África

Sem sapatos, os pés na terra
Descalça,  sem camisa
nem a negrura
dos problemas da alma

Com o coração forte
como a corrida do antílope
com uma casa de vento
capim e barro

Sentada à porta fumando
a fogueira foge
para  o rotundo silêncio
no seu mover lento

Aos seus  pés insectos mortos
descem até  ser pó
e a atmosfera cheira
mudando de lugar

e nas tuas mãos
a terra gretada, os teus dedos
adormecem os cabelos
dos teus filhos.

J.T.Parreira
24/10/2009

Inédito do meu querido amigo e colaborador do “Ovelha”, João Tomás Parreira.

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