O descanso do soldado, 1917

French soldier rests to have lunch after days of battle near Reims (France 1917). Historical Pics.

Militar francês descansa, depois de almoço, dias depois da batalha de Reims (França). Historical Pics.
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Mas as crianças, Senhor?

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Mas as crianças, Senhor, / porque lhes dais tanta dor?!… / Porque padecem assim?!…(Augusto Gil, Balada de Neve)

 

O facto de Joana Marques Vidal – actual Procuradora-Geral da República – ter tido em tempos processos de adopção (que hoje se sabe terem sido forjados e ilegais) nas mãos, para verificação, sem ter detectado qualquer irregularidade, torna ainda mais urgente uma investigação independente. Se a então responsável não detectou nada de anormal é porque alguém terá forjado documentos, falsificado assinaturas ou produzido relatórios falsos que levaram ao engano MP e tribunais.

O governo tem que tomar em mãos este assunto e criar uma comissão independente que analise toda a documentação e ouça as partes e testemunhas, a fim de apurar a verdade dos factos.

É necessário também saber qual foi o móbil do crime, isto é, o que terá levado às irregularidades e se houve algum benefício pessoal da parte dos técnicos intervenientes no processo.

Tenha ou não prescrito o crime de adopção ilegal, ou qualquer outro dos que certamente foram cometidos, importa clarificar tudo.

Antes de mais porque o grupo religioso que terá estado por detrás das ditas adopções ilegais é altamente controverso e recorrentemente suspeito de diversos crimes no país de origem, além de utilizar processos pouco transparentes de recolha de fundos, para lá do facto de não pagar impostos – por estar constituído como entidade religiosa – mas sem deixar de canalizar fundos apreciáveis para actividades comerciais e de carácter lucrativo, sem se perceber muito bem onde acaba uma e começam as outras.

Depois porque instituições do Estado ou por ele tuteladas como a Segurança Social, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Ministério Público e os tribunais não se podem fechar em copas e assobiar para o lado, pois terão havido responsáveis pelas ilegalidades alegadamente cometidas.

Finalmente há a questão das vítimas, já que não terão sido salvaguardados os interesses dos menores nem tão pouco as legitimas aspirações dos seus familiares. Em particular o caso dos três irmãos levanta demasiadas interrogações e põe a nu inúmeras irregularidades, a fazer fé em diversas testemunhas já ouvidas pela comunicação social.

Como é lógico e do mais elementar bom senso, o inquérito interno do MP não oferece garantias de isenção. Não se pode ser juiz em causa própria. Só uma comissão independente, constituída em exclusivo por pessoas e instituições que não tenham sido parte nos referidos processos de adopção poderá vir a credibilizar as conclusões de qualquer inquérito de averiguações.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 19/1/18.

 

Inédito de J.T.Parreira: “A casa de Marta e Maria em Betânia”

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Johannes Vermeer-Christ in the House of Martha and Mary

 

Ele ia algumas vezes tomar refeições, Ele entrava

No meio de olhos alegres e vozes

Agradecidas pela sua visita, na casa as tarefas

Logo se definiam, Maria punha o coração

Nos seus ouvidos, não sabemos se ouvia poesia

As palavras vinham vivas, a irmã Marta sabia

Que uma anfitriã tem de ter sempre

A mesa posta, embora bastasse um copo de água

Fresca, tudo se fazia para o Hóspede

Se sentir como em sua casa, o céu

E a terra juntos em Betânia

Quando Ele as visitava.

17/01/2018

© João Tomaz Parreira

“Alegrai-vos porque já achei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6); “Ovelhas perdidas foram o meu povo, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

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