Sobre o maior embuste desta campanha

 

A campanha eleitoral está a atingir níveis caricaturalmente graves. E estúpidos.

É patético ver o primeiro-ministro basear a sua campanha na mentira de que o PSD nunca quis a vinda da troika. Ou de que recessão económica – que fez 1,4 milhões de pessoas ficar no desemprego, levando parte à emigração – não foi causada pela austeridade imposta pelo Memorando de Entendimento, mas pela “crise”. A “crise” em geral. Ou vê-lo – coitado – a esgrimir na TV quem “chamou” formalmente a troika, quando o tema era quem defendeu politicamente a sua vinda. Ou ver Eduardo Catroga dar-se ao trabalho de escrever uma carta aberta a António Costa, de duas páginas, a desmentir que… e não se percebe bem o que ele quer desmentir. Catroga é um triste personagem que – começou como negociador do PSD junto da troika, foi corrido por Passos Coelho por ser desbocado, andou nos bastidores a influenciar Álvaro Santos Pereira para não aplicar a contribuição sobre o sector eléctrico (ver o livro “Segredos de Estado” de Luís Reis Pires e Nuno Martins) e acabou num dos órgãos sociais da EDP privatizada… Veja-se o que Catroga disse uns dias depois de ser conhecido o Memorando, quando havia a ideia – até na comunicação social – de que o Memorando era o programa de Governo que Portugal nunca tivera em décadas! Não se lembram? Era um plano óptimo, com prazos, metas, calendários, custos e números…

O Memorando foi, na verdade, o corolário de medidas que o PSD de Passos Coelho sempre defendeu. Veja-se acronologia dos factos e procure-se as seguintes datas:
15/3/2011, Passos declara que Portugal precisa de ajuda externa (“estamos com as calças na mão”).
19/3/2011: Sócrates declara-se indisponível para governar com o FMI.
25/3/2011: (já após o chumbo do PEC4) Sócrates recusa-se a pedir ajuda externa.
26/3/2011 Passos Coelho declara que não se pode diabolizar o FMI: “Tem-se diabolizado a questão do FMI porque o primeiro-ministro a tornou uma questão de honra do Estado”. “Portugal faz parte do FMI” e o organismo “existe para ajudar os países a superar crises de financiamento”. “Isso já aconteceu anteriormente”, sublinha.
2/4/2011: Passos garante em campanha eleitoral que, se for primeiro-ministro, não hesitará “um segundo” em pedir ajuda externa.“Não se deixa um país a correr riscos que são desnecessários”, as dificuldades financeiras serão ultrapassadas sem austeridade, garantiu.
3/5/2011:Eduardo Catroga afirma que o Memorando de Entendimento prova que o PEC4 era insuficiente e que as medidas que aparecem eram “melhores para os portugueses, no sentido de se obter um programa de austeridade, sim (…)” mas apenas para cortar gorduras. E que a “negociação foi essencialmente influenciada pelo principal partido da oposição”.

Foi de facto há muito tempo. Mas passaram só 4,5 anos. Por isso, é importante relembrar esses tempos em que a Direita pensou que ia revolucionar Portugal e que ia colocar o país entre os mais modernos da Europa… E veja-se onde ficámos.

 

Fonte: Ladrões de Bicicletas.

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