Democracia ao pé-coxinho

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A Democracia e a Liberdade política estão doentes. Hoje não se vota nas pessoas e programas eleitorais que achamos melhores para o país. Vota-se com medo dos mercados e com um olho em Bruxelas e outro em Frankfurt (BCE). Se o eleitor não é livre de votar em quem achar melhor, se fica condicionado por razões artificiais, não é livre. Logo, não há democracia efectiva.

A verdade é que o sistema ultraliberal de selvajaria financeira em que estamos integrados vai tentar tudo para continuar a destruir o valor do trabalho e facilitar a vida aos especuladores financeiros, que são verdadeiras sanguessugas das populações, sem pruridos de atacar até a sua dignidade como seres humanos.

E nós andamos aqui entretidos com a esquerda, a direita e o centro domésticos, enquanto esse capitalismo sem rosto em que a Europa se deixou cair nos vai atando todos os dias de pés e mãos.

A ideia de garantir à partida que qualquer governo dure uma legislatura, sem maioria absoluta de um só partido, é uma completa patetice. Ninguém (nem sequer nenhum papel assinado) pode garantir tal coisa. Ainda por cima quando estamos integrados no sistema monetário europeu (zona euro) e numa união de estados (UE). A volatilidade da política actual, no tempo da globalização, da especulação financeira à escala planetária e dos conflitos armados um pouco por todo o mundo, nada podem garantir.

O que certos sectores bem representados na imprensa estão a exigir, é que a esquerda faça uma espécie de votos de casamento (“até que a morte nos separe”). Mas todos sabemos que esses votos são quebrados todos os dias. Chega-se ao ridículo da pura contradição. Por um lado afirma-se que o PS já não é o que era (um partido de centro-esquerda, europeísta), e por outro exige-se que celebre votos de casamento com a dita esquerda radical…

O país é hoje influenciado através da comunicação social (que está na mão dos privados e a RTP nas mãos dum governo de direita), a pensar como eles querem que pensemos. Basta ver a que sector pertencem os comentadores políticos televisivos que surgem em horário nobre e sem contraditório: Marcelo (até agora) na TVI, Marques Mendes na SIC e Morais Sarmento na RTP, todos eles ex-líderes ou altos dirigentes do PSD.

A democracia desta direita é muito especial: os votos de um milhão de portugueses não contam para nada, e certos partidos estão proibidos (por uma espécie de direito divino) de apoiar um governo no parlamento. É uma democracia ao pé-coxinho. Não pode usar a perna esquerda…

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 13/11/15.

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1 comentário a “Democracia ao pé-coxinho”

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