Era uma vez um resgate

 

A política portuguesa está transformada num circo. Agora é o PCP a acusar PS, PSD e CDS da responsabilidade da vinda da troika. Meus amigos, vamos ver se nos entendemos. Todos os partidos parlamentares assinaram a vinda da troika ao chumbarem o PEC4, não deixando alternativa ao governo de então.

Sócrates, com a sua proverbial teimosia, também levou as coisas ao extremo e teve que fazer o que não queria, pedir ajuda externa, face às evidências, depois da insistência do ministro das finanças, Teixeira dos Santos e de Mário Soares.

Portanto, vamos lá a acabar com isto de o roto dizer ao nu porque não te vestes tu? Todos, mas mesmo todos, desde o Bloco ao CDS são responsáveis pelo resgate financeiro e a austeridade que se seguiu.

Já quando às opções concretas, quer durante, quer depois de concluído o programa de resgate, a conversa já é outra.

António Lobo Xavier confirmou – como se não se soubesse – que PSD e CDS forçaram a vinda da troika, e Passos disse em tempos “nós (PSD) é que chamámos a troika”, mas a memória é muito curta.

A questão nestas eleições, já não é o pedido de resgate. Isso foi julgado politicamente pelos eleitores em 2011. O que se avalia neste momento é o desempenho do actual governo na legislatura que agora termina.

A tentativa patética de colar Costa a Sócrates já deu o que tinha a dar. António Costa deixou o governo para assumir a autarquia da capital em 2007, não fazendo parte do último governo Sócrates, o que correu mal. Talvez seja bom recordar que Sócrates ganhou as eleições em 2009, depois de governar quatro anos, quando o PSD andava a queixar-se em off que não sabia como fazer oposição.

Costa apresenta-se aos eleitores com contas feitas, com uma experiência política assinalável, tanto governativa como autárquica. Já Passos, a única coisa que tem para apresentar é esta governação, além do carreirismo partidário e duma coisa estranha (Tecnoforma).

Era bom que a coligação perdesse as eleições e o PSD voltasse a ser um partido social-democrata, deixando de estar capturado por uma ideologia neoliberal.

Um primeiro-ministro que disse que o programa de ajustamento era o programa do seu partido e que desejava ir até além da troika, que disse que o país tinha que empobrecer, que destruiu a classe média e que, mentindo, cortou salários e pensões, fez o emprego disparar, mandou os jovens emigrarem, aumentou exponencialmente a dívida, atacou a escola pública como nunca e está a destruir o Serviço Nacional de Saúde, merece confiança?

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 25/9/15.

 

 

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