A Ovelha Perdida

Entrevista (em rigoroso exclusivo) com a “Ovelha Perdida”

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Por ocasião da passagem dos 200 mil acessos a este blogue, conseguimos uma entrevista, em rigoroso exclusivo, com a “Ovelha Perdida”. Ela própria. O resultado é um pouco surpreendente, para não dizer decepcionante. O entrevistador é anónimo.

Você é mesmo uma “ovelha perdida”?
Sim e não.

Como assim?
Por vezes sinto-me perdida neste mundo tão superficial, idiota e malvado. Outras vezes acho que as pessoas andam todas a bater mal e que o mundo é um imenso manicómio. E quando penso assim acabo por ter compaixão delas, e volto a mordiscar umas ervas tenrinhas.
E cá para nós, acabo por pensar que até eu tenho direito a uma pequena fatia dessa loucura.

Mas afinal sente-se perdida ou não?

Uma coisa é o que se sente e outra o que se é. Os psicóticos normalmente não se sentem loucos. Loucos são os outros. Mas devo dizer que não me sinto nada perdida porque conheço bem o meu Pastor.

E…?
Sou uma ovelha crente. Creio em Deus e conheço-O, portanto nunca me poderia sentir perdida.

Nem mesmo quando passa – digamos – pelo vale da sombra da morte?

Especialmente aí nunca me sinto perdida, pois tenho a garantia de que o Bom Pastor está comigo.

Então porquê esse nome?
Porque gosto muito da parábola assim chamada, a estória que Jesus Cristo contou para ilustrar a sua mensagem. Só o facto de pensar que, estando eu perdida do rebanho, o pastor deixaria as demais na segurança do redil e me iria procurar, me encontraria e traria aos ombros, faz-me quase sentir vontade de me perder… Sei que é disparate, mas…

Talvez não esteja perdida, mas lá que é doida, é…
Não sei, mas também não me importo com isso. Sinto-me bem assim. Não se esqueça de que todas as ovelhas que fizeram alguma coisa de útil por este mundo foram assim rotuladas: loucas.
E você, não se acha um pouco idiota, também?

Ora essa, porquê?

Por estar a entrevistar uma ovelha, porque é que havia de ser? Eu posso ser doida mas não sou atrasada mental, sei ver as coisas como são…

Realmente, nem sei onde tenho a cabeça…
Pois é, pois é.

Mas já agora, porque é que se interessa por tanta coisa? Podia ter um blogue temático como as pessoas. Mas tinha que ser diferente, não é?
Não tenho culpa de me interessar por muitas coisas diferentes. Se calhar faz parte da minha loucura. Nunca ouviu dizer que, “de são e de louco todos temos um pouco”? O problema é que alguns põem os pesos todos no prato do “louco”, e então a balança pesa demais daquele lado…

E a Poesia?
O que é que tem?

Porque essa paixão assolapada?
Porque sou uma ovelha-poeta. Você não vê que os campos verdes me inspiram, a flauta do Pastor, as sombras das árvores na calma da tarde, as águas tranquilas para matar a sede, o zumbido dos insectos na Primavera, as borboletas esvoaçantes, os pássaros no céu azul, as cigarras, enfim, tudo à minha volta transborda Poesia. É só uma questão de reconhecer o Belo no que está à nossa volta, em vez de andar armada em histérica sempre com medo do lobo.

Você não tem medo de lobos?
Medo, não. Mas prefiro não me afastar muito do Pastor. É mais seguro e fico tranquila.

E se um dia lhe aparecer mesmo um lobo pela frente?
Já estou preparada para essa eventualidade. Sabe como? Digo-lhe um poema!

Ah,ah,ah, um poema, não me faça rir. Está louca. E acha que ele se assusta?
Claro que sim, mas não é com um poema qualquer.

Então?
É com este. Quer ouvir?

Claro.
Então lá vai:

Escuto. Mas o uivar dos lobos não me
assusta.
Nem o rumor do vento
porque o meu olhar se me alonga
para os pastos verdejantes
e as águas tranquilas.
O bardo onde vivo refrigera-me
(já nem sei o que sejam veredas errantes).
A lã de que sou vestido é branca,
e só de alegria o peito me salta
porque a mesa em que me sento é farta
e os meus inimigos se espantam comigo.

De facto, isso até arrepia…
Se você fosse lobo já estava a dar meia volta e a fugir com o rabo entre as pernas.

Acho que sim.
Pode crer. O problema dos lobos é sentir que não temos medo deles. Mas há por aí muitas colegas, ovelhas, que tremem só de pensar nos lobos mas estão sempre a falar neles. No fundo não podem viver sem eles. Parvas…

Não acha que é uma ovelha muito nova para ter tanta procura? Só tem pouco mais de dois anos de vida e já foi visitada mais de 200 mil vezes…
Bem, também não tenho culpa que existam assim tantos loucos no mundo, não é?…

Acha então que os que a visitam são doidos como você?
Claro que sim. Que outro motivo teriam para me procurar?

Gostaria de deixar uma última mensagem aos cibernautas leitores do blogue?
Última porquê? Não estou a pensar morrer nos próximos dias…

Você sabe o que quero dizer. Última palavra desta entrevista.
Ah, sim, claro que quero deixar a última palavra desta entrevista.

Então deixe…
Mééééééé…

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