Banifados e mal pagos

 A Sikkimese woman carrying a British man on her back, West Bengal, India, circa 1900. Historical Pics.

Mulher nativa (que representa o contribuinte português) a carregar inglês às costas (que representa a banca), West Bengal, India, 1900. Historical Pics.

 

Chegamos ao fim de mais um ano fartos desta maldita sina. Que o dinheiro dos impostos, pagos com tanto sacrifício pelos portugueses, especialmente em períodos de crise, seja canalizado para resgatar bancos. Ou seja, para pagar o abuso, incompetência e dolo de banqueiros e amigos. Chega.

Os impostos são para pagar o funcionamento da máquina do estado (administração pública, forças armadas e de segurança, representações diplomáticas), para sustentar o estado social (reformas, pensões, saúde, educação) e para investimentos no bem-estar das populações e no desenvolvimento do país (infraestruturas).

O Banif é o último de uma saga indecorosa que já vai longa: BPN, BPP, BES, BANIF. Será que fica por aqui? Um país não pode ficar sequestrado anos a fio sem haver penalizações.

Neste caso falhou a gestão do banco, que apresentou a Bruxelas oito planos de reestruturação, todos chumbados, sem nunca conseguir comprovar a viabilidade da instituição. Mas falhou também a responsabilidade política de Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque, que empurraram deliberadamente o problema com a barriga, de olho nas eleições. Sendo a maioria do banco pública é inexplicável tal inércia.

Obviamente, falhou também o Banco de Portugal. Mais uma vez.

O CDS tenta culpabilizar uma televisão pelo descalabro do banco. Não. A notícia constituiu apenas o golpe de misericórdia. Dizer que o banco ia fechar desencadeou uma corrida aos depósitos, que antecipou o problema em dias ou horas. Mas está por esclarecer o que esteve por detrás da notícia, sabendo-se as ligações empresariais do grupo de comunicação da TVI com o banco que veio a comprar os activos bons do Banif a preço de saldo…

Até Cavaco Silva ajudou à festa, ao ter ajudado o governo de Passos-Portas a encobrir a situação, para que como bem diz Marisa Matias a “bomba-relógio’ explodisse já nas mãos do novo executivo”.

Conceição Cristas e alguma imprensa devem um pedido de desculpas a António Costa pelo que disseram – e a ex-ministra pela agressividade com que o fez – ao atacarem o primeiro-ministro, quando ele disse que havia surpresas desagradáveis que vinham do governo anterior.

Esperemos que a comissão parlamentar de inquérito averigue e divulgue quem foram os beneficiários dos créditos mal parados. Os amigos do regime e dos banqueiros. Há quem diga que são os mesmos dos outros bancos já resgatados. Mas o Zé é que paga sempre…

Duma vez por todas, chega!

E já agora, desejo a todos um 2016 sem resgates a bancos. Ao menos isso.

 

Fonte: José Brissos-Lino, O Setubalense, 30/12/15.

 

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