros. O privado é hospitalocêntrico, é uma oficina que vive de haver carros avariados.”

(Alexandre Castro Caldas, Jornal I)

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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