
Logo hoje
que não há pássaros felizes
nem brisa marítima que me afague
a pele do rosto
com mãos limpas
de espuma
logo hoje
que não se percebem os contornos
da voz cava das ondas
e que o sol se perdeu
a brincar à apanhada com as nuvens
logo hoje
que os girassóis hesitam
para onde se voltar
e as cigarras tropeçam
em todos os carreiros de formigas
logo hoje
haveria de querer voltar a ouvir-te
soltar a voz como um papagaio
de papel
na biblioteca das memórias.
Brissos Lino
26/8/09
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Este poema merecia uma música!
Tudo de bom para si e para os seus
Florbela Nunes
Excelente ideia, assim haja arte e engenho. Obrigado.