Advento, cultura e globalização

Foto1“A Adoração dos Magos”, Giotto Di Bondone (1267-1337), Capela Scrovegni, Pádua, Veneto, Itália.

 

 

As festividades populares e toda a cultura religiosa e secular ligada ao Advento, radicam há séculos na mentalidade dos povos do Ocidente. Começam agora a ser postas em causa por diversas razões.

Esse questionamento deve-se ao fenómeno da globalização, mas também à pressão de outras culturas religiosas, como o judaísmo e, muito em particular, o islão.

Possivelmente devido aos seus complexos históricos e à predominância duma mentalidade jacobinista tardia, a Europa parece envergonhar-se da sua herança histórica e tende a suavizá-la, com o pretexto de não agredir gente de outras fés. A alternativa será, portanto, uma crescente secularização, e um processo de laicização da sociedade, com a desculpa de preservar a identidade laica do estado moderno. De facto, se o estado é laico a sociedade não o é, e não se podem confundir ambos os planos.

Só que a História comprova que não é possível substituir uma filosofia e os referentes religiosos dum povo por algo inócuo. Não é só a Natureza que tem horror ao vazio, também a sociedade sofre da mesma condicionante. Portanto, o que acaba sempre por acontecer é uma substituição gradual dos referentes tradicionais por outros, importados de culturas estranhas. É o que se passa hoje em Portugal com o Halloween, por exemplo, uma importação contemporânea da cultura celta, que até há poucos anos nos era completamente estranha, e que chegou até cá ao colo da globalização.

Não tenhamos dúvidas, à medida que o imaginário cultural ligado à época natalícia for sendo contido, surgirá em sua substituição uma alternativa não identitária, e portanto, descaracterizadora das nossas raízes como povo. A cultura de plástico substituirá assim a cultura de carne e sangue das gerações que nos precederam.

Talvez um dia possamos entender que o que nos enriquece e valoriza nos concerto das nações não é a conformidade com os outros, mas sim as nossas marcas distintivas.

 

Fonte: José Brissos-Lino, Página cultural Luzes e Sombras, O Setubalense, 30/12/15.

 

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