Quando os idosos desistem

 

Segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), quase quarenta por cento dos suicídios verificados nos últimos dois anos em Portugal respeitaram a mortes de idosos, a maioria das quais em homens. Com base neste facto e noutros estudos, os especialistas têm vindo a alertar para necessidade de se fazer uma reflexão séria sobre estratégias de prevenção desta realidade.

É indesmentível o peso significativo que a população idosa apresenta neste assunto, pois representa 37% do total de suicídios nos anos em análise, quando a população mais velha ocupa uma fatia crescente. Acresce que os dados do INE pecam por defeito na caracterização da situação, pois há casos em que os procuradores dispensam a realização de autópsia.

A maioria de suicídios de idosos, acima dos 65 anos, ocorre nos distritos de Lisboa, Porto, Faro, Setúbal e Santarém, sendo que a idade média ultrapassa os 76 anos.

“Os antecedentes psiquiátricos, nos casos em que foi possível apurar, revelaram-se estatisticamente significativos como factor de risco para o suicídio precoce. As pessoas que tinham estes factores de risco suicidaram-se mais cedo do que as outras dentro do grupo dos idosos, com uma média de 74 anos. É uma associação forte e em termos de estratégia de prevenção este é um factor importante. O acompanhamento psiquiátrico destas pessoas pode ajudar a prevenir o suicídio”, afirma o autor do estudo, João Pinheiro.

Assim, é fundamental encontrar respostas para combater o isolamento da pessoa idosa, a doença e a falta de apoio familiar, mas sobretudo a perda de autonomia e as dificuldades financeiras, que contribuem fortemente para o desespero e a opção extrema do suicídio.

A GNR já tinha destacado o isolamento como factor de vulnerabilidade social da população idosa, através da Operação Censos Sénior 2015, que permitiu a esta força de segurança sinalizar “mais de 5200 idosos a viverem sozinhos, isolados ou com limitações físicas e psicológicas.” Os militares identificaram então 39.216 pessoas com mais de 65 anos em situação precária, quando em 2011 tinham encontrado apenas 15.596 idosos nessas condições, ou seja, menos de metade.

É bom de ver que a tarefa de responder a esta situação não se pode limitar ao governo e autarquias, tem que envolver instituições, igrejas, colectividades e a população em geral. Mas é na família que reside grande parte da solução, já que é por via da sua falência (ruptura e desorganização familiar) que o país enfrenta tal problemática.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 4/12/15.

 

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