A religião faz as pessoas melhores?

 

 

Não creio.

Segundo as conclusões dum estudo da Universidade de Chicago, publicado na revista científica “Current Biology”, as crianças educadas em lares religiosos parecem ser um pouco menos generosos e tolerantes. O efeito global é pequeno, mas mensurável e estatisticamente significativo. As crianças cristãs, apesar de tudo, revelaram resultados um pouco mais positivos do que as islâmicas.

A população estudada foi constituída por 1.170 crianças do Canadá, China, Jordânia, Turquia, EUA e África do Sul, com idades entre 5 e 12 anos. A maioria dos participantes (43%) era de família islâmica, enquanto 27,6% vinham de lares não religiosos e 23,9%, de casas cristãs. Todavia, a investigação parece contradizer outros estudos sobre psicologia da religião, que sugeriam papel relevante da fé nos comportamentos altruístas.

Observemos de perto o episódio bíblico conhecido como do Bom Samaritano, embora Jesus nunca lhe tivesse chamado “bom”. Por aqui se vê que o sacerdote e o levita, agentes da religião judaica, optaram por se afastar do homem em necessidade, e foi, afinal, um estrangeiro – de Samaria – que se moveu de compaixão pelo pobre homem e o socorreu. Com este caso Jesus de Nazaré pretendeu revelar claramente que não é a prática religiosa que faz as pessoas melhores. Nem sequer o cumprimentos de preceitos religiosos, se acaso o coração não estiver convertido a Deus.

Talvez o possível contacto com o sangue e as feridas do homem caído à beira da estrada não fosse conveniente, na preservação das alvas vestes dos religiosos de Jerusalém. Talvez um homem consagrado ao serviço a Deus no templo não devesse “perder” tempo com tal situação.

Talvez o facto de presumivelmente não haver testemunhas não tivesse encorajasse à compaixão os fiéis duma religião baseada no Fazer e não no Ser.

Ou talvez a cegueira e a hipocrisia religiosa já estivessem tão cristalizadas na praxis destes religiosos, que os levassem a viver sem a noção do essencial (a engolir camelos e a coar mosquitos).

O samaritano da estória era considerado impuro e estrangeiro pelos judeus, mas foi este que Jesus usou para destruir a soberba religiosa com que se confrontava todos os dias, na relação com uma classe sacerdotal profundamente corrupta, pelo menos desde os tempos do profeta Malaquias.

A fé cristã não é uma questão de reforma, de maquilhagem, mas de natureza, de novo nascimento como o Mestre disse um dia a Nicodemos. Não é a religião que faz as pessoas melhores, mas sim o encontro com Cristo.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 27/11/15.

 

 

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