Homens e mulheres

 

“O homem é a cabeça da casa, mas a mulher é o pescoço” (Ditado checo).

 

Segundo sugere o ditado popular é o pescoço que manipula a cabeça, logo, o marido é usado pela mulher de acordo com a vontade dela. Trata-se da sageza feminina em todo o seu esplendor. Deixar que o homem pense que manda, mas no fundo a mulher é que aprendeu, através dos séculos, por razão de evidente necessidade de sobrevivência, a levar a água ao seu moinho, através de atributos exercitados como a inteligência e a sedução.

Mas o ditado checo diz mais. Sendo o pescoço o único órgão de ligação entre o corpo e a cabeça, a mulher está colocada num lugar-charneira que, além de indispensável, é também um lugar de controlo, já que uma cabeça separada do corpo não serve para nada.

Agora mais a sério. Talvez seja bom lembrar que até há algumas dezenas de anos atrás as mulheres não podiam ser admitidas em cursos superiores, não podiam votar, não podiam ausentar-se do país sem autorização do pai (sendo solteiras, ainda que de maioridade) ou do marido. Estavam-lhes vedadas uma grandíssima parte das profissões, por se entender que eram profissões masculinas, e nem sequer era bem visto que estudassem mais do que a instrução primária, e nalguns casos nem isso.

Remetidas ao lar (mulheres em casa, homens na rua), às panelas e à sua função de parideiras e mães, carregavam imensas frustrações. Foi nessa época que Freud descobriu um distúrbio nervoso a que chamou crises de histeria. Não podendo desabafar, nem sonhar, acantonadas entre quatro paredes, acossadas por toda a sorte de preconceitos e barreiras sociais, coitadas, tinham que rebentar por algum lado. Não tanto as pobres, que tinham de concentrar esforços numa dura e exigente sobrevivência, mas as mulheres de famílias abastadas, que dispunham de criadagem para tratar da casa e dos filhos por elas, restando-lhes tempo para pensar na sua vidinha fútil.

Apesar de tudo as mulheres foram apurando os seus dotes de sedução, influenciando muitas vezes os maridos com as suas opiniões. Isto parece ter acontecido em especial desde que a estrutura familiar se tornou monogâmica e se reduziu a pai, mãe, filhos e avós. Quanto mais reduzida se tornou a família mais se valorizou o papel da mulher na mesma.

Hoje a mulher está a ganhar uma posição social compatível com a sua dignidade, na profissão e na universidade. Mas por alguma razão se perdeu o primado do bem comum, que vinha desde o clã, dado o exacerbado individualismo que está a destruir as relações humanas.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 30/10/15.

 

 

 

 

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