Legislativas: primeiras impressões

 

 

Dos quase 9 milhões e meio de eleitores, menos de 2 milhões votaram no PAF e os restantes 3.400.000 que expressaram o voto nas urnas recusaram dar a sua confiança ao governo. Teremos, portanto, um parlamento à esquerda, com uma maioria de cerca de 121 deputados, contra cerca de 104 do governo (falta apurar a emigração).

Mas aconteceu mais. O país ficou dividido entre Norte (PAF) e Sul (PS), Madeira (PSD) e Açores (PS), o que não é saudável num país tão pequeno. No distrito de Setúbal, por exemplo, o PS ganhou em todos os concelhos.

A abstenção, afinal, foi a maior de sempre (43,07%), ao contrário da projecção à boca das urnas, que motivou comentários apressados, e por isso falhados, de analistas e políticos.

O Partido Socialista, sozinho, ficou a 4 pontos da coligação dos dois partidos da direita, o que diz bem da eterna dificuldade de construção duma alternativa de esquerda. Mas também comprova que PSD/CDS não dispõem de legitimidade política para governar, a não ser que consigam acordos sérios com a oposição, numa atitude de humildade democrática. O discurso do “não há alternativa” já não serve.

António Costa sairá certamente do PS mas só no primeiro trimestre de 2016, depois da eleição do novo presidente da república. A menos que seja capaz de construir uma aliança política à esquerda, ou por falta de alternativa credível de liderança para os socialistas. De qualquer modo prevê-se turbulência no partido.

O facto é que PSD/CDS ganham a eleição com o pior resultado de sempre. Está instalado o pântano político e provavelmente dentro de um ano teremos novas eleições legislativas. Até lá, ficamos um país adiado.

Agora é que nos fazia muita falta contar com um presidente da república prestigiado e equidistante, que não é manifestamente o caso de Cavaco Silva. Sabendo-se como ele funciona e uma vez que é o presidente menos popular em final de mandato, na história da democracia portuguesa, já com poderes diminuídos, só nos resta esperar o bloqueio do sistema.

Numa democracia evoluída (que não somos) o presidente convidaria Passos Coelho a formar governo. Se não conseguisse obter acordos políticos que garantissem estabilidade governativa (a aprovação dos OE, por exemplo), nomearia António Costa, como líder do segundo partido com maior representação parlamentar, para tentar formar governo, com as mesmas exigências. Se também não conseguisse, o actual governo ficaria em gestão até à posse do novo inquilino de Belém (em Janeiro próximo), que marcaria novas legislativas.

Não era isto que os eleitores queriam, pois não? Mas foi nisto que votaram. Agora aguentem-se.

 

Fonte: José Brissos-Lino, Setúbal na Rede, 6/10/15.

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