Poemas

Atenção: todos os meus poemas publicados neste blogue podem ser citados ou publicados desde que mencionem o autor e a fonte.

Do livro “Salmo Presente”, Ed. IEC, 1996:

40 poemas


SALMO PRESENTE

“O Senhor é o meu pastor”.
Salmo 23

Escuto. Mas o uivar dos lobos não me
assusta.
Nem o rumor do vento
porque o meu olhar se me alonga
para os pastos verdejantes
e as águas tranquilas.

O bardo onde vivo refrigera-me
(já nem sei o que sejam veredas errantes).
A lã de que sou vestido é branca,
e só de alegria o peito me salta
porque a mesa em que me sento é farta
e os meus inimigos se espantam comigo.

POEMA POR DETRÁS DA TARDE

E o homem na estrada andava e sorria
que entre bermas suas certo Sol se escondia.

A FORÇA DAS PALAVRAS

“Guardo no coração
as tuas palavras”.

Salmo 119:11

As Tuas palavras
são olhos
rasgados
navios
ancorados
em mim

as Tuas palavras
são punhos
fechados
martelo
a teimar na pedra
rebelde

são feitas de espanto
bordadas
de encanto

palavras que não hesitam
nascer

látego ou afago
lágrima rolante
enfado

palavras que ardem na carne
e ficam mel
no caminho

que choram
e aproximam

palavras que aguardam
uma bússola convicta.

As Tuas palavras
perfazem a esperança
ressuscitando a memória

as Tuas palavras
Senhor
constroem a História.

HOMENS

“Somos apenas pó e trevas”.

Horácio

À superfície deste corpo vegetamos
e escrevemos da nossa mágoa
litros de lágrimas de sangue
com penas leves de sombra

temas sólidos que nos aprofundam
os olhos incolores

o sabor impuro
que nos desce à boca
é o rasto
do pensamento

mas somos reis a rasgar as vestes
se a Mensagem que acolhemos nos sitia
entre muralhas de silêncio

e os cardos do nosso orgulho
sufocam a boa semente
que nos lança Deus ao coração.


NATUREZA MORTA

“Prata e ouro são os ídolos deles,
obra das mãos de homens.
Tornem-se semelhantes a eles
os que os fazem,
e quantos neles confiam”.

do Salmo 115

Um pássaro a entornar manhãs
já podres
na boca ansiosa e muda
dos adoradores

uma lágrima a ansiar o fim
corda ou veneno
na garganta desesperada e muda
dos adoradores

uma estátua a amarrar os olhos
dos cegos.

JARDIM DE LUZ

Vi a menina
cantar uma voz sem sombra

a água limpa
bailar nos lábios da criança

a flor desabrochar
o galho
a pomba

através das frestas livres
olhei
e vi a Esperança.

FLORAIS I

Tu já eras para mim realidade
mas só como folhas soltas no tempo
ou o odor campestre de alguma flor

agora chamo-te Deus
sem portas
nem idade.

CATIVEIRO

à sombra do Salmo 137

As harpas nos salgueiros
estavam penduradas
e canto não existia

só lágrimas
só sonhos
repletos de alvoradas

esperança pelo Messias

Jerusalém!
eu choro saudades d’ Israel
oh! terra da Promessa
lugar de leite
e mel

o povo estava triste
junto aos rios da Babilónia
cativo
em terra estranha
e quando se assentava lembrando Sião
não podia cantar
qualquer canção

Jerusalém!
Eu choro saudades d’Israel
oh! terra da Promessa
lugar de leite
e mel.


FLORAIS II

Cada flor é uma vida
desabrochando esperanças incontidas
na seiva capilar
das esperas abertas
ainda que não passem
de simples partidas.


BALADA PARA UMA NUDEZ SÚBITA


“O homem e a sua mulher estavam nús,
e não se envergonhavam(…) e, percebendo que estavam nús (…)”

do Génesis

Deus descia
no dorso da tarde

de voz ampla e cheia
inaugurando
festivais crepusculares

a terra macia
suspirando
imensamente
as suas pisadas

tragicamente nús
e ignorantes
ficámos
o quadro civilizacional
do futuro

e Deus matou
cobrindo o homem
despido
da glória.

UMA NUVEM EM TRÓIA

Hoje há maçãs húmidas
na nossa praça

já não chove
e há caracóis resolutos
em cada pedaço de erva

a Arrábida molhada
seca agora
aberta ao sol.

Paira ainda uma nuvem solitária
sobre a península
a projectar sombra no rio

nuvem esquecida
envergonhada
no tecto limpo
de Tróia.

FLORAIS III

Quando o sol não brilha
os nossos olhos contemplam-se
de sombras

recolhem-se as aves
à uma
a esta nossa garganta
e as flores continuam à espera

como almas amadurecidas
caídas
à deriva
perdidas pelo chão fora.

DO CAMPO À CIDADE

à atenção dos Cains deste mundo

O lavrador fecundou
o campo cultivado a pulso
com o sangue rubro
do pastor

e as ovelhas ficaram
sós

o fruto da terra tornou-se chumbo
na consciência parda
do assassino

recusando-lhe a boca

o lavrador fez-se nómada
fugitivo
vagabundo

e fundou
a cidade do homem

apenas para esquecer
o sangue rubro
do pastor.

FLORAIS IV

Ao tempo de cada anoitecer
os lírios murcham depressa
os ventos enrouquecem
e as fontes luarentas ficam abertas
à porta dos corpos que nunca aquecem

muitas oferendas não penetram
na noite
tão condensada de trevas

e apenas o cálido sorriso das estrelas
se dispõe
antevendo a Paz
que anunciamos nelas.

FOGO DE ARTIFÍCIO

Faúlhas sibilinas
no bafo quente da noite

regalo sempre novo na retina

povoléu pasmado
plantado
no chão quente
da noite

as lâmpadas que povoam a praça
do município
alumiam rostos cansados
e felizes
acabados de saber
que há festa

trovoada provocada
no limiar da alegria.

PÁSSAROS VAZIOS

não sabemos como vem o dia novo que teima envergonhado em se adiar
neste tempo tão fechado quanto um ovo que não se pode já viver
nem odiar

nós não sentimos quando raiará aquela Aurora
nem os barómetros
pendurados nos templos
o divisam à vista desarmada
como se a primeira pedra dessa hora fosse irmã dos filhotes de pardais
que se afirmam agora em tímidos voos

resta-nos então enterrar prosaicamente a cabeça na areia
enfiar debaixo da cama a dúvida toda
redescobrir no sótão ideologias do bolor e maquilhá-las
enquanto as moderníssimas se não afirmam e não fazem história

a indecisão latente não nos serve nem a memória
de nós
atravessados no divino pensamento como que a dizer da tristeza
que nos cerca
e nos chama a atenção em cada dia

porque somos
pássaros vazios
pré-homens que para falar
ainda grunhimos

FLORAIS V

Que cantem
cantem sempre as aves
cheias de graça
flores de papel
garridas
temperando este sono
de esquinas e vidraça.

CIDADE MALDITA

eis um dos capítulos mais tristes
da Bíblia – Génesis 19

À porta de Sodoma
Loth assentado
desenha pensamentos
inéditos
de Deus

de costas
para a cidade

e os anjos aguardam
nas dobras da meditação
os olhos do residente

à casa de Loth
acorrem três gerações
de delitos
a ultrajar os céus

de noite todos os anjos são pardos

…………………………………

e a saudade foi estátua
de coração abandonado
às veias
salgadas
da terra maldita.

TEOREMA

Amanhã há outro dia
a olvidar o ontem

e hoje amanhã não será

o calendário cabe no bolso
o mundo é pequeno
a vida
diligente movimento

(não usamos o relógio nos punhos?)

viver
e (é) lutar.

IGREJA VIVA COM UM REPARO

“Tenho, porém, contra ti,
que abandonaste o teu primeiro amor”.

Apocalipse 2:4

Suponho em ti
corpo ataviado
essa renúncia absoluta
perfeita

a espera paciente do Amado

desvendo assim
a palavra Amor
que te enforma as mãos
que te aviva a boca
que te anima os pés
castigados da jornada

e por ela
o espanto da tua imagem
fustiga o mundo
e a janela

estes adornos bastantes

este rosto altissonante
que conhece toda a terra

este arado declarado
rasgando a palmos o chão
de Oriente a Ocidente

este viver o presente
a cavalgar o passado
com a alma com os braços
e a fé
amealhando o porvir

importa uma luz acesa na noite
despida e alta

e azeite que baste

noiva milenar
noiva boreal
guardando nas malas
um enxoval de manhãs

tricotando a custo
o prestígio do céu

quem procura confundir
os claros limites da formosa silhueta
com a penumbra do entardecer?

Casca de noz navegante
mastro feito de fé e beleza
velas brancas
de esperança remendadas

a alegria é uma mesa
arredondada
onde se come o pão da incerteza

no limiar cinzento das águas
neste anseio p’las nuvens
o mar corrupto e revolto
o mar adulto blasfema

oceano de medos e solidão
em que um barquinho dormita
à sombra de Deus

a alegria é uma cama
onde se acolhem os sonhos mais maduros

e contudo saltas os muros
para ir ver o pôr-do-sol

contra ti apenas
um reparo do Senhor

oh Éfeso
eleita e amada
que fizeste tu do primeiro amor?

LONGÍNQUOS

borbulham recusas
à tona do corpo

elevam os olhos raiados
fontes da sua mágoa
e pronunciam chumbo

hoje são águias decaídas
a roçar as pedras

ODISSEIA DOS FILHOS DE DEUS

a caminho da cidade celestial

Aves que rasam
as costas da amargura com norte

naus quinhentistas
coragem
a dançar pela crista das vagas
mesmo
nas barbas do Adamastor.

GERMINAL

“Pela fé Abraão, quando posto à prova,
ofereceu Isaque(…) a quem se havia dito:
Em Isaque será chamada a tua descendência”.

Hebreus 11:17-18

Matar um filho
nos contrafortes
da montanha da vida
e adormecer

pendurar no altar
a fé
Jeová Jiré

e esperar

lançar a semente
nas pedras

abrir os braços
olhar em frente

e germinar.

DESERTOS

nenhuma manhã os habitava

os seus dedos nunca passavam
de sombras simples
estéreis

só no fim se recordaram
que Tu existes
e então choraram
o devoto afastamento dos seus olhos

SONHAVA

“(…) eu vos farei pescadores de homens”.
S. Mateus 4:19

e quando cheguei à Tua presença
as minhas mãos
depois de abertas
estavam vazias

não retinham nada
só palavras ocas

e mesmo assim
levava-as o vento sem rumo certo

que tristeza se eu agora
não vir um peixe em cada homem
aquando desperto

O CÉU DE AUSCHWITZ

Os gritos, o medo
a força da vida
nos barracões de Auschwitz

metralhadoras miram
corpos nús

homens e mulheres
velhos
crianças
quatro milhões de inocentes
no espanto da igualdade

russos, judeus e polacos
franceses e outros
metralha e “Zyclon B”

a besta nazi rumina

vinte mil mortes por dia
nas câmaras de Auschwitz

toneladas de cabelo
milhares de óculos
roupas
dentes postiços
brinquedos e chupetas

o stock ignominioso
da besta

satanás desmascarado
no carnaval carioca
da morte

…………………………………..

o céu é cinzento e húmido
hoje
em Auschwitz.

QUASE REQUIEM PARA UM NATAL

“Esculpi um astro
de Natal plasmado
um presépe de borco
num chão já cansado”.

João Tomaz Parreira

Natal adormecido
na platina do luar
dezembrino

natal assomado
à janela discreta
dos homens

natal
ainda
que teima ser feérico
e não Natal-agora

natal suspenso na garganta
programada
do século

natal quase
sufocado
no sapato
apertado
do futuro.

ENTREGA A MESSIAS PEQUENO

O silvo tépido
duma estranha estrela
descasca
muda madrugada
luminosa

a hora chegadas e achamento
ressalta humildade
por Menino simples

então
e em tantas meandrosas gargantas

escorrega a voz
devida
gera-se o louvor

só o espectro de Herodes assumiu
foros de procura
em dia distante e minúsculo
onde estrela não há

OLHOS TRISTES

“Melhor é a mágoa do que o riso,
porque com a tristeza do rosto
se faz melhor o coração”.

Provérbios 7:3

os meus olhos tristes são vasos
quebrados contra o vento
debaixo da sombra diurna
do meu corpo
indiferentemente aceso

vêde-os
os cravos do meu rosto
num pedido indefeso.

NOÉ SABIA DE DEUS

ou: o Dilúvio, para crianças

Noé
varão justo e recto
rejeitou o conselho dos ímpios
não parou no caminho dos pecadores
nem se assentou na roda dos escarnecedores
antes obtendo prazer no Senhor

Noé andava com Deus
Noé achou graça aos olhos de Deus
Noé sabia de Deus

um dia lindo e quente
o Divino
cansado de sofrer a desobediência dos homens
avisou Noé de que abriria as janelas dos céus
e chuvas torrenciais cobririam a Terra
– salário do pecado daquela geração -
e o varão justo e recto creu completamente

Noé andava com Deus
Noé achou graça aos olhos de Deus
Noé sabia de Deus

nos dias seguintes
lindos e quentes
Noé e seus filhos obedeciam
construindo a arca da salvação
uma embarcação fechada
segundo as medidas
o modelo e os materiais
que o Divino havia feito

gargalharam e troçaram de escárnio os vizinhos e conhecidos
da família
as vozes confundiam-se com o ruído dos martelos
e batiam
duras
na cabeça de Noé
com força

o céu estava seco
o tempo era quente
o mar era longe
mas o homem justo e recto
não parou

Noé andava com Deus
Noé achou graça aos olhos de Deus
Noé sabia de Deus

depois de acabada a arca da salvação
betumada e calafetada
equipada e abastecida
o homem justo e recto reuniu um casal de cada espécie
de animais
leões, tigres e girafas
elefantes, ratos e corvos
pombas, aranhas, camelos
pardais, macacos, galinhas
burros e outros mais

e depois entrou
o homem justo e recto
com a família
e fechou a porta

Noé andava com Deus
Noé achou graça aos olhos de Deus
Noé sabia de Deus

sete dias zombeteiros suportou
o homem justo e recto
e depois vieram as águas em catadupas loucas
cobrindo a face da terra
num lençol silencioso e líquido
de morte e destruição
de toda a carne

porém
os viajantes do Senhor
escaparam na arca da salvação

Noé andava com Deus
Noé achou graça aos olhos de Deus
Noé sabia de Deus

e eu?…

28-8-86

OUTRO BETEL

“(…) eis posta na terra uma escada,
cujo topo atingia o céu (…)”

Génesis 28:12

Naquela pedra deitou a sua cabeça
e mais à frente havia um sonho
(mas ele não podia apagá-lo)
porque a terra se sumia
em remota velocidade

e nas asas do seu pensamento
até os anjos respiravam fogo

só que a escada sideral deles
nunca se chegou a estender
para lá do seu corpo.

NOTÍCIAS DESTE MUNDO EM ÉPOCA DE VERÃO

Enquanto o mar aguarda com calma
o mais próximo naufrágio
vai o rei sol ingerindo
calmamente
nas praias
corpos desacautelados

o céu dos postais ilustrados
periclitantemente belo
acaba sempre por cair
desastroso
na cabeça dos fracos

Asterix tinha razão

afinal como vai o mundo?
nós por cá todos mal…

BABEL

Despontam ainda algumas estrelas
neste universo de espantos
homens e mulheres
crianças
poucos aguardam o romper da Alva
enquanto se afundam horizontes
no ecocídio progressivo

e no peito de todos os porquês
se acotovelam perguntas
embolorecem respostas rejeitadas
acomodam-se argumentos mudos
e cabem ainda
descontentamentos
revoltas arquitectadas
golpes abortados
cabeças cortadas

nas tetas fartas da porca da apostasia
sorvem todos os bácoros políticos
absolutos e morais
mas aqueles que esperam
– sofredores e pacientes -
pelo romper da Alva
esbofetearão à uma
a aridez descolorada
da roda dos escarnecedores
e do conselho dos ímpios
– o último dos feiticeiros
os fornicadores luxuosos
o gatilho e as ogivas
os reinos da Terra
as conferências infrutuosas
para a paz.

SOFRIMENTO PARADO

Em ventre de voz embargada
se revolvem agonias
colhidas em tempo disforme
da dor sem vontade

como lágrimas outonais escondidas
que na loucura pueril do esquecimento
se submergem
e desesperam

a árvore erguida – o homem inerte
pegado ao seu chão
a um passo da Vida.

EDITAL

artigo 1º.
que as flores nasçam sem medo
debaixo do sol
p’ra fora da terra
na despoluição de todos os campos
sem medo de serem coalhadas
de sangue

artigo 2º.
que todas as crianças do mundo
possam crescer à vontade
felizes
desconhecendo obuzes e canhões

parágrafo único
o direito ao perfume da infância
é igual e necessário

artigo 3º.
que a palavra fome
seja palavra morta
pois o ventre da terra
abriu-se
de Deus
para todas as gentes

artigo 4º.
que a outra fome
(a de amor)
nós aprendamos a saciar
e assim
que de pedir perdão
a irmãos seus
os homens não se envergonhem.

Lisboa, 1968

BIPOEMA A MEU PAI

nos teus braços estremeci
como passarinho aflito
aprisionado e querido

reportas-me intensamente a Deus

e agora
que me são congeladas as lágrimas
procuro resposta infinda

o teu nome é saudade.

no silêncio deste rosto
a tristeza não existe

lágrimas são barcas
que navegam outros céus

as pérolas dos olhos
decantam imagens lindas
na retina

cada manhã ou flor
reveste uns dedos renovados

em qualquer jardim um presépio recente

brincadeira de criança

a primavera é já uma largueza de aves
simplesmente harmoniosas
depois do adormecer em Cristo.

(Poema dedicado a meu pai, na data em que partiu – Outubro de 1973 – por morte prematura.)

SUBTILEZA DE PÁSCOA

De morte pueril
o luto incôndito
punctiforme sobreposição actual de madeiros

da ociosidade no tempo
a metamorfose crucial
pusilânime putrefacção cuidada

para a verdade anavalhada pelas eras
um interrupto piar angélico
subtil fachada rósea
esquecimento anual

DOIS FRUTOS

Homenagem aos mui queridos Dina e Samuel Machado
que o Senhor levou.

Eram semiverdes somente os dois frutos
que a Árvore da Vida ostentava
frutos de um só ramo ‘inda tenro
sem redutos

e os dois frutos tombaram
verticalmente

enquanto os outros ficaram
paradoxalmente
desejando cair também

para a glória do mesmo Além.

18/4/71

ESSA FORÇA

Nas tuas mãos uma força
entretecida no tempo

sal nunca insípido
na cozinha do mundo

luz que ilumina as trevas do século

sentes na carne o médico e o monstro

e agora sabes que as fraquezas
são hiatos.

Ah!, mesmo em cima da nossa ciência
não chegamos aos dedos de Deus

resta-nos a fé

essa força.

EL – pequenino

Gerado no útero morno da Promessa
venha a nós um Menino
recém-descido da glória

Na barca bela dos cânticos
por entre a neblina do sonho
vigiam anjos
e o clarão celeste da vitória
se faz pequenino

Logos divino, incriado
– ah! Jesus ressuscitado! -
que plantas um madeiro em cada colina
deixando cair vinte mágoas
ao câmbio diário da rejeição
junto aos pés imundos
dos sacerdotes da noite
no chão pétreo do templo
sem ruído

Pilatos acaricia o crepúsculo
lavando as águas

e ainda outra vez
o clarão celeste da vitória
se faz pequenino

EL – SHADDAI!

19 comentários a “Poemas”

  1. Belíssimos poemas…
    Mantenho um blog dedicado à Poesia Evangélica, seja ela antiga ou atual, de autores consagrados ou iniciantes. Já tomei a liberdade de publicar dois poemas teus por lá. Dentro em breve, publicarei mais, junto com o link para este site.
    Eis o endereço do blog:

    http://www.poesiaevanglica.blogspot.com

    Que Deus lhe abençoe e inspire sempre, em nome de Jesus.

    Qualquer coisa, escreva-me.

    Um abraço fraterno do
    Sammis Reachers

  2. Adorei navegar nas veredas deste site, tão profundo, largo como os poemas e informações que Nele consta…BJS 1000 DO BRAZIL

  3. Aqui,no Brasil,já é madrugada!!!Pena que só descobri O ovelha perdida há meia-hora!Muito instigante as opiniões,os poemas e sobretudo por ser um blog genuinamente cristão,amanhã preciso acordar cedo,se não amanheceria desvendando esse espaço feito com bom-gosto e inteligência!Que o SENHOR JESUS te abençoe grandemente.Graça e Paz

  4. Obrigada pelo estímulo. Nem sempre as características que alega são bem aceites e entendidas pelos próprios cristãos. Daí a importância da sua mensagem.
    Bênçãos.

  5. EU não achei o que eu queria!
    mas mesmo assim…
    Vocês deveriam procurar mais assuntos para poesias.
    Parabém por inventarem um site.

  6. Olá feliz por visitar este importante, belo e original espaço… Registro a minha imensa satisfação ao passar aqui, valeu! Quero compartilhar com você o poema abaixo de William Shakespeare
    ”Perguntei a um sábio,
    a diferença que havia
    entre amor e amizade,
    ele me disse essa verdade…
    O Amor é mais sensível,
    a Amizade mais segura.
    O Amor nos dá asas,
    a Amizade o chão.
    No Amor há mais carinho,
    na Amizade compreensão.
    O Amor é plantado
    e com carinho cultivado,
    a Amizade vem faceira,
    e com troca de alegria e tristeza,
    torna-se uma grande e querida
    companheira.
    Mas quando o Amor é sincero
    ele vem com um grande amigo,
    e quando a Amizade é concreta,
    ela é cheia de amor e carinho.
    Quando se tem um amigo
    ou uma grande paixão,
    ambos sentimentos coexistem
    dentro do seu coração.”
    Votos de um final de uma semana repleta de sucesso. Muita prosperidade e bênçãos. Paz, luz, saúde e proteção. Felicidades, um fraterno e caloroso abraço. Fique com Deus.
    Valdemir Reis

  7. Amigo desculpe o erro de digitação; “…de um final de uma…” retificando para “…Votos de uma semana repleta de sucesso…” Fraterno e caloroso abraço. Fique com Deus.
    Valdemir Reis

  8. “Escuto. Mas o uivar dos lobos não me
    assusta. (…) porque o meu olhar se me alonga” (…)

    O meu olhar se me alonga… profundamente belo!
    Salmo perfeito!!!

  9. OLÁ, GRAÇA E PAZ DO NOSSO SENHOR JESUS!
    PARTICIPO DE UM MINISTERIO EM MINHA IGREJA DE POESIA, ONDE EU E UMA IRMÃ(RUTE Q TEM 87 ANOS)TODOS OS DOMINGOS DECLAMAMOS UMA POESIA NO CULTO. MUITO TEM ME ABENÇOADO! E ESTOU FELIZ POR TER ENCONTRADO ESSE BLOG TÃO LINDO E ESPECIAL.
    QUE O SENHOR CONTINUE A TE INSPIRAR CADA DIA MAIS E MAIS! E TE ABENÇOE EM TODOS OS SEUS CAMINHOS!!
    UM GRANDE ABRAÇO!

  10. OI.
    Gostei desse blog..
    TEm algumas poesias pequenas, objetivas e lindas,,,
    Sou evangelica
    TEnho um blog apesar do blog não ser voltado para o evangelho..
    Se puder dá uma olhadinha o endereço é esse ai: anamenires.blogspot.com
    Parabens continue sendo usado!!!!!

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“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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