A liberdade

pássaros coração

 

“Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência.” Leon Tolstoi

 

 

Um bando de pássaros a voar sugere algo sem o qual é quase impossível viver – a liberdade. Eu gosto de liberdade, todos gostamos de liberdade.

Mas a liberdade não é tudo. Nenhum pássaro pode ficar nos ares ad eternum. Tem que vir cá abaixo para descansar, para comer, beber, dormir e para outras tarefas que fazem parte da sua vida e existência.

Por isso, a liberdade sem limites cansa e até pode matar. A mitologia grega diz-nos exactamente isso. Alguém que, não estando preparado para a liberdade sem limites, abusou dela e morreu. O jovem Ícaro fez orelhas moucas ao conselho do seu pai e caiu a pique, em direcção à morte. Uma morte estúpida e evitável.

A liberdade é uma coisa que se quer muito, mas com a qual nem sempre se sabe lidar, o que pode ser trágico. Vemos isso todos os dias com os dramas que o álcool e as drogas provocam nos jovens. Eles acham que são livres, querem sentir-se livres e “embarcam” nessas viagens, nessa espécie de evasão da realidade que não os deixa ser livres na vida real como gostariam.

Essa pulsão de liberdade está inscrita nos genes do ser humano, mas, por estranho que possa parecer, a História relata um esforço contínuo para estabelecer dominadores e dominados.

Ainda hoje, como resquício desses tempos e mentalidade que se entranharam na cultura ocidental, temos títulos nobiliárquicos (Senhor D. Duarte Nuno) ou eclesiásticos (D. António Ribeiro). Ora, Este Dom significa “dominus”, de domínio, o que, pelo menos no segundo caso não se justifica, de todo, e no primeiro soa como relíquia do passado.

Até aos anos sessenta a Lei da Fauna e Flora na Austrália considerava os autóctones (aborígenes) como animais e não como seres humanos, por isso eram acorrentados e privados da sua liberdade. Como animais. E todos sabemos que ainda hoje persistem no mundo múltiplas formas de escravatura, embora mais sofisticadas, que são difíceis de erradicar justamente porque a natureza humana tende a dominar o semelhante.

Assim, o ser humano aspira à liberdade, mas uma vez alcançada e ao pretender dominar ou subjugar o próximo, é a sua própria liberdade que fica em causa, pois nenhum homem é inteiramente livre enquanto dominar outro homem.

Tolstoi tinha razão. O que precisamos procurar é a Verdade. A Liberdade será uma consequência e não um fim. É o que desejo aos leitores no novo ano, que encontrem a Verdade, para serem livres.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 2/1/15.

 

 

Anúncios

2 comentários a “A liberdade”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s