A luz de Paris

Não há luz como a da tarde em Paris
a de Lisboa é diferente
mais pálida e fresca
meridional
de tão meiga nem chega a amedrontar
os peixes
e a humidade do Tejo afaga
com a delicadeza
os pés da cidade
para não os deixar aquecer
em demasia

a luz de Paris é mais quente
realça os dourados das cúpulas
e das estátuas
ofusca os olhos dos deuses
é mais amarela e seca
continental
mais francesa

e só por isso não usarei
óculos de sol na cidade-luz
nem em Lisboa.


Palmela, Maio de 2008

© Brissos Lino

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2 comentários a “A luz de Paris”

  1. Très belle poesie!!! Eu também vivi 18 anos em Paris- quartier de saint germain des près- sou apaixonada pela luz de Paris. O seu poema transportou-me por momentos até lá….Glamouroso, muito belo.Obrigada

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