O chefe de facção

 

O discurso de Cavaco é lamentável a todos os títulos.

Primeiro, porque voltou atrás com a sua palavra. Disse claramente que só daria posse a um governo que lhe desse garantias de estabilidade. Passos Coelho não lhe deu (nem podia dar) tais garantias.

Segundo, diabolizou os partidos à esquerda do PS, que lhe devem merecer o mesmo respeito de todos os outros, como PR, e que está obrigado constitucionalmente a respeitar. Só faltou dizer que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço.

Terceiro, devia-se ter limitado a comunicar ao país que tinha indigitado como primeiro-ministro o líder do partido mais votado e que o assunto agora era com o parlamento, sem considerações políticas pessoais, de forte pendor partidário e ideológico. Não foi um árbitro, foi um jogador a alinhar pela equipa da coligação de direita.

Quarto, exerceu uma pressão intolerável sobre os deputados (em especial os do PS), revelando mais uma vez (como se ainda fosse necessário) que nunca soube ser presidente de todos os portugueses.

Quinto, esqueceu-se das sua obrigações constitucionais, ao dar a entender que não daria posse a um governo que não fosse liderado pelo seu partido. Grande democrata…

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