Sejamos de novo animais sociais

 

Em 1980, Augusto Abelaira escreveu “Anfitrião outra vez”, peça de teatro que constituía uma paródia do genial “Amphitruo” de Plauto. Absurdo de enganos, de incomunicabilidade, na peça as personagens comunicavam por aparelhos, os comunicadores.

Trinta e cinco anos depois, cumpre-se extensivamente a absurda profecia: as pessoas deixaram de comunicar cara a cara, olhos nos olhos, e meteram pelo meio os aparelhómetros electrónicos. Hoje não se está à mesa com família e amigos, não se senta na sanita nem se faz amor sem ter dedos ocupados com vibers, messengers, facebook e tweets. Amigos e camaradas lado a lado estão juntos, mas, a 50 cm de distância, não emitem sons, não se olham, enviam mensagens uns aos outros e a terceiros e a quartos e a quintos e jogam a 50 jogos ao mesmo tempo. Vê-se isso em pessoas de todas as idades.

2016: o ano de sermos novamente animais sociais, como escreveu Aristóteles, de voltarmos a nos beijar fraternalmente, como se lê no Novo Testamento. Até os Papuas da Nova Guiné devem ser mais felizes do que nós, os desenvolvidos do século XXI.

Rui Miguel Duarte

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