
O Poeta diz um poema seu numa sessão cultural, em Setúbal, promovida pela Universidade Sénior, acompanhado ao piano pelo maestro Rui Serodio.
João Tomaz Parreira (JTP) é um autor incontornável no escasso universo da literatura feita por evangélicos.
Quando descobri Parreira tinha sido empanturrado pela poesia barata produzida pela rima opaca dos poetas de paróquia. JTP radia a luz de um vitral diferente.
Parreira sabe como ninguém escolher o ritmo de cada poema. Não é um ilusionista das palavras, mas escreve com a mestria refinada e cristalina de um artífice.
As suas incursões pelo Holocausto e as vezes sem conta que nos abraça com emoções são marcas dilatadas de um estilo gourmet que caracteriza a sua poesia.
A Parreira falta apenas uma editora digna de imortalizar a sua obra. Até lá contento-me com a riqueza estética da sua poesia.
Para quem ainda não descobriu a arte de JTP lapidar a poesia deixo a CAPA (poema publicado no primeiro número da revista “a outra face!”, 1994)
João Pedro Martins
A CAPA
Tomaram a minha capa para cobrir
a nudez do império
para pesar nas mãos o insustentável
Céu;
apanharam o cheiro do meu corpo,
disputaram dado a dado
a pureza do meu pobre linho.
Dai honra a quem merece honra… e o Poeta JTParreira merece!
Muito obrigado aos dois, João e Brissos. Não esperava, assim não vale, as emoções podem matar.Li com lágrimas nos olhos… Ah os Amigos…
J.