A estranha cultura “gospel”

“Eu não ouço a música gospel actual. Tenta imitar o mundo e faz muito pior do que o mundo. Prefiro Eric Clapton e B.B. King.”
(Augustus Nicodemus, no lançamento do livro “O que estão fazendo com a igreja”)

Estou cansado da chamada cultura “gospel”, tão em voga no Brasil, mas que vai fazendo eco por cá.

Estou cansado dos livros cristãos de auto-ajuda, que reduzem milagrosamente o sucesso pessoal a cinco ou sete passos, como se todos fossemos marionetas, tontinhos ou mentecaptos. E como se o sucesso, tal e qual como o mundo o entende, fosse o objectivo do cristão e não o cumprimento da vontade de Deus.

Estou cansado da indústria que se montou à volta da música cristã e que apenas enche os bolsos de uns quantos, quando a sua qualidade é normalmente muito baixa.

Estou cansado de ouvir cantar letras sem mensagem, que apenas traduzem supostos estados de alma do autor, mas que não têm nada a comunicar ou a propor a quem as ouve.

Estou cansado de sofrer a falta de beleza e de poesia nas letras das músicas que se cantam na adoração, como se a Arte e a Poesia tivessem que ficar à porta das igrejas.

Estou cansado de ouvir imitações musicais de má qualidade no culto a Deus, de suportar barulho e ruído em vez de música e de me deparar com uma verdadeira cultura de música “pimba gospel”, só porque entra facilmente no ouvido e vende bem.

Estou cansado das invenções, “originalidades” e “revelações” que proliferam como fogo em erva seca, sejam elas de origem judaica, como a bandeira de Israel, o shoffar, a arca da aliança, o Menorath ou as danças israelitas no culto cristão, ou de inspiração pagã como o sal, as rosas ungidas ou as vassouras para varrer os demónios, entre outras enormidades.

Estou cansado das bíblias disto e daquilo, da mulher, do jovem, do estudante, da criança, em particular das bíblias deste e daquele grupo religioso ou da “prosperidade e vitória financeira”. Se as primeiras ainda se compreendem devido aos ditames do marketing (embora antes as pessoas se adequassem a Bíblia e não o contrário…), as últimas revelam contornos realmente preocupantes.

Estou cansado de tanta parvoíce de quem já não sabe o que há-de inventar.
Não, não me identifico com a cultura gospel, de todo. Lamento mas não dou para esse peditório. O meu chão é outro.

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4 comentários a “A estranha cultura “gospel””

  1. Amigo, muito interessante saber que existem pessoas, abrindo os olhos espirituais como você!

    Não tenho a intenção aqui de bajular-te (utilizo o idioma Brasileiro), tão pouco a intenção de fazer propaganda religiosa, pois a doutrina na qual creio não faz propaganda como uma empresa que visa fins lucrativos, doutra forma ela se tornaria mercantilista o que as escrituras sagradas condenam, (disse Jesus: “Dai de graça o que de graça recebestes”), o apóstolo Paulo disse: “Ai de mim se eu não pregar o evangelho, pois esta é uma obrigação que me foi imposta!” e outra vez: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”.

    Deus começa a se manifestar a alguém através da sabedoria e segundo as escrituras o temor a Deus é o princípio dela, consequentemente com a sabedoria vem o discernimento entre o que é do mundo e o que é de Deus, conforme está acontecendo com você, pois direta ou indiretamente você está descobrindo que não se deve utilizar as escrituras sagradas como fonte de renda que é uma coisa terrena, as escrituras sagradas cuidam das coisas celestes.

    Enfim diz as escrituras: “Ficarão de fora os MERCENÁRIOS”, aqueles que utilizam as sagradas letras para receber dinheiro em troca.
    O evangelho veio trazer vida espiritual, quem o seguir fielmente são vivos aos olhos de Deus, por isto esta escrito: “Quem prega o evangelho, que viva do evangelho”. Viver do evangelho é ser fiél a ele para ter vida espiritual e dar exemplo a quem se prega. Diz as escrituras: “Tu que dizes : Não furtarás,furtas?”, que direito tem de exigir cumprimento, aquele próprio que não cumpre?

    Pense nisto!

  2. Excelente. Eu bem digo que andam por ai uns Profetas que falam verdades demolidoras. Muito bem Brissos….

  3. Se percebi bem, o Brissos não falaste só de música, falaste mais fundo: falaste dos elementos que alimentam o espectáculo. E uma coisa parece certa: o espectáculo tem de continuar. Por isso veremos, cada vez mais, novos truques, novos efeitos especiais, novas tácticas, novos números, novos ilusionistas que manterão o público num permanente estado alterado de consciência. E como o «povo» (para usar a expressão que muito se usa em alguns púlpitos para se referirem às pessoas…), e como o povo, dizia, gosta disso…

    E citaste, Brissos, a palavra maldita, proibida, anatematizada, reprovada: «cansado». E és reincidente: nove vezes em nove parágrafos. Todavia, não será permitido estar cansado? Poder-se-á estar cansado do show, do espectáculo, sem que sejamos imediatamente rotulados de apóstatas, desviados, infiéis, carnais e outras coisas mais???

    Quando se vê esta hiperactividade, esta inflamação, este frenesim, esta alucinação, este delírio, esta espiral… fica-se cansado; ah pois! E depois é a superficialidade da mensagem fácil, a sensaboria da música tornada comercial, a flacidez da igreja tornada empresa, a histeria do ajuntamento acéfalo, o consumismo dos produtos mágicos, a inconsistência dos líderes endeusados (li hoje: Benny Hinn está em processo de divórcio desde 1 de Fevereiro…)…fica-se cansado!… Ver mais

    Depois do direito ao descanso…proponho o direito ao CANSAÇO…

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