Os nossos filhos andam a estudar em livros de ouro

 

Se os Portugueses fossem civicamente interventivos, se praticassem a cidadania activa, se tivessem deputados realmente interessados nos problemas do cidadão comum e fossem imunes aos lóbis, se os governantes tivessem a espinha direita, o negócio indecoroso das editoras de livros didácticos e manuais escoares já tinha sido posto na ordem.

Milhões de livros e manuais são atirados para o lixo todos os anos, no fim das aulas, porque as escolas adoptam novos manuais. Um desperdício criminoso para o país e um gasto desnecessário para as famílias.

Os livros deviam poder ser reutilizados durante muitos e bons anos, como acontece por essa Europa fora, sendo que, nalguns países, até são gratuitos, mas não. Somos uns parolos e os meninos têm que ter todos os anos livros novinhos em folha que, em muitos casos, nem sequer chegam a abrir porque o professor da disciplina não gosta do material.

Este esbanjamento indecente tem uma fonte de interesse óbvia: as editoras. E não se entende porque o ministério não corta rente esta política obscena. Nem sequer o facto de autarquias, instituições e até particulares terem a iniciativa de criar bancos de trocas de livros para atender as famílias mais carenciadas, cobre de vergonha a cara do ministro.

Os preços dos livros escolares são incomportáveis para a bolsa dos portugueses porque os governos têm deixado que a política de manuais escolares e preços seja estabelecida pelas editoras. Paulo Morais diz que: “Dominam um sector que representa mais de cem milhões de euros, considerando que os cerca de milhão e meio de estudantes do ensino básico e secundário adquirem perto de dez milhões de livros.”

Se o ministério tivesse a mínima preocupação com as famílias já tinha instituído bancos de trocas em todas as escolas, numa primeira fase. Seria um sistema universal de troca de manuais, em que os alunos levantavam os manuais de que necessitavam contra a entrega dos do ano anterior. Só compraria livros novos quem quisesse.

E numa segunda fase o ministério deveria estabelecer livros fixos durante dez anos. E não me venham dizer que o avanço científico muda tão depressa que os livros já não servem de um ano para o outro. Tretas. A não ser que os países do norte da Europa sejam muito atrasados cientificamente… Usem a internet e os meios informáticos. Ou que o currículo tem que mudar constantemente. Balelas.

Quando é que os governos do país fazem alguma coisa para que os interesses privados deixam de se sobrepor aos dos cidadãos em geral?

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 11/9/15.

 

 

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