A ceia em Emaús, segundo Caravaggio

Ceia na casa de Emmaus, 1596.

Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) foi um artista italiano que trabalhou em Roma, Nápoles, Malta e Sicília entre 1593 e 1610. Normalmente identificado como artista barroco, Caravaggio era considerado enigmático, fascinante, e perigoso.
Estuda inicialmente em Milão com o maneirista Peterzano, contra cuja estética reage asperamente. Autodidacta no que se segue, a sua pintura suscita violentas reacções. Mas apesar das críticas dos artistas, o público aprecia as telas rugosas, encrespadas de pastosidades e dominadas pelo que a partir dele se chama «tenebrismo».
Caravaggio inspirava-se na imagem de pessoas comuns das ruas de Roma para retratar Maria e os apóstolos. Talvez tenha sido um dos primeiros artistas a saber conciliar a arte com o ministério de Jesus, que se desenrolou exactamente entre pescadores e gente do povo.
Caravaggio levou este princípio estético às últimas consequências, a ponto de ter sido acusado de usar o corpo de uma prostituta encontrada morta do rio Tibre para pintar a Morte da Virgem.
Apresentou, como característica fundamental da sua pintura, o retractar do aspecto mundano dos eventos bíblicos usando o povo comum das ruas de Roma.
Outra característica marcante foi a dimensão e impacto realista que deu aos seus quadros ao usar um fundo sempre raso, obscuro, muitas vezes totalmente negro e agrupar a cena em primeiro plano com focos intensos de luz sobre os detalhes, geralmente os rostos. Este uso de sombras e luz é uma das suas técnicas mais marcantes, que nos atrai para dentro da cena como fica bem demonstrado pela Ceia na Casa de Emmaus.
No fim do Renascimento os grandes mestres como Michelangelo Buonarroti (que ficou conhecido como Michelangelo) caminhavam para uma visão mais obscura e realista dos textos bíblicos, como se vê principalmente nos quadros A Conversão de São Paulo e a Crucificação de São Pedro, de Michelangelo.
Caravaggio pintou versões próprias destes quadros que servem bem para exemplificar como foi capaz de igualar, senão superar os seus mestres:
No dia 10 de Novembro de 2006, foi encontrado um quadro do pintor na colecção da Rainha de Inglaterra, e autenticado depois de submetido a uma análise técnica que durou seis anos, através da qual se concluiu que era uma pintura original, e não uma simples cópia.
O quadro relativo ao episódio bíblico de Emaús reflecte o momento em que o Mestre abençoa a refeição, e se revela, de forma sobrenatural, aos seus interlocutores, provocando neles reacções que vão desde o espanto (o da direita, de braços abertos), o choque (o da esquerda, que faz menção de se erguer), e o magnetismo que atrai toda a atenção (o que está em pé).

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4 thoughts on “A ceia em Emaús, segundo Caravaggio

  1. olá meu caro. estive lendo seu artigo sobre a ceia em emaús. considero uma das mais lindas pinturas já criadas, tanto que fiz umas 7 cópias dela. alguns dos meus trabalhos estão em meu site, gostaria que vc desse uma olhada também nos trabalhos de arte sacra e conhecesse meu processo criativo.
    um grande abraço e muita saúde
    atenciosamente
    ricardo laranjo

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